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paciente e médico analisando exame

Devemos rastrear câncer de ovário em população assintomática e sem fatores de risco?

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Estima-se que em 2017 tenham sido diagnosticados 22.440 novos casos de câncer de ovário apenas nos Estados Unidos, doença que leva cerca de 14 mil mulheres a óbito anualmente. Esta neoplasia corresponde à 5ª causa mais comum de óbito por câncer em mulheres e é a principal causa de morte por câncer ginecológico em estadunidenses com idade igual ou superior a 45 anos.

A doença é frequentemente assintomática nos estágios iniciais. Os sintomas, quando presentes, são inespecíficos, como dor e distensão abdominal, constipação, fadiga, dor lombar ou alterações urinárias. Isso explica porque a grande maioria das pacientes é diagnosticada em estágios avançados da doença, quando cerca de 60% já apresentam metástases à distância.

A mortalidade varia de acordo com o estágio em que a neoplasia foi diagnosticada: a taxa de sobrevida em 5 anos para pacientes com tumores localizados é de cerca de 92,5% e, para aquelas com tumores metastáticos, 28,9%. O tratamento em geral combina cirurgia e quimioterapia.

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Tendo em vista a alta mortalidade e dificuldade de diagnóstico precoce, pergunta-se: rastrear a população assintomática, sem fatores de risco, para neoplasia de ovário é efetivo para redução da mortalidade por esta doença?

Segundo o US Preventive Services Task Force (USPSTF), a resposta é não. A força tarefa reuniu três grandes estudos que avaliaram o efeito do rastreio anual em mais de 200 mil mulheres assintomáticas, sem história familiar de câncer de mama ou ovário. Nenhum deles mostrou redução estatisticamente significativa da mortalidade por câncer de ovário com a dosagem sérica de CA-125 e ultrassonografia pélvica transvaginal de rotina, sejam isolados ou combinados.

Esses exames, por serem sensíveis e pouco específicos, têm taxas consideráveis de resultados falso-positivos. Como as diretrizes mais atuais recomendam a ressecção cirúrgica do ovário em vez de biópsia para o diagnóstico de neoplasia, um resultado falso-positivo pode expor uma paciente sem câncer a uma ooforectomia desnecessária e às suas possíveis complicações. Isso significa aumentar a morbidade e possivelmente trazer prejuízos psicológicos a essas mulheres, sem nenhum impacto na mortalidade pela doença.

O USPSTF reforça a necessidade de mais estudos para identificar testes de melhor acurácia que permitam o diagnóstico da doença em estágio inicial, minimizando os resultados falso-positivos, permitindo intervenção precoce e efetiva redução da morbi-mortalidade.

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Referências:

  • Screening for Ovarian CancerUS Preventive Services Task Force Recommendation Statement. JAMA. 2018;319(6):588–594. doi:10.1001/jama.2017.21926

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