Medicina Laboratorial

Covid-19: Anvisa aprova novo teste de anticorpos para uso emergencial

Tempo de leitura: 2 min.

Após alguns dias da aprovação do novo teste sorológico Elecsys® Anti-SARS-CoV-2, da Roche, pela Food and Drug Administration (FDA), o teste diagnóstico para Covid-19 também foi autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso no Brasil.

Realizado por coleta de sangue e apresentando resultados em aproximadamente 18 minutos, o ensaio detecta anticorpos totais (IgM e IgG) em indivíduos que foram expostos ao novo coronavírus, ainda que assintomáticos.

O teste conta com 100% de sensibilidade (14 dias após a confirmação da PCR) na detecção de anticorpos contra o SARS-CoV-2 e uma especificidade maior que 99,8%1 para que não seja confundido com anticorpos de outros tipos de coronavírus e outros vírus de gripe comum.

No país, há quase mil sistemas 100% automatizados em diferentes regiões brasileiras aptas a analisar o novo teste. Dependendo do equipamento, é possível processar até 300 testes por hora, elevando significativamente o número de análises realizadas diariamente.

Leia também: Covid-19: saiba mais sobre os diferentes tipos de testes diagnósticos registrados pela Anvisa

Estudo indica que maioria dos recuperados carrega anticorpos

Testes que identificam anticorpos para o novo coronavírus podem servir para decidir quem é imune para voltar ao trabalho. A ideia é que indivíduos imunes substituam os vulneráveis, especialmente em ambientes de alta transmissão, como hospitais, construindo um shield immunity na população. Mas o problema é que a maioria dos testes de anticorpos é repleto de falsos-positivos.

O imunoensaio Elecsys Anti-SARS-CoV-2 é um teste in vitro, usando soro e plasma humano retirados de uma amostra de sangue, para detectar anticorpos e determinar a reação imune do corpo ao novo coronavírus.

O teste pode ser usado em pesquisas epidemiológicas para ajudar a entender melhor a propagação da doença e também pode ser usado em conjunto com testes moleculares para auxiliar no diagnóstico de pacientes com suspeita de Covid-19. Hospitais e laboratórios de referência podem executar o teste nos analisadores de cobaias e da Roche, amplamente disponíveis em laboratórios em todo o mundo.

Novos estudos

Um novo estudo desenvolvido por Florian Krammer, virologista da Escola de Medicina Icahn no Monte Sinai, apontou que menos de 1% dos indivíduos imunes têm a chance de produzir resultados falso-positivos.

Diversos pequenos estudos deram motivos para esperar que os indivíduos que tiveram a Covid-19 ganhem alguma imunidade. O estudo mais recente, e o maior até o momento, foi realizado com 1.343 moradores da cidade de Nova York, nos Estados Unidos.

Veja também: Covid-19: vacina experimental consegue produzir anticorpos neutralizadores do vírus

O estudo demonstrou que o nível de anticorpos não foi alterado por fatores como idade ou sexo, e mesmo os voluntários que apresentaram apenas sintomas leves produziram uma quantidade saudável deles.

Foram testadas 624 pessoas com resultado positivo para o novo coronavírus e que se recuperaram. No início, apenas 511 deles tinham altos níveis de anticorpos, 42 apresentaram baixos níveis e 71 não tinham anticorpos. Quando 64 desses indivíduos com níveis fracos ou inexistentes foram testados novamente mais de uma semana depois, no entanto, todas tinham, pelo menos, alguns anticorpos.

Segundo os pesquisadores, esses resultados sugerem que o momento dos testes para anticorpos pode afetar muito os resultados, e que o momento ideal para a realização do teste seria muito depois do início dos sintomas. “O que estamos dizendo às pessoas agora é que os testes devem ser realizados, no mínimo, três semanas após o início dos sintomas”, concluiu a pesquisadora.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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Publicado por
Úrsula Neves

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