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profissional de saúde segurando teste para covid-19

Covid-19: Apenas um a cada três profissionais de saúde brasileiros tem acesso a testes

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Apenas um a cada três profissionais da saúde no país (35,2%) afirma ter acesso a testes de diagnóstico para a Covid-19, de acordo com pesquisa realizada pelo Núcleo de Estudos da Burocracia (NEB), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), divulgada no dia 30 de julho.

Os profissionais de saúde das regiões Norte (39%) e Nordeste (31%) informaram ter menos acesso aos testes de diagnóstico, em relação aos que atuam no Centro-Oeste (54%), Sudeste (32,3%) e Sul (41,8%).

Utilizando mais uma vez o questionário online, os pesquisadores realizaram a segunda fase da pesquisa “A pandemia de Covid-19 e os profissionais de saúde pública no Brasil”, com a participação de 2.138 profissionais da saúde pública, de todos os níveis de atenção e regiões do país, entre os dias 15 de junho e 1º de julho.

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Perfil dos entrevistados

Entre os participantes da pesquisa, a maioria atua no Sudeste (39,2%) e no Nordeste (35,8%), seguidos do Sul (10%), Centro-Oeste (9,3%) e Norte (5,8%).

Cerca de 60% trabalham na atenção básica, sendo que 77,3% são mulheres, 20% homens e 2,7% não mencionaram o gênero. Mais de 65% afirmaram ter mais de dez anos de carreira.

Outro dado importante é que 40% são agentes comunitários e de controle de endemia, 20,8% enfermeiros, 14,7% médicos e outros profissionais da saúde correspondem a 23,8%.

O objetivo da FGV era avaliar o impacto do avanço da pandemia entre esses profissionais diante de um cenário de reabertura precipitada das atividades não essenciais em diversas cidades pelo país. Nesta segunda fase, foram adicionadas perguntas relacionadas à saúde mental, assédio moral e testagem da Covid-19.

EPIs

O mesmo problema da falta de testagem acontece com o acesso aos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Até junho, metade destes profissionais continuava sem receber os equipamentos: apenas 1.066 trabalhadores da saúde afirmaram ter recebido, mas o índice é menor no Norte (38,2%) e Nordeste (34,6%).

Mesmo entre os profissionais que receberam os EPIs, 23,8% disseram que a qualidade do material era baixa ou péssima. Outros 22,8% consideraram excelente, e 53,6% avaliaram terem recebido um bom material de proteção.

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Treinamento

Apenas um a cada três profissionais da saúde afirma ter recebido treinamento para atuar na linha de frente da Covid-19. Nas regiões Norte e no Nordeste, os índices são menores, de 26% e 18,4%, respectivamente.

Contudo, os pesquisadores indicam que o nível de treinamento dos profissionais de saúde aumentou 10%, passando de 21,91% para 32,2%, em relação a essa segunda fase da pesquisa. Os agentes comunitários de saúde e os de endemia são os profissionais menos atendidos em relação aos equipamentos e treinamento, de acordo com os dados coletados.

Saúde mental

Cerca de 30% dos profissionais de saúde afirmaram sofrer práticas de assédio moral durante a pandemia de Covid-19.

Outro dado alarmante que o relatório traz é que 78,2% dos profissionais avaliam que a sua saúde mental piorou devido à pandemia, com um impacto maior entre os profissionais da enfermagem. Em paralelo, apenas 19,6% dizem ter apoio para cuidar da saúde mental.

O índice de agentes comunitários de saúde e de combate à endemia que sente medo da doença chega a 89%, enquanto atinge 83% dos profissionais da enfermagem, 79% dos médicos e 86% dos outros profissionais das equipes ampliadas de saúde.

A porcentagem de profissionais de saúde que relataram ter algum colega que se contaminou com a Covid-19 subiu de 55% para 80% nesta segunda fase da pesquisa.

Veja ainda: Médicos estão entre os profissionais em que os brasileiros mais confiam, aponta Datafolha

Embora haja uma variação entre profissionais e regiões, em média, 70% dos profissionais da saúde não se sentem preparados para lidar com a crise da Covid-19, número bastante expressivo dado o avanço da pandemia.

“Esperávamos encontrar um cenário melhor depois de quatro meses de pandemia, mas a pesquisa mostra que os profissionais de saúde continuam numa situação de vulnerabilidade”, avalia Gabriela Lotta, coordenadora da pesquisa.

Na primeira fase da pesquisa, 64,97% dos profissionais da saúde entrevistados afirmaram não se sentir preparados para lidar com o cenário, o que demonstra que pouca coisa mudou nestes dois meses.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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