Terapia Intensiva

Coronavírus: quais as orientações para o manejo dos pacientes críticos?

Tempo de leitura: 3 min.

Com o avanço dos casos de coronavírus e o aumento de números de casos com complicações graves, como Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo, as Sociedades de Terapia Intensiva têm se manifestado. Tanto a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) quanto a European Society of Intensive Care Medicine (ESICM) emitiram seus pareceres aos associados e aos leitores em geral. Vamos compartilhar aqui os principais pontos das orientações.

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Novas recomendações para coronavírus

A ESICM divulgou uma carta escrita por Professores da Universidade de Milão (Maurizio Cecconi, Prof. Antonio Pesenti, Prof. Giacomo Grasselli) em que baseada na experiência italiana, eles fornecem algumas dicas para nos prepararmos para lidar com os casos graves de COVID- 19:

  1. Prepare-se suas Unidades de Terapia Intensiva agora para definir seu plano de contingência em caso de surto em sua comunidade.
  2. Interaja a gerência do hospital e outros profissionais de saúde para preparar sua resposta.
  3. Verifique se o escritório de gerenciamento e compras hospitalares possui um protocolo sobre o equipamento de proteção individual (EPI) a ser estocado e reestocado.
  4. Certifique-se de que sua equipe seja treinada em procedimentos de colocação e retirada.
  5. Façam atividades de educação, treinamento e simulação, tanto quanto possível.
  6. Identifique os primeiros hospitais que podem gerenciar o aumento inicial de maneira segura.
  7. Aumente sua capacidade total de leitos em UTI.
  8. Prepare-se para preparar áreas de UTI onde haja coorte de pacientes com COVID-19 + e pacientes sem COViD-19 em todos os hospitais, se necessário.
  9. Estabeleça um protocolo de triagem para identificar casos suspeitos, testá-los e encaminhá-los para a coorte certa.
  10. Certifique-se de definir metas claras para o cuidado com os pacientes e suas famílias precocemente.

AMIB orienta segurança da equipe

A AMIB emitiu um documento com orientações a respeito da segurança da equipe assistente. Este ponto é muito importante, ainda mais no Brasil, em que há carência de leitos de isolamento, mesmo antes do coronavírus. Já fiquei diversas vezes exposta a tuberculose, por exemplo, por não haver leito isolado para estes pacientes.

O isolamento é o primeiro ponto abordado pela AMIB no documento. Eles orientam que o isolamento seja feito, preferencialmente, em quarto privativo com porta fechada e bem ventilado. Caso não seja possível, deve-se proceder com o isolamento por coorte, ou seja, separar em uma mesma enfermaria, ou área, os pacientes com suspeita ou confirmação de COVID-2019.

O segundo ponto abordado foi a respeito dos equipamentos de proteção individual (EPI). Profissionais de Saúde responsáveis pelo atendimento de casos suspeitos ou confirmados devem realizar/utilizar:

  • Higiene das mãos com preparação alcoólica frequentemente;
  • Óculos de proteção ou protetor facial;
  • Máscara.

Obs: Deverão ser utilizadas máscaras de proteção respiratória com eficácia mínima na filtração de 95% de partículas de até 0,3μ (tipo N95, N99, N100, PFF2 ou PFF3), sempre que realizar procedimentos geradores de aerossóis. Para realização de outros procedimentos não geradores de aerossóis, avaliar a disponibilidade da N95 ou equivalente no serviço. Não havendo disponibilidade é obrigatório o uso da máscara cirúrgica.

  • Avental impermeável de mangas longas/gorro;
  • Luvas de procedimento.

Além do cuidado com os EPI’s, deve-se isolar precocemente pacientes suspeitos durante o transporte. Eles deverão utilizar máscara cirúrgica todo o momento, desde a identificação até chegada ao local de isolamento. Outro ponto ressaltado foi a importância do treinamento da equipe para atuar nestas situações.

Leia também: 

Take-home message

  • Os casos graves de coronavírus estão aparecendo ao redor do mundo e precisamos estar preparados para recebê-los;
  • Os hospitais precisam estabelecer planos para o manejo destes casos, avaliando infraestrutura e estoque de materiais;
  • Além disso, é importante que haja treinamento das equipes em colocação de EPI’s.

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Referências bibliográficas:

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Publicado por
Dayanna de Oliveira Quintanilha

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