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médico segurando a mão de um paciente

Crise álgica no paciente falcêmico: Como manejar?

A doença falciforme é a enfermidade genética de maior prevalência no Brasil, sendo caracterizada pela presença e predomínio da hemoglobina S (HbS), uma hemoglobina mutante. A anemia falciforme é a forma mais comum e grave desta doença, ocorrendo quando a HbS encontra-se em homozigose (SS).

Pacientes portadores desta patologia possuem uma anemia hemolítica crônica, apresentando manifestações clínicas de variados graus, decorrentes do processo de polimerização desta hemoglobina. Isso ocorre pois, quando desoxigenada, a HbS perde sua estrutura quaternária e polimeriza-se, tornando-se insolúvel, alterando a forma da hemácia que passa a assumir uma forma de foice.

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As crises vasoclusivas dolorosas são os episódios agudos mais frequentes e a maior causa de hospitalização dos pacientes falcêmicos, sendo causadas devido à isquemia e hipóxia secundária à obstrução do fluxo sanguíneo pelas hemácias falcizadas. As crises de dor em geral duram de quatro a seis dias, mas podem persistir por semanas e muitas vezes esta é a primeira manifestação da doença falciforme. Dessa forma, é de fundamental importância saber conduzir corretamente o quadro de dor nesses pacientes.

O tratamento das crises álgicas consiste em eliminar os fatores precipitantes, com repouso, boa hidratação (estimular ingesta oral de líquidos; hidratação parenteral se dor moderada a severa) e analgesia adequada. Alguns fatores podem precipitar as crises álgicas, tais como febre, infecção, trauma, desidratação, acidose, hipóxia, exercício físico intenso e exposição ao frio. Deve-se atentar para os possíveis diagnósticos diferenciais que as crises álgicas podem simular, desde celulite, osteomielite, até mesmo quadros inflamatórios abdominais como apendicite e colecistite.

O tratamento ambulatorial baseia-se na escala analógica da dor (figura 1). Frente a uma dor graduada de 1 a 3 deve-se iniciar dipirona de 4/4h, suspendendo-a após 24h sem dor. Para dores graduadas de 3 a 6 é recomendado iniciar dipirona de 4/4h e diclofenaco de 8/8h; se 24h sem dor, o orientação será suspender o diclofenaco, mantendo-se a dipirona 4/4h e, em caso de retorno da dor, retornar diclofenaco e procurar à emergência. Já para as dores graduadas de 6 a 10 deve-se iniciar dipirona 4/4h, alternando com codeína 4/4h, além do diclofenaco de 8/8h; após 24 horas sem dor, a dipirona deve ser suspensa, mantendo-se a codeína de 4/4 horas e o diclofenaco. Após mais de 24 horas sem dor, retirar completamente a codeína, mantendo o diclofenaco, por mais 24 horas. Em caso de retorno da dor, orienta-se retornar o diclofenaco e ir à emergência.

Veja também: ‘Doença falciforme no Brasil’

Vale ressaltar que, na prática médica, a orientação ambulatorial do manejo da dor é individualizada para cada tipo de paciente, levando-se em conta o contexto social em que o mesmo está inserido, o comprometimento com tratamento e grau de entendimento da família. Em alguns casos orienta-se apenas início do tratamento com dipirona regular, recomendando-se procurar a emergência em caso de não melhora em 24h.

Figura 1. Escala Analógica da Dor. Fonte: OMS

Caso o paciente falcêmico procure à emergência devido à crise álgica, o tratamento irá variar de acordo com a graduação da dor do paciente e se o manejo domiciliar  foi feito corretamente, conforme o fluxograma abaixo.

Figura 2. Tratamento na Emergência. Fonte: Ministério da Saúde 2012

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Referências:

  • Doença Falciforme: condutas básicas para tratamento. Ministério da Saúde 2013.
  • Protocolo de Atenção à Saúde – Anemia Falciforme. Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte.

3 Comentários

  1. oi dra , em quanto a hiperhidratação?

  2. Laura Maria Dall'Oglio

    Qual o tempo mínimo de hidratação parenteral para reavaliação de conduta nesses pacientes?

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