Página Principal > Colunistas > Diabetes: saiba o que mudou na assistência pré-natal de gestantes
epilepsia

Diabetes: saiba o que mudou na assistência pré-natal de gestantes

Tempo de leitura: 2 minutos.

O diabetes pré-gestacional está associado a uma série de complicações materno-fetais, cuja gravidade é diretamente proporcional ao descontrole glicêmico. Por esse motivo, a assistência pré-natal a mães diabéticas tem suas particularidades, que serão revistas neste artigo baseado nas atualizações do ACOG de dezembro de 2018.

Avaliação no primeiro trimestre

Caso a gestante não possua avaliação laboratorial recente, além da rotina pré-natal, devem ser solicitados dosagem da concentração de hemoglobina glicada, TSH, urina de 24h e eletrocardiograma. É desejável que ela seja submetida a avaliação por oftalmologista e nutricionista, podendo também incluir endocrinologista, cardiologista e nefrologista caso necessário.

A ultrassonografia de primeiro trimestre é importante tanto para demonstrar a viabilidade fetal quanto para estimar mais precisamente a idade gestacional.

Os níveis glicêmicos devem ser revistos a cada uma ou duas semanas para avaliar a necessidade ou de ajuste da terapia medicamentosa. Em gestantes com ótimo controle glicêmico, esse intervalo pode ser aumentado.

No segundo trimestre

Já está bem estabelecido que mulheres com diabetes mal controlado e hipertensão tem risco aumentado de desenvolver pré-eclâmpsia. Por esse motivo, é recomendado iniciar AAS em baixa dose entre 12-28 semanas de gestação (preferencialmente antes da 16ª semana), devendo ser mantido até o parto.

A avaliação fetal deve ser realizada pelo USG morfológico de rotina (entre 20-24 semanas). Em função do risco aumentado de cardiopatia complexa, deve-se considerar a solicitação de ecocardiografia fetal quando a morfologia cardíaca não puder ser bem avaliada ou em pacientes com HbA1c elevada.

Leia mais: Confira tudo sobre terapia medicamentosa em gestantes com diabetes

A partir de 24-28 semanas, os níveis glicêmicos tendem a se alterar devido ao aumento da resistência insulínica e devem ser revistos semanalmente ou em intervalos individualizados até o nascimento.

Terceiro trimestre e interrupção da gestação

É importante a realização de USG obstétrico para avaliação do crescimento fetal, em função do risco de macrossomia, por volta da 34ª semana. A avaliação do bem estar fetal por meio de cardiotocografia anteparto, avaliação do índice de liquido amniótico ou perfil biofísico fetal completo deve ser realizada a partir de 32 semanas, uma a duas vezes na semana, até o nascimento.

A incidência de distócia de ombros é maior em mães diabéticas, mesmo com peso fetal estimado adequado para a idade gestacional. O nascimento por cesariana eletiva deve ser considerado para fetos de mães diabéticas com peso estimado de 4500 g ao USG de terceiro trimestre.

Em pacientes com bom controle glicêmico, sem evidência de vasculopatia, a interrupção da gestação deve ser programada entre 39 semanas e 39 semanas + seis dias. A via de parto é obstétrica. Já nas diabéticas mal controladas ou com complicações vasculares, a interrupção deve ser considerada entre 36 e 38 semanas e seis dias, podendo ser antecipada ainda mais em casos muito graves.

É médico e também quer ser colunista do Portal da PEBMED? Inscreva-se aqui!

Autor:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.



Esse site utiliza cookies. Para saber mais sobre como usamos cookies, consulte nossa política.