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Coronavírus: homens acima dos 50 anos podem ser mais vulneráveis à doença respiratória?

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Um estudo publicado pela revista científica Lancet, no dia 30 de janeiro, mostra que dos primeiros 99 pacientes internados em Wuhan, 68% eram homens com idade média de 55 anos, incluindo 67 homens e 32 mulheres.

Para os pesquisadores, esse resultado indica que homens acima dos 50 anos e com histórico de doenças são mais vulneráveis à síndrome respiratória provocada pelo 2019-nCoV, nome dado à nova cepa do coronavírus.

Coronavírus: como foi realizado o estudo

Neste estudo retrospectivo, de centro único, foram incluídos todos os casos confirmados de 2019-nCoV, no Hospital Wuhan Jinyintan, de 1º a 20 de janeiro deste ano.

Os casos foram confirmados por RT-PCR em tempo real e analisados ​​quanto a epidemiologia, demografia, clínica. e características radiológicas e dados de laboratório. Os resultados foram acompanhados até 25 de janeiro de 2020.

Um ponto importante é que os pacientes infectados também apresentavam uma conexão com o mercado de frutos do mar de Wuhan, apontado como o ponto inicial da transmissão do novo vírus. Dos diagnosticados com a síndrome, 49% frequentavam o local.

Os internados deram entrada no hospital de Wuhan com febre alta e tosse. Ao menos, a metade deles apresentava alguma outra enfermidade, como complicações cardiorrespiratórias.

Este perfil também foi confirmado por outra publicação que analisou os primeiros 425 infectados na China.
Sendo assim, é mais provável que o coronavírus afete homens mais velhos com comorbidades, podendo resultar em doenças respiratórias graves e até fatais, como a síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA), segundo indicam os estudos.

Leia mais: Coronavírus: como abordar os casos graves?

Período de encubação

No dia 29 de janeiro, a revista científica The New England Journal of Medicine publicou uma compilação de dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças da China (CCDC) realizada até 22 de janeiro. Os cientistas identificaram que a média de idade era de 59 anos, e a maioria dos então 425 infectados (56%) continuava sendo do sexo masculino.

Este estudo também observou que o período de encubação da doença pode variar entre cinco e seis dias.

A maior parte dos casos registrados até o dia 1º de janeiro (55%) estava diretamente ligada com o mercado de frutos do mar de Wuhan. Este número caiu para apenas 8% nas infecções registradas depois dessa data.

Durante o período da pesquisa, não ocorreram infecções em pacientes menores de 15 anos. Entretanto, no dia 26 de janeiro, o governo de Pequim confirmou o primeiro caso em um bebê de nove meses.

Há alguns dias, o Comitê Nacional de Saúde da República Popular da China informou que a idade média das primeiras 18 vítimas era de 75 anos, sendo também homens em sua maioria.

Em outro artigo divulgado pela revista Lancet, no dia 24 de janeiro, os pesquisadores mostraram que a maioria dos sobreviventes, dos primeiros 41 casos, possuía até 49 anos e eram saudáveis.

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Dados da Organização Mundial de Saúde

Os cientistas ressaltam que os casos de coronavírus estão se espalhando mais rapidamente, mas causando menos óbitos do que a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARs-CoV), que causou um surto na China entre os anos de 2002 e 2003.

Com base em dados coletados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) até o dia 31 de janeiro, quando o coronavírus já havia matado 213 pessoas na China e infectado 9.720, a taxa estimada de letalidade era de 2,19%, segundo as autoridades chinesas. Isso significa que, a cada 100 pessoas doentes, duas morrem.

Já a SARs matou 916 pessoas e contaminou 8.422 durante toda a epidemia, com taxa de letalidade de 10,87%. Isso representa quase 11 mortes a cada 100 doentes.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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