Página Principal > Colunistas > Dia Mundial de Combate à Tuberculose: a prevenção como solução
tuberculose

Dia Mundial de Combate à Tuberculose: a prevenção como solução

Tempo de leitura: 2 minutos.

Neste domingo, 24 de março, é comemorado o Dia Mundial de Combate à Tuberculose. A importância da tuberculose é reconhecida mundialmente, especialmente no Brasil e em outros países em desenvolvimento devido à alta taxa de mortalidade, a qual supera qualquer outra doença infecciosa. A maioria dos casos de tuberculose ocorre em pessoa sem infecção pelo vírus da imunodeficiência adquirida (HIV).

Por vários anos, assumiu-se que o diagnóstico e tratamento efetivos dos pacientes sintomáticos seriam suficientes para o controle da tuberculose. Porém, diferentes estudos tem demonstrado que embora os programas de controle da tuberculose resultaram em reduções custo-efetivas na mortalidade, esses esforços não tiveram efeitos detectáveis na incidência global da doença.

Portanto, é atualmente consensual o conceito de que os alvos globais ambiciosos para controle da epidemia de tuberculose serão atingidos com sucesso somente com investimentos em intervenções especificas para a prevenção da tuberculose. A terapia preventiva (por exemplo, o tratamento da infecção latente assintomática) é altamente efetiva, especialmente em pessoas vivendo com o HIV, reduzindo o risco de morte em 1/3, com ou sem o uso da terapia antirretroviral concomitantemente. Por outro lado, os esquemas de tratamento preventivos requerem meses de medicação, o que pode comprometer a adesão e a aceitação.

Leia maisBedaquilina: Anvisa aprova novo medicamento contra tuberculose

Um estudo recente realizado por Swindells e colaboradores (2019) relata os resultados de um ensaio clínico multicêntrico internacional (fase 3), com 3 mil pacientes, que objetivava comparar a terapia diária de (A) um mês de isoniazida com rifapentina, com (B) nove meses de monoterapia com isoniazida para prevenção da tuberculose ativa e morte em pacientes portadores de HIV.

O regime de um mês não foi inferior ao esquema tradicional com isoniazida por nove meses, e apresentou menores taxas de efeitos adversos. Tais resultados ressaltam que a tuberculose pode ser efetivamente prevenida com regime de um mês da associação de isoniazida com rifapentina. Um possível impedimento para a implementação do esquema com rifapentina seria o alto custo da droga. Novos estudos são necessários em populações HIV-negativas.

Adicionalmente, é importante lembrar que outras medidas preventivas são igualmente necessárias para maior alcance e efetividade dos programas de controle de tuberculose, dentre elas:

  • Maior cobertura no rastreio de contactantes potencialmente infectados;
  • Métodos diagnósticos para a detecção de infecção por Mycobacterium tuberculosis em assintomáticos;
  • Estratégias para a maior adesão à terapia preventiva;
  • Intervenções para a melhoria das condições socioeconômicas e de acesso aos serviços de saúde de populações carentes.

É médico e quer ser colunista do Portal da PEBMED? Inscreva-se aqui!

Autor:

Referências:

  1. Saunders MJ, Evans CA. Ending Tuberculosis through Prevention. N Engl J Med. 2019 Mar 14;380(11):1073-1074.
  2. Swindells S, Ramchandani R, Gupta A, Benson CA, Leon-Cruz J, Mwelase N, Jean Juste MA, Lama JR, Valencia J, Omoz-Oarhe A, Supparatpinyo K, Masheto G, Mohapi L, da Silva Escada RO, Mawlana S, Banda P, Severe P, Hakim J, Kanyama C, Langat D, Moran L, Andersen J, Fletcher CV, Nuermberger E, Chaisson RE; BRIEF TB/A5279 Study Team. One Month of Rifapentine plus Isoniazid to Prevent HIV-Related Tuberculosis. N Engl J Med. 2019 Mar 14;380(11):1001-1011.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.



Esse site utiliza cookies. Para saber mais sobre como usamos cookies, consulte nossa política.