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Os ciclos menstruais estão presentes nas mulheres de forma fisiológica. Mas seus efeitos muitas vezes não permitem que elas tenham uma vida tão “fisiológica” assim. Atualmente as mulheres têm experimentado mais ciclos menstruais que suas antepassadas, assim como um número menor de gestações que nossas avós. Um estudo de 1999 na Holanda mostrou que 72% das mulheres querem menstruar menos de uma vez ao mês ou até mesmo não queriam menstruar nunca.

Leia também: Saiba como diagnosticar e manejar pacientes com dismenorreia primária

Mulher sofre com disfunção menstrual.

Estudo recente sobre disfunção menstrual

O tema disfunção menstrual foi novamente visitado por um estudo finlandês publicado em setembro de 2020, onde os pesquisadores investigaram numa coorte de adolescentes entre 14 a 16 anos num primeiro momento e depois no segundo período as mesmas pessoas entre 18 a 20 anos de idade, atletas e não atletas, quais suas percepções frente aos distúrbios menstruais e o desejo de mudanças em seu peso corporal. Ainda pesquisaram as diferenças nas atletas eumenorreicas e com distúrbios menstruais.

Achados

Entre os achados mais interessantes, observaram que entre as atletas praticantes de diferentes modalidades, a amenorreia era mais comum que as não atletas. Também, de forma interessante observaram que os distúrbios menstruais (oligomenorreia ou amenorreia) foram mais frequentes também nas idades mais avançadas (18 a 20 anos) nas atletas. Isso nos faz pensar que a atividade física intensa pode não ser uma boa opção para melhora dos transtornos menstruais nem na adolescência ou nas jovens mulheres. O benefício talvez esteja na atividade física moderada e coordenada por um preparador físico e um ginecologista.

Um achado relevante foi a percepção corporal das moças e mulheres. Entre as atletas havia satisfação com o peso corporal tanto na adolescência como na idade de 18 a 20 anos sem desejo de perda.

O único fator relevante longitudinal, nos questionários, determinante para o desenvolvimento de distúrbios menstruais nas adultas jovens foi a presença dos transtornos menstruais na adolescência. Assim, observando uma adolescente com problemas menstruais podemos estar frente a uma futura mulher com dismenorreia, oligo ou até amenorreia.

Saiba mais: Como rastrear coagulopatias em adolescentes com sangramento uterino?

Limitações e conclusão

Alguns limitantes para o estudo foram que as queixas foram referidas através de questionários. Assim as tabulações de dados eram baseadas em respostas, não podendo ser confrontadas com resultados de exames complementares. As queixas menstruais eram dentro do período retrospectivo de 12 meses, não sabendo-se como eram os ciclos menstruais antes disso, podendo haver períodos de oligo-amenorreia confundidores. Também não se avaliou a composição corporal para garantir a satisfação das mulheres. Se o percentual de gordura flutuasse sem mudança no peso corporal final ela manteria a mesma avaliação sobre seu peso? Por fim não questionaram os hábitos alimentares, ou dietéticos restritivos sobre as queixas menstruais, podendo ser um fator confusão.

A conclusão importante é que atletas do sexo feminino que apresentem transtornos de seus ciclos menstruais precisam ser bem orientadas e tratadas para evitar a manutenção dessas queixas inconvenientes que podem acompanhar essa mulher por toda a menacme.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Ravi S, et al. Menstrual dysfunction and body weight dissatisfaction among Finnish young athletes and non‐ Scandinavian Journal of Medicine & Science in Sports. 2020. doi: 10.1111/sms.13838
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