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Passados cerca de dois anos do início da pandemia, com mais de 300 milhões de casos confirmados e cerca de 5,5 milhões de óbitos por Covid-19, o acesso a um teste de diagnóstico ainda pode ser um problema em várias regiões do mundo. Esse panorama levanta a possibilidade que esses números oficiais representam, na realidade, apenas uma fração do total de casos existentes. 

A fim de tentar aumentar a disponibilidade e simplicidade dos testes diagnósticos, a indústria laboratorial conseguiu desenvolver e comercializar, em um curto espaço de tempo, testes que pudessem confirmar a Covid-19 na fase aguda, mas que não necessitavam de uma estrutura laboratorial de grande porte para sua execução.  

Dessa forma, centenas de testes rápidos moleculares e de antígeno, muitos dos quais já aprovados junto às principais agências reguladoras mundiais, estão mais acessíveis à população (apesar de uma escassez transitória, frente a uma crescente demanda por esses ensaios, devido à introdução da variante Ômicron). 

Entretanto, para sabermos interpretar seus resultados da melhor forma, é necessário compreendermos as principais características laboratoriais, semelhanças/diferenças entre eles, vantagens/desvantagens do seu uso.

Saiba mais: Covid-19: OPAS/OMS alerta sobre o uso racional de testes de diagnóstico

Teste rápido molecular versus antígeno 

O diagnóstico da infecção pelo SARS-CoV-2 na sua fase aguda pode ser feito tanto por testes de amplificação do ácido nucléico (NAATs) – os chamados testes moleculares – quanto por ensaios para a detecção do antígeno. Ambos estão disponíveis como testes rápidos e, além disso, uma parte destes é aprovada na forma de autotestes em alguns países.  

Os NAATs rápidos, podem usar, por exemplo, a reação em cadeia da polimerase com transcrição reversa (RT-PCR) ou à amplificação isotérmica mediada por loop (LAMP) para a detecção de determinados genes. Eles são capazes de identificar, com alto desempenho analítico, alvos genéticos do SARS-CoV-2 (ex.: gene S, N, E), fornecendo resultados, a depender do teste utilizado, em 13 a 55 minutos. 

Entretanto, devido a sua alta sensibilidade e acurácia, os testes moleculares podem detectar alguns fragmentos do vírus que não são replicantes/infectantes. Dessa forma, esses testes podem permanecer positivos por semanas a meses após a infecção sem, contudo, indicar infecção ativa.  

Já os testes rápidos de antígeno são imunoensaios que utilizam anticorpos específicos do SARS-CoV-2, os quais se ligam a determinadas proteínas (antígenos) da superfície viral, mais comumente a do nucleocapsídeo (N). Por meio de técnicas como a imunocromatografia e a imunofluorescência, a reação do tipo antígeno-anticorpo gera um sinal visual ou fluorescente, entregando um resultado em apenas 10 a 30 minutos. 

Via de regra, embora possuam uma alta especificidade, os testes rápidos de antígeno apresentam uma sensibilidade inferior aos ensaios rápidos moleculares, notadamente em indivíduos com baixas cargas virais ou com vírus não replicante.  

Sua performance é melhor em pacientes sintomáticos com altas cargas virais, podendo permanecer positivos por 5 a 12 dias após o início dos sintomas (o que correlaciona mais adequadamente com o período de transmissibilidade). 

Figura 1: Fisiopatologia e linha do tempo da viremia, antigenemia e resposta imune durante a infecção aguda por SARS-CoV-2 – gráfico adaptado da referência original

Indicações gerais e interpretação dos resultados 

A adequada solicitação e interpretação dos testes rápidos para o diagnóstico e triagem da Covid-19 depende basicamente da indicação clínica e da probabilidade pré-teste de infecção.  

Com relação a probabilidade pré-teste, os pacientes podem ser divididos em três categorias:  

  • Alta probabilidade: indivíduos com sintomas de Covid-19, independentemente da situação vacinal;  
  • Moderada probabilidade: pessoas assintomáticas que tiveram contato próximo com pacientes confirmados, a despeito do status vacinal;  
  • Baixa probabilidade: assintomáticos que foram expostos a situações com potencial risco de transmissão.  

Em pacientes com moderada/alta probabilidade pré-teste, qualquer teste rápido positivo indica a confirmação da infecção. Entretanto, na hipótese de um resultado negativo, especialmente nos casos de alta suspeita clínica e/ou piora do estado geral, um segundo teste rápido ou um NAAT laboratorial deve ser realizado em um intervalo de dois dias, a fim de corroborar o resultado.  

No caso de indivíduos com baixa probabilidade pré-teste, um único teste rápido com resultado negativo torna a Covid-19 improvável. Já um teste positivo, notadamente em pacientes com fraca probabilidade clínica ou em regiões de baixa prevalência da infecção, deve ter o seu resultado confirmado em uma segunda amostra, já que há chance de se tratar de um teste falso positivo. 

De uma maneira geral, nas pessoas que foram expostas ao SARS-CoV-2, a testagem não é de muita utilidade nas primeiras 48 horas após o contato. Devido às baixas cargas virais nessa fase, há a possibilidade de resultados falso-negativos nos testes rápidos.  

Em uma estratégia de um único teste, este deverá ser realizado, em pessoas assintomáticas, em um período de 5 a 7 dias após a exposição. Por outro lado, se utilizada a estratégia de dois testes em série (na qual é indicada na maioria dos testes rápidos para pacientes assintomáticos), um segundo teste deverá ser realizado após 2 dias do primeiro resultado negativo.

Leia também: Covid-19: o que são e o que falta para termos autotestes disponíveis?

Conclusão 

Os testes rápidos cumprem um importantíssimo papel na pandemia, ao permitir, além de uma maior rapidez na entrega dos resultados, um o acesso mais amplo aos testes diagnósticos. Em nosso meio, apesar de termos alguns testes rápidos moleculares aprovados e em uso, a grande disponibilidade ainda é a dos testes rápidos para a detecção do antígeno viral.  

Em geral, os testes rápidos de antígeno apresentam uma boa sensibilidade (inferior aos moleculares), com uma alta especificidade. Entretanto, há uma grande quantidade de testes no mercado, com grande variabilidade em termos de desempenho analítico entre eles.  

Resultados incompatíveis com a clínica e/ou com a probabilidade pré-teste, devem ser interpretados com cautela. Dessa forma, resultados negativos, principalmente em pacientes sintomáticos com moderada/alta probabilidade pré-teste, devem ser confirmados com uma nova amostra. A reavaliação dos resultados por outro teste, em um segundo momento, também é válida no caso de um resultado positivo em paciente com baixa probabilidade pré-teste.

Referências bibliográficas:

 

 

 

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