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Distanciamento social durante a pandemia de Covid-19

Covid-19: Pesquisadores comparam distanciamento social e complicações da doença

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O distanciamento social e a higiene rigorosa parecem ser eficazes na redução da transmissão, mas também podem alterar o curso clínico de Covid-19 em indivíduos infectados, aponta um estudo publicado no Clinical Infectious Diseases, em junho.

No artigo, foi apresentado o caso de um surto que aconteceu em uma base do exército suíço com dois grupos muito semelhantes infectados antes e depois da implementação de medidas rígidas de distanciamento social e higiene (SDHMs). Embora ambos os grupos tenham mostrado evidência de infecção, a taxa de Covid-19 sintomático entre os soldados infectados diferiu significativamente entre os dois grupos e foi muito menor na coorte em que a infecção ocorreu após a implementação dessas medidas.

Os pesquisadores forneceram evidências de que os SDHMs não apenas são eficazes na redução da transmissão, mas também podem alterar o curso clínico de Covid-19 em indivíduos infectados.

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A hipótese levantada é que a diferença na apresentação clínica de indivíduos infectados pode ser devido ao menor inóculo viral durante a infecção ou a um modo alterado de transmissão do vírus. Contudo, mais estudos serão necessários para responder a essa pergunta.

Métodos

Foi estudado prospectivamente um surto de Covid-19 na Suíça entre uma população de 508 soldados predominantemente do sexo masculino com idade mediana de 21 anos. Foram seguidos os números de infecções em dois coortes espacialmente separadas com características basais quase idênticas com síndrome respiratória aguda grave do novo coronavírus antes e após a implementação de distanciamento social rigoroso.

Resultados e conclusões do estudo

Dos 354 soldados infectados antes da implementação do distanciamento social, 30% adoeceram de Covid-19 no grupo 1.

Já no grupo 2, com 154 soldados, nenhum soldado que seguiu as orientações de distanciamento social e higiene rigorosa desenvolveu a Covid-19, mesmo com a detecção do vírus RNA nos anticorpos nasais e específicos para o vírus.

O distanciamento social não só pode retardar a disseminação do novo coronavírus em uma coorte de adultos jovens e saudáveis, mas também pode prevenir o surto da doença enquanto ainda induz uma resposta imunológica e coloniza as vias nasais. O inóculo viral durante a infecção ou modo de transmissão pode ser um fator-chave na determinação do curso clínico de Covid-19.

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Reflexão

Diversos estudos científicos apontam que medidas de distanciamento social têm sido eficazes para reduzir o número de infectados e mortos ou ainda diminuir a sobrecarga dos hospitais.

Em entrevista para a BBC Brasil, Marcelo Gomes, pesquisador em saúde pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e coordenador do InfoGripe, que monitora os casos de Covid-19 e outras síndromes respiratórias, cita como exemplo a relação entre a adesão popular ao distanciamento social e o número de internações por causa da doença.

Nas últimas duas semanas de março no Brasil, havia menos gente nas ruas brasileiras. Em seguida, percebeu-se uma diminuição significativa nas internações e mortes. Semanas depois, o cenário se inverteu e o número de pessoas fora de casa cresceu. Duas semanas depois, a quantidade de gente internada aumentou consideravelmente.

Há ainda impacto no número de óbitos que poderiam ser evitadas. Dois cientistas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) afirmam que uma vida seria salva por minuto ao longo de duas semanas, caso o Brasil mantivesse o patamar de distanciamento social.

Os dados desta afirmativa estão na página Vidas salvas no Brasil pelo isolamento social, que podem ser acessados aqui.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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