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Covid-19 e a progressão de sintomas

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Embora a maioria das pessoas infectadas pelo SARS-CoV-2 apresente doença leve ou assintomática, aproximadamente 20% têm progressão para Covid-19 moderada. A piora clínica tipicamente acontece após a primeira semana de sintomas, mas algumas pessoas evoluem precocemente com gravidade.

Estudos mostraram uma média de 14,5 dias, do início dos sintomas até intubação, e de 4 a 5 dias, da intubação ao óbito em pacientes graves com Covid-19, mas não há trabalhos analisando com profundidade a relação entre o tempo decorrido entre o início de sintomas e a piora clínica.

Um estudo mexicano procurou estudar a progressão de sintomas como marcador de agressividade da doença, usando o tempo entre o início dos sintomas e progressão para suspeita clínica de Covid-19 (PISYCS), para determinar o risco de doença grave e mortalidade.

Estudo mexicano analisa a progressão de Covid-19.

Close up female doctor holding a red ribbon as a symbol of AIDS

Estudo sobre progressão de Covid-19

Uma coorte histórica do México, constituída por indivíduos classificados como casos suspeitos de Covid-19 e que procuraram atendimento médico, serviu de base para o estudo, totalizando o registro de 65.000 pacientes.

Foram analisadas características demográficas, comorbidades, história de gestação ou tabagismo, data de início de sintomas e de atendimento médico e presença de pneumonia. Além disso, resultados de testes de RT-PCR para SARS-CoV-2, admissão em unidades de terapia intensiva, necessidade de ventilação mecânica e datas de óbito foram captadas dos registros.

Casos suspeitos de Covid-19 foram definidos como indivíduos com tosse, febre ou cefaleia (pelo menos 2), associados a um ou mais dos seguintes: dificuldade para respirar, dor de garganta, congestão nasal, hiperemia ocular, dor muscular ou articular ou pertencer a um grupo de risco (gestantes, < 5 anos, ≥ 60 anos, hipertensos, diabéticos e indivíduos com câncer ou HIV).

O tempo entre o início de sintomas e a progressão para suspeita clínica de Covid-19 (PISYCS), foi definido como o número de dias entre o surgimento dos sintomas iniciais e a data de procura por atendimento médico, e agrupado em 4 categorias: < 24h, 1-3 dias, 4-7 dias e > 7 dias. Os desfechos primários foram mortalidade e pneumonia, cuja presença foi utilizada como marcador de doença grave.

Resultados

Dentre os 65.500 pacientes, 50,2% eram mulheres, 55,8% tinham nível socioeconômico elevado e 57,7% foram tratados em hospitais públicos. A média de idade foi de 41 anos ± 17 anos. Comorbidades foram frequentes, com 41% dos indivíduos com pelo menos uma condição médica crônica concomitante, sendo as mais comuns: hipertensão arterial sistêmica (17%), obesidade (15,6%) e diabetes (12,8%). Além disso, 9,9% eram tabagistas e 2,3% eram gestantes.

A distribuição em relação ao PISYCS foi a seguinte: 14,89% em < 24h, 43,25% entre 1-3 dias, 31,87% entre 4-7 dias e 9,97% > 7 dias, sem diferença significativa entre os sexos. Um tempo de < 24h foi mais frequente entre pacientes mais velhos (25,7% nos com > 80 anos vs. 15% nos com < 30 anos) e com todas as comorbidades avaliadas, exceto asma e obesidade. Essa tendência se inverteu nos pacientes com PISYCS entre 1-3 dias, mas manteve-se nas outras categorias.

Hospitalização e admissão em unidade de terapia intensiva seguiram tendências semelhantes, sendo maiores quando progrediam para classificação como caso suspeito quando os sintomas estavam presentes em < 24h, com queda nos pacientes em que isso acontecia entre 1-3 dias e com aumento nos dias seguintes. A proporção de necessidade de ventilação mecânica aumentou de forma estável com o tempo: 1,6% quando os sintomas estavam presentes com < 24h, até 2,9% nos com progressão em > 7 dias.

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Em relação à mortalidade e pneumonia, a distribuição da curva, de acordo com o PISYCS, apresentou um formato de U. A proporção de mortes foi de 5,2% para os com PISYCS < 24h, 2,5% para 1-3 dias, 3,6% para 4-7 dias e 4,1% para > 7 dias. Para pneumonia, essas proporções foram de 22,5%, 14%, 19,5% e 20,6%, respectivamente. Após ajuste, o risco para morte e pneumonia também assumiu esse tipo de distribuição, sendo maior no grupo com progressão < 24h e aumentando gradativamente nos outros dias.

Os autores postulam que esse comportamento de maior gravidade, em casos com progressão rápida de sintomas, pode estar relacionado ao fenômeno de tempestade de citocinas, que parece ter um papel importante na fisiopatogenia de casos graves de Covid-19. Já o risco aumentado de desfecho desfavorável em pacientes com progressão > 4 dias poderia estar associado a fenômenos trombóticos.

Mais estudos são necessários para corroborar os dados e as hipóteses fisiopatológicas levantadas pelos resultados descritos.

Autora:

Referências bibliográficas:

  • Morgenstern-Kaplan D, Buitano-Tang B, Martínez-Gil M, Zaldívar-Pérez Pavón A, Talavera JO (2020) U-shaped-aggressiveness of SARS-CoV-2: Period between initial symptoms and clinical progression to COVID-19 suspicion. A population-based cohort study. PLoS ONE 15(12): e0243268. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0243268

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