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Coronavírus: como abordar os casos graves?

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Coronavírus são uma grande família viral, conhecidos desde meados de 1960, que causam infecções respiratórias em seres humanos e em animais. Recentemente, ocorreu a identificação do novo coronavírus (2019-nCoV) na China, com casos adicionais sendo identificados em um número crescente de países internacionalmente.

A Organização Mundial da Saúde, emitiu um documento orientando abordagem de casos de infecção respiratória aguda grave (SARI). Neste post, traremos os principais pontos para vocês.

Triagem

Esta é a primeira etapa da abordagem do paciente com infecção pelo coronavírus. É importante reconhecer e classificar todos os pacientes com SARI no primeiro ponto de contato com o sistema de saúde, geralmente a emergência. Alguns hospitais já têm colocado cartazes informativos logo na entrada do hospital para que as pessoas sinalizem rapidamente os sintomas e história epidemiológica.

Para considerarmos que o paciente tem SARI, precisamos estar diante de um caso de insuficiência respiratória aguda, com história de febre ou temperatura medida ≥ 38 °C e tosse; início nos últimos 10 dias e exigindo hospitalização. No entanto, a ausência de febre não exclui infecção viral.

Quando suspeitarmos de 2019-nConV?

Fizemos um texto no Portal utilizando as definições atualizadas do Ministério da Saúde. Checa lá!

Quais as síndromes associadas ao coronavírus?

Leia mais: Síndrome do desconforto respiratório agudo: diretriz do Annals of Intensive Care

Atenção às medidas de precaução:

É importante que haja a implementação imediata de medidas apropriadas de prevenção e controle.

As precauções padrão incluem a higiene das mãos; uso de EPI para evitar o contato direto com o sangue, fluidos corporais, secreções (incluindo secreções respiratórias) e pele não intacta. As precauções padrão também incluem a prevenção de picadas de agulha ou ferimento por objetos cortantes; gerenciamento seguro de resíduos; limpeza e desinfecção de equipamentos; e limpeza do meio ambiente.

Dê uma máscara médica ao paciente suspeito e encaminhe o paciente para uma área separada, uma sala de isolamento, se disponível.

Terapia e monitoramento precoce

A terapia do coronavírus é basicamente suporte, pois ainda não há uma medicação específica indicada. Porém, traremos algumas medidas importantes na abordagem.

1. Administre oxigenoterapia suplementar imediatamente a pacientes com SARI e dificuldade respiratória, hipoxemia ou choque.

Observações: Iniciar oxigenoterapia a 5 L/min e taxas de fluxo de titulação para atingir a SpO2 alvo ≥90% em adultos não grávidas e SpO2≥92-95% em pacientes grávidas

2. Use tratamento conservador de fluidos em pacientes com SARI quando não houver evidência de choque.

Observações: Pacientes com SARI devem ser tratados com cautela com fluidos intravenosos, pois a ressuscitação agressiva pode piorar a oxigenação, especialmente em locais onde a disponibilidade de ventilação mecânica é limitada.

3. Dê antimicrobianos empíricos para tratar todos os patógenos prováveis ​​que causam SARI.

Administre antimicrobianos dentro de uma hora da avaliação inicial do paciente, casos haja quadro séptico. A terapia empírica inclui oseltamivir para o tratamento da gripe quando existe circulação local ou outros fatores de risco, incluindo histórico de viagens ou exposição a vírus da influenza animal.

4. Não administre rotineiramente corticosteroides sistêmicos para tratamento de pneumonia viral ou SDRA, a menos que sejam indicados por outro motivo.

Veja mais sobre coronavírus:

Coleta de amostras para diagnóstico laboratorial

  1. Colete hemoculturas para bactérias que causam pneumonia e sepse, idealmente antes da terapia antimicrobiana. Não atrase terapia antimicrobiana para coletar hemoculturas.
  2. Coletar amostras do trato respiratório superior e trato respiratório inferior.
  3. A sorologia para fins de diagnóstico é recomendada apenas quando o RT-PCR não está disponível.

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Tratamento da insuficiência respiratória hipoxêmica e SDRA

1. Reconhecer insuficiência respiratória hipoxêmica grave quando um paciente com dificuldade respiratória estiver com falha na oxigenoterapia padrão.

2. O oxigênio nasal de alto fluxo ou a ventilação não invasiva (VNI) devem ser usados ​​apenas em pacientes selecionados com hipoxemia.

Pacientes tratados com oxigênio nasal de alto fluxo ou VNI devem ser monitorados de perto quanto à deterioração clínica.

Implemente ventilação mecânica usando volumes correntes mais baixos (4-8 ml / kg de peso corporal previsto) e pressão inspiratória mais baixa (pressão de platô <30 cmH2O).

3. Em pacientes com SDRA grave, recomenda-se ventilação prona> 12 horas por dia.

4. Evite desconectar o paciente do ventilador, o que resulta em perda de PEEP e atelectasia.

Ouça nosso podcast! Falamos sobre tudo o que o profissional de saúde precisa saber sobre o novo surto!

Abordagem ao choque séptico

  1. Na ressuscitação do choque séptico em adultos, administre pelo menos 30 mL/kg de cristaloide isotônico em adultos nas primeiras 3 horas. Não use cristaloides hipotônicos para ressuscitar.
  2. A ressuscitação com líquidos pode levar à sobrecarga de volume, incluindo insuficiência respiratória. Se não houver resposta à reposição e sinais de sobrecarga de volume (por exemplo, distensão venosa jugular, crepitações na ausculta pulmonar, edema pulmonar), reduza ou interrompa a administração de líquidos.
Take-home message:

  • Na abordagem dos casos graves de coronavírus, esteja sempre atento às medidas de isolamento e precaução;
  • Use tratamento conservador de fluidos em pacientes com SARI quando não houver evidência de choque;
  • Dê antimicrobianos empíricos para tratar todos os patógenos prováveis ​​que causam SARI. Não esqueça do oseltamivir para todos com suspeita de coronavírus;
  • Não administre rotineiramente corticosteroides sistêmicos para tratamento de pneumonia viral ou SDRA, a menos que sejam indicados por outro motivo;
  • Não use cristaloides hipotônicos para ressuscitar e atenção aos sinais de excesso de fluidos! Se surgirem, pare a ressuscitação.

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Referências bibliográficas:

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