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Contaminação bacteriana em estetoscópios: Uma verdade que não se pode negar!

Tempo de leitura: 2 minutos.

Nossos estetoscópios costumam representar a identidade profissional de diversos profissionais de saúde. Além de muitos os utilizarem ao pescoço como status em diferentes cenários no ambiente hospitalar ou de clínicas, ou até mesmo fora deles, os estetoscópios são fundamentais no exame clínico dos pacientes.  

Em um dia comum de trabalho, vários pacientes são normalmente auscultados e é sugerido o papel dos estetoscópios como vetores importantes de transferência de patógenos bacterianos, elevando as taxas de infecções associadas aos cuidados com a saúde. E é também, por nós, conhecido que os estetoscópios não são rotineiramente desinfectados.

Os estudos nas últimas décadas baseados em culturas indicaram contaminações por patógenos potenciais como Staphylococcus spp. meticilina resistente, Pseudomonas aeruginosa multidroga resistente, Acinetobacter spp., Enterococcus spp., Escherichia coli, Klebsiella spp. e Streptococcus spp. E também descreveram que a descontaminação reduz significativamente as unidades formadoras de colônia (UFC), embora o impacto na prática clínica seja desconhecido. É importante ressaltar que estudos baseados em cultura são limitados à busca de agentes etiológicos de interesse, mas não retratam as comunidades microbianas presentes. 

Knecht e colaboradores (2019) utilizaram técnicas semi-quantitativas baseadas em sequenciamento de última geração, úteis em estudos de microbiomas e de ecologia microbiana, para avaliar a contaminação bacteriana em estetoscópios utilizados em uma unidade de tratamento intensivo (UTI). Além disso, investigaram os efeitos de protocolos de limpeza na prática diária. Para tais finalidades, a abordagem com o sequenciamento e quantificação do gene 16S rRNA de toda a comunidade bacteriana obtida a partir de 50 swabs (10 amostras de estetoscópios descartáveis não utilizados, 20 amostras após uso único, e 20 utilizados rotineiramente por médicos, enfermeiros e fisioterapeutas).

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Um ensaio com 10 estetoscópios antes e após a limpeza com tecidos embebidos com peróxido de hidrogênio 1,4% por 60 segundos. Um teste adicional foi realizado com 20 amostras de estetoscópios sob limpeza rotineira individual realizada comumente pelos profissionais de saúde (tecidos com peróxido de hidrogênio, hipoclorito de sódio ou álcool) em períodos usuais. Após a coleta do material, o DNA bacteriano foi extraído e submetido ao sequenciamento e quantificação do gene 16S rRNA. 

Os resultados indicaram que as maiores taxas de contaminação bacteriana em estetoscópios estavam entre os estetoscópios rotineiramente utilizados pelos profissionais de saúde, ao contrário daqueles encontrados em estetoscópios descontaminados. Staphylococcus spp. foram ubíquos dentre as amostras, com taxas entre 6,8 a 14 % entre os contaminantes detectados. Curiosamente, Porphyromonas, Bacteroides, Granulicatella, Actinomyces, Prevotella, Streptococcus, Corynebacterium e Propionibacterium foram gêneros frequentemente detectados e são patógenos comuns presentes na pele e trato gastrintestinal humano. Houve redução significativa do conteúdo bacteriano após limpeza por método padronizado, e somente em alguns casos por métodos utilizados por opções individualizadas dos profissionais de saúde.

Com base nesses resultados, é importante darmos prioridade não somente à lavagem das mãos, mas também à limpeza dos estetoscópios antes e após cada uso, pois carregamos vetores potenciais de transmissão de patógenos hospitalares em nossos jalecos ou sobre nossos ombros.

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Referências: 

  • Holleck JL, Merchant N, Lin S, Gupta S. Can education influence stethoscope hygiene? Am J Infect Control 2017;45: 811–812.
  • Jenkins IH, Monash B, Wu J, Amin A. The third hand: low rates of stethoscope hygiene on general medical services. J Hosp Med 2015;10: 457–458.
  • Knecht VR, McGinniss JE, Shankar HM, Clarke EL, Kelly BJ, Imai I, Fitzgerald AS, Bittinger K, Bushman FD & Collman RG. 2019. Molecular analysis of bacterial contamination on stethoscopes in an intensive care unit. Infection Control & Hospital Epidemiology (2019), 40, 171–177.
  • https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/30560753

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