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Gravidade da Covid-19 pode estar associada a lesões de pele, segundo pesquisadores

Covid-19: lesões de pele associadas à coagulopatia em pacientes graves

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Em recente research letter publicada em 05 de agosto, no jornal JAMA Dermatology, pesquisadores do NewYork-Presbyterian/Weill Cornell Medical College associaram lesões na pele (erupções cutâneas livedoides e purpúricas) a uma maior probabilidade de doença vascular oclusiva associada à infecção por SARS-CoV-2 (causador da Covid-19).

Os pesquisadores divulgaram uma série de casos em que descrevem sua experiência com quatro pacientes de dois hospitais acadêmicos na cidade de Nova Iorque, Estados Unidos, no período de 13 de março a 3 de abril de 2020. Esses pacientes apresentaram Covid-19 grave confirmada por RT-PCR (reação em cadeia da polimerase com transcrição reversa em tempo real). Além disso, evoluíram com síndrome do desconforto respiratório agudo e necessitaram de ventilação mecânica invasiva. Esses pacientes apresentavam achados cutâneos de livedo racemoso fixo acral e púrpura retiforme, para os quais foi solicitado parecer do serviço de dermatologia.

Leia também: Covid-19: Revista Science publica o maior estudo sobre dispersão da doença no Brasil

Características dos pacientes com Covid-19

Os quatro pacientes, cujas idades variaram de 40 a 80 anos, foram submetidos à biópsia por punção. Os resultados de cada biópsia demonstraram vasculopatia trombogênica pauci-inflamatória envolvendo capilares, vênulas e/ou arteríolas ou pequenas artérias. Três pacientes apresentaram trombose arterial dérmica, semelhante à síndrome antifosfolípide (SAF), sem qualquer confirmação diagnóstica. Todos os quatro pacientes tinham níveis de D-dímero elevados (> 3 microgramas/mL – faixa normal, 0-0,229 microgramas/mL) e suspeita de êmbolo pulmonar em um a cinco dias após o início das manifestações cutâneas. À admissão, todos iniciaram uma dose profilática padrão de terapia anticoagulante. Mesmo assim, todos eles desenvolveram trombose cutânea e uma suspeita clínica de embolia pulmonar, necessitando de anticoagulação terapêutica.

Os pesquisadores descreveram que os pacientes apresentavam elevações marcantes do nível de D-dímero e suspeita de êmbolos pulmonares, sugerindo que esses achados cutâneos podem ser uma pista clínica para um estado trombótico subjacente. As características dos quatro pacientes não foram consistentes com outras condições que predispõem à trombose, incluindo coagulação intravascular disseminada típica ou microangiopatia trombótica, dado o nível normal ou aumentado de fibrinogênio, nível normal de haptoglobina, falta de trombocitopenia grave persistente e ausência de esquistócitos nos resultados de esfregaço de sangue periférico.

Saiba mais: Covid-19 em imunossuprimidos — parte III: como a doença age em pacientes hematológicos?

Limitações

Uma limitação do estudo foi a incapacidade de se confirmar o momento exato do início da erupção cutânea. Além disso, não foram realizados exames de imagem para embolia pulmonar devido aos esforços para minimizar a exposição da equipe. Entretanto, esses achados sugerem que os médicos que cuidam de pacientes com Covid-19 devem estar cientes das lesões de pele (erupções cutâneas livedoides e purpúricas) como manifestações potenciais de um estado hipercoagulável subjacente.

Conclusão

A mensagem final desse artigo é que se esses achados cutâneos forem identificados, uma biópsia de pele deve ser considerada, pois o resultado pode orientar o manejo da anticoagulação. Para os pesquisadores, mesmo na ausência de outros eventos trombóticos, deve-se considerar a consulta à equipe de hematologia, juntamente com o aumento da terapia anticoagulante.

Autora:

Referência bibliográfica:

  • Droesch C, Hoang M, DeSancho M, Lee EJ, Magro C, Harp J. Livedoid and Purpuric Skin Eruptions Associated With Coagulopathy in Severe Covid-19 [published online ahead of print, 2020 Aug 5]. JAMA Dermatol. 2020;10.1001/jamadermatol.2020.2800.

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