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Criança preocupada vivendo em alojamento durante a pandemia de Covid-19

Coronavírus e crianças em vulnerabilidade: quais os impactos da pandemia?

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No recente comentário Impacts of Covid-19 on vulnerable children in temporary accommodation in the UK, publicado no jornal The Lancet Public Health, no último dia 31, Rosenthal e colaboradores abordam as inestimadas consequências sociais, educacionais e na saúde, sejam elas diretas ou indiretas, em crianças e suas famílias sem moradia, em acomodações temporárias ou inseguras na era da pandemia da doença pelo novo coronavírus, a Covid-19.

Os autores descrevem que, em particular, crianças com idade igual ou inferior a cinco anos, que vivem em acomodações temporárias têm uma situação que pode não parecer óbvia para muitas pessoas porque elas não estão nas ruas como sem teto, mas talvez sejam mais suscetíveis a infecção viral, devido a condições preexistentes (asma e epilepsia, por exemplo). Além disso, essas crianças raramente têm a capacidade de se autoisolar e aderir ao distanciamento social.

Veja também: Recém-nascidos de mães com pneumonia pelo novo coronavírus

Coronavírus e crianças sem moradia

Rosenthal e colaboradores destacam que, em 2019, a instituição de caridade Shelter informou que uma criança perde sua casa a cada 8 minutos na Grã-Bretanha. Isso equivale a 183 crianças por dia, sendo que o número total de crianças desabrigadas e em acomodações temporárias aumentou para 126.020 na Inglaterra em 2019 (destas, 88.080 estavam em Londres).

De acordo com os autores, crianças pequenas em situação de rua têm um alto risco de exposição e transmissão devido à superlotação em moradias precárias, mas também apresentam alto risco de sofrer efeitos imediatos e de longo prazo no crescimento, na saúde e no desenvolvimento cerebral.

A seguir, sintetizamos as ponderações feitas pelos autores:

  • Muitas famílias moram em um único quarto com cozinha e banheiro compartilhados, causando superlotação e impossibilitando o isolamento. Muitas vezes, as crianças têm espaço inadequado para engatinhar ou brincar, e sem acesso a ar fresco;
  • Não existe regulamentação em relação ao que é considerado adequado ou quanto tempo alguém pode permanecer em uma moradia temporária. Com o Covid-19, essas crianças ficam em acomodações temporárias por longos períodos;
  • A lavagem das mãos e a higiene são reduzidas devido ao acesso mínimo a sabão, água, desinfetantes e banheiros;
  • Nenhum contato pessoal com médicos de clínica geral e serviços de saúde está disponível, o que limita as verificações de rotina, como identificação precoce de necessidades e riscos, análises de saúde e desenvolvimento, imunizações, promoção do desenvolvimento social e emocional, apoio aos pais, promoção da saúde, mudança de comportamento, prevenção da obesidade e promoção da amamentação;
  • Para essas famílias, o acesso a itens essenciais básicos, como alimentos e fraldas, por exemplo, é escasso. Essas famílias não possuem recursos para compras online e muitas instituições de caridade estão agora fechadas. Além disso, eles não têm serviços regulares de apoio;
  • Os riscos para a saúde mental dos pais aumentam, especialmente entre as mães, dado que a instabilidade habitacional está associada a um risco aumentado de depressão materna;
  • As vulnerabilidades existentes e os fatores de risco para proteção são exacerbados por fatores adicionais introduzidos pela pandemia.

Leia também: Recomendações para a prevenção ou manejo da Covid-19 em crianças com câncer

Conclusões

Rosenthal e colaboradores finalizam o texto sugerindo medidas necessárias pelo governo do Reino Unido e trabalho em colaboração com todos os setores, serviços de saúde e setor habitacional para reduzir a superlotação e a transmissão da Covid-19 e proteger os mais vulneráveis da sociedade.

O presente comentário contempla condições precárias a que estão sujeitas inúmeras crianças em abrigos temporários no Reino Unido. É de extremo valor para refletirmos também sobre a situação de nosso país, que ocupa a 112ª posição num ranking de saneamento entre 200 países. Além disso, técnicos do Ministério da Saúde brasileiro apontam, como principal desafio nas comunidades, a enorme concentração de habitantes por residência.

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