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Dia das Mães: 5 práticas que médicos devem abolir em obstetrícia – Choosing Wisely

Tempo de leitura: 2 minutos.

O Choosing Wisely é uma campanha da American Board of Internal Medicine cujo objetivo é questionar práticas comumente adotadas, a fim de reduzir o número de testes e tratamentos desnecessários no cuidado em saúde. Em maio deste ano, foi lançada uma atualização do documento, com a adição de cinco novos tópicos que integram o documento “15 coisas que os médicos e pacientes devem questionar” em parceria com a Society of Fetal-Maternal Medicine. Em comemoração ao Dia das Mães, preparamos este artigo especial com as cinco práticas que o médico e o obstetra devem parar de realizar para garantir uma maternidade segura à paciente.

Confira os itens adicionados:

1. Não recomendar investigação diagnóstica após identificação de foco ecogênico intracardíaco ou cisto de plexo coroide isolados em ultrassonografia obstétrica em gestantes com baixo risco para aneuploidias

Tanto o foco ecogênico intracardíaco quanto o cisto de plexo coroide são considerados marcadores menores para aneuploidias. No entanto, quando encontrados isoladamente em pacientes com rastreio negativo para aneuploidias no 1º ou 2º trimestres não demandam investigação adicional.

2. Não fazer medidas seriadas do comprimento do colo uterino após cerclagem

Apesar de o encurtamento progressivo do colo após a cerclagem aumentar o risco de parto pré-termo, não há dados consistentes na literatura que comprovem o benefício desta prática após o procedimento. Tanto o comprimento total quanto o comprimento do colo abaixo da sutura não se correlacionam bem com desfechos adversos. Além disso, não há tratamento adicional para o colo curto após a cerclagem.

3. Não testar mulheres para mutações da MTHFR

Mutações no gene da MTHFR estão associadas a uma redução leve da atividade da enzima, o que causa redução dos níveis de folato, este último considerado fator de risco para hiperhomocisteinemia. Embora a hiperhomocisteinemia seja considerada um fator de risco para doença cardiovascular e trombose venosa, sua causa é multifatorial e independe do genótipo da MTHFR, mesmo em indivíduos homozigotos.

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Embora alguns estudos (maioria caso controle) inicialmente tenham associado esta mutação a desfechos adversos, estudos mais recentes e de maior peso não demonstraram o mesmo resultado. Dessa forma, devido à falta de evidência associando esta mutação a trombose, perda gestacional recorrente ou qualquer outro desfecho adverso, a pesquisa da mutação da MTHFR não deve ser solicitada como parte da investigação para trombofilias.

4. Não rastrear mulheres assintomáticas para hipotireoidismo subclínico

O hipotireoidismo subclínico é definido como elevação do TSH na presença de T4 livre normal, estando presente em 2 a 5% das gestantes saudáveis. Dificilmente o hipotireoidismo subclínico evolui para franco hipotireoidismo na gestação. Como o tratamento da forma subclínica não resultou em melhores desfechos, o rastreio não está indicado para pacientes assintomáticas.

5. Não utilizar a medida do índice de líquido amniótico (ILA) para diagnóstico de oligodramnia no terceiro trimestre

O volume de líquido amniótico pode ser aferido tanto pelo ILA quanto pela medida do maior bolsão vertical (MBV). O diagnóstico de oligodramnia baseado em um ILA menor que 5 cm foi associado a um maior número de intervenções obstétricas sem que houvesse melhora significativa dos desfechos perinatais, quando em comparação com o uso do critério de MBV menor que 2 cm.

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