Dia Mundial da Obesidade: quais os principais riscos cardiovasculares desse paciente? [podcast]

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No último dia 4, foi comemorado o Dia Mundial da Obesidade. Por isso, durante todo o mês de março estamos fazendo uma série de podcasts sobre a doença, cada semana com uma especialidade diferente. Começamos com a abordagem principal, de endocrinologia, e, hoje, o cardiologista Ronaldo Gismondi desta os principais riscos cardiovasculares no paciente obeso. Confira:

Ouça também: Dia Mundial da Obesidade: o que não pode passar na abordagem endocrinológica?

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médico olhando eletrocardiograma de paciente com obesidade

Transcrição do podcast

Olá a todos. Em mais um podcast sobre o Dia Mundial da Obesidade, hoje, eu, Ronaldo Gismondi, cardiologista, editor médico do Portal da PEBMED vou conversar com vocês um pouquinho dos aspectos cardiovasculares da obesidade.

Só para vocês terem uma ideia, a doença cardiovascular, hoje, é a que mais mata no mundo, em qualquer região do planeta. E a principal causa de doença cardiovascular é a aterosclerose. Ela se manifesta como infarto, como AVC e como insuficiência cardíaca em sobrevivente do infarto.

Essa aterosclerose está ligada a fatores, alguns dos quais a gente tem pouco o que fazer: sexo, idade e histórico familiar. Porém, há um outro grupo de fatores que determina a aterosclerose sobre os quais a gente é capaz, como: exercício, alimentação e medicação, mudar a história natural. Então: hipertensão, tabagismo, dislipidemia, diabetes, obesidade e sedentarismo são alguns desses exemplos.

A obesidade tem um destaque importante. Só para vocês terem ideia, quando a gente leva em consideração apenas obesidade abdominal, aquela centrípeta, que é a que faz mais mal, o aumento no risco de infarto chega a 62% e de AVC em 44%, apenas pela medida da obesidade abdominal. Existe uma relação direta entre o índice de massa corporal e a ocorrência de hipertensão, diabetes, dislipidemia e, com isso, mais aterosclerose.

Além disso, se a pessoa perde peso também há uma relação direta entre perder peso e reduzir esse risco. O risco da obesidade está relacionado a um fenômeno direto, então, o obeso, a pressão sobe, o perfil glicídico piora, o perfil lipídico piora e isso faz doença cardiovascular. Mas também é uma ação indireta onde citocinas produzidas pelo adipócito causam disfunção endotelial e maior inflação. E isso aumenta o risco.

Quando você pega trabalhos que analisam pessoas que fizeram o tratamento da obesidade, e a gente aqui fala muito do tratamento cirúrgico, que acaba sendo mais eficaz, o tratamento da obesidade melhora a pressão arterial, melhora o perfil glicídico, melhora a questão do diabetes. E, com isso, reduz o burden de aterosclerose. Existem vários trabalhos mostrando a eficácia do tratamento da obesidade e essa eficácia é maior por tratamento cirúrgico.

Há vários tipos de cirurgia, a gente vai ter a oportunidade de conversar sobre isso a frente. Existe desde a gastroplastia, em que você reduz o volume do estômago, até a gastroplastia associada a algum tipo de bypass, em que você reduz a área absortiva. Quanto maior o bypass que você faz, mais eficaz a perda de peso, portanto, maior redução da PA e do diabetes. Porém, a gente passa a correr um risco de ter muita desabsorção e aí você nem sempre fica com a saúde muito boa.

Então, o que a gente tem, hoje, para o coração é o seguinte: se você faz uma cirurgia bariátrica ou metabólica, o Gateway Trial foi um ensaio clínico que comparou o tratamento clínico versus um bypass gástrico. E mostrou que os doentes que fizeram bypass reduziram mais a pressão arterial, para ter uma ideia, a taxa de 46% de hipertensos pela MAPA, que é uma forma muito rígida de medir a PA, ficou zerado depois que os doentes operaram. Há um risco perioperatório de FA, TVP e TEP. Mas esse risco é pequeno frente ao benefício de longo prazo.

Então, quando você pega outros estudos em que olham metanálises, por exemplo, tem um estudo que fala que depois de uma cirurgia bariátrica, você reduz em 29% o risco de ter uma FA. Um clássico estudo que saiu no JAMA em 2012 mostrou que você reduz em 46% o risco de evento cardiovascular, AVC, infarto ou morte. E da mesma forma, também no JAMA, um outro trabalho mostrando uma redução no risco de insuficiência cardíaca.

Então, hoje, a mensagem prática: o obeso, ele tem uma ação direta, fica mais hipertenso, mais diabético, mais dislipidêmico. E, portanto, ele tem mais aterosclerose, mais risco de AVC e infarto, de morrer do coração, ele também tem disfunção endotelial e inflamação. E a perda de peso tem benefícios enormes, prestem atenção, é perder peso, não precisa normalizar, perdendo 10 kg já é um bom começo. E essa perda de peso melhora direta e indiretamente a saúde cardiovascular, estando, inclusive, comprovado em trabalhos. Sendo que a cirurgia parece ser, dos tratamentos da obesidade, aquele com maior potencial de benefício cardiológico. Obrigado. Não deixe de acompanhar o nosso Portal e seguir a gente nas redes sociais.

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