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criança esperando enfermeira preencher documento sobre sedação pediátrica

Dexmedetomidine oferece menos efeitos adversos que outros sedativos pediátricos?

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A sedação com dexmedetomidina apresenta menor incidência de depressão respiratória e fornece maiores taxas de sucesso na realização de exames do que outros sedativos tradicionais, sem comprometer a segurança, de acordo com o estudo Dexmedetomidine versus other sedatives for non-painful pediatric examinations: A systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials, de Lin e colaboradores.

Os pesquisadores realizaram uma revisão sistemática para comparar as vantagens e desvantagens da dexmedetomidina com outros sedativos para sedação processual em crianças. O artigo foi publicado no Journal of Clinical Anesthesia.

Estudo com dexmedetomidine

A revisão sistemática e metanálise foram preparadas de acordo com a recomendação Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and MetaAnalyses (PRISMA). Os bancos de dados PubMed, Embase, Cochrane Library e o Cochrane Controlled Trials Register para ensaios clínicos prospectivos randomizados (ECR) foram pesquisados.

Foram incluídos:

  • Ensaios clínicos randomizados de sedação processual para crianças menores de 12 anos;
  • Ensaios envolvendo o uso de dexmedetomidina administrada por via intranasal (IN), oral (VO) ou intravenosa (IV) em um grupo de intervenção; outros sedativos como hidrato de cloral, midazolam ou pentobarbital administrados em um grupo controle;
  • Ensaios clínicos randomizados prospectivos publicados em inglês;
  • Resultados que incluíssem incidência de depressão respiratória ou queda da saturação de oxigênio, bradicardia e taxa de sucesso de sedação, tempo de início e tempo de cobertura.

Os termos de pesquisa foram: dexmedetomidina, precedex, agonistas adrenérgicos do receptor alfa-2, agonistas adrenérgicos alfa 2, alfa-agonistas adrenérgicos, agonistas adrenérgicos de receptores alfa 2, hidrato de cloral, pentobarbital, midazolam e sedação.

A incidência de depressão respiratória ou queda de saturação de oxigênio e bradicardia, e as taxas de sucesso da sedação foram analisadas usando um Teste de Análise Sequencial (Trial Sequential Analysis – TSA) para quantificar a confiabilidade estatística dos dados incluídos nessa metanálise.

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Um total de 1486 estudos foram selecionados. Quatorze estudos foram incluídos. Destas publicações, foram excluídos dois estudos retrospectivos, um estudo que relatou crianças com síndrome de Down, um estudo publicado como carta ao editor e um estudo com tamanho de amostra inadequado.

Nove ECR foram considerados elegíveis para a meta-análise final; 1076 pacientes foram analisados; 534 pacientes receberam dexmedetomidina e 542 crianças receberam outros sedativos: hidrato de cloral (304), pentobarbital (139) e midazolam (99). A sedação foi efetuada para realização de exames oftalmológicos, ressonância magnética, tomografia computadorizada, teste de resposta auditiva do tronco cerebral e eletroencefalograma.

As dosagens de sedativos e as formas de administração foram variadas:

  • Dexmedetomidina 2 – 3 μg/kg foi administrada IN, VO ou IV;
  • Hidrato de cloral 50 – 80 mg/kg e pentobarbital 5 mg/kg foram administrados VO;
  • O midazolam foi administrado IV ou VO.

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Resultados

A sedação com dexmedetomidina:

  • Forneceu incidências estatisticamente maiores na realização de exames com menos episódios de queda de saturação de oxigênio do que os outros sedativos [odds ratio (OR) 2,90, intervalo de confiança de 95% (IC 95%): 1,39-6,07, P = 0,005, I2 = 77%; OR 0,29, IC%: 0,15– 0,57, P = 0,0004, I2 = 0%, respectivamente]. Os resultados do TSA mostraram que a curva Z cruzou os limites convencionais e do TSA, e a análise de subgrupos mostrou que a incidência de queda de saturação no grupo dexmedetomidina foi acentuadamente menor do que nos grupos hidrato de cloral ou midazolam (OR 0,3; IC95%: 0,10-0,93, P = 0,04, I2 = 0%; OR 0,05; IC95%: 0,01-0,4, P = 0,004, I2 = 0%), enquanto os eventos respiratórios adversos foram comparáveis entre dexmedetomidina e pentobarbital (OR 0,73; 95 % IC: 0,25-2,17, P = 0,58);
  • Proporcionou taxas de sucesso estatisticamente maiores na conclusão dos exames do que os demais sedativos (OR 2,90; IC95%: 1,39-6,07, P = 0,005, I2 = 77%). No entanto, o resultado do TSA mostrou que a curva Z cruzava o limite convencional, mas não o limite do TSA. Os resultados sugeriram que 1939 pacientes eram necessários para alcançar um resultado confiável. A análise de comparação de subgrupos mostrou que a taxa de sucesso proporcionada pelo midazolam foi significativamente menor do que pela dexmedetomidina (OR 10,04; IC95%: 4,67–21,55, P <0,001, I2 = 0%), que atingiu uma taxa comparável para hidrato de cloral ou pentobarbital [(OR 2,04; IC95%: 0,98–4,21, P = 0,06, I2 = 57%) e (OR 0,91; IC95%: 0,48–1,72, P = 0,76), respectivamente].
  • Foi associada a uma incidência significativamente maior de bradicardia do que os outros sedativos (OR 4,95; IC 95%: 2,06-11,89, P = 0,0004, I2 = 0%). O resultado do TSA mostrou que a curva Z cruzava o limite convencional, mas não o limite do TSA; seriam necessários 1796 casos para obter um resultado confiável. A análise do subgrupo mostrou que a incidência de bradicardia foi significativamente maior no grupo de dexmedetomidina do que no grupo de hidrato de cloral (OR 5,14; IC 95%: 1,97–13,37, P = 0,0008, I2 = 0%), enquanto a incidência de bradicardia foi comparável entre dexmedetomidina e pentobarbital (OR 4,06; IC 95%: 0,45-36,78, P = 0,21);
  • Mostrou tempo de início significativamente mais rápido e menor tempo de recuperação do que os outros sedativos na meta-análise atual (diferenças médias ponderadas -3,90; IC95%: -7,68 a -0,12, P = 0,04, I2 = 95%).

O estudo não foi isento de limitações. Os artigos incluídos não investigaram as crianças em condições graves e os resultados não podem ser aplicados para exames e procedimentos dolorosos. Além disso, embora as incidências de depressão respiratória/queda de saturação de oxigênio não tenham sido o resultado primário do estudo, a análise da TSA mostrou que havia evidências suficientes para concluir que a sedação com dexmedetomidina está associada a uma segurança respiratória significativamente maior do que o hidrato de cloral, pentobarbital e midazolam para procedimentos pediátricos não dolorosos.

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Na prática

Esta meta-análise mostra, portanto, que a sedação com dexmedetomidina tem menor incidência de depressão respiratória e proporciona maiores taxas de sucesso na conclusão de exames do que outros sedativos tradicionais sem comprometer a segurança.

No Brasil, nem o hidrato de cloral nem o pentobarbital possuem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

Autor:

Referências bibliográficas:

  • LIN, Y. et al. Dexmedetomidine versus other sedatives for non-painful pediatric examinations: A systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. J Clin Anesth. v.62, p.109736, 2020 doi:10.1016/j.jclinane.2020.109736
  • AGÊNCIA NACIONAL DE VIGIL NCIA SANITÁRIA. Consultas. Disponível em https://consultas.anvisa.gov.br/#/medicamentos/ Acesso em: 18 de fev. 2020

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