Doença de Chagas: transmissão oral

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A Doença de Chagas é uma doença negligenciada causada pelo Trypanosoma cruzi que afeta cerca de 6 milhões de pessoas no mundo. A maior parte das mortes está relacionada a complicações decorrentes de doença cardíaca crônica.

O objetivo do tratamento é, por meio da erradicação do parasita, evitar o desenvolvimento de cardiopatias e outros comprometimentos orgânicos. Assim, deve ser realizado na fase aguda da doença.

A Doença de Chagas aguda resulta da inoculação na pele ou mucosa (transmissão vetorial) ou ingesta em água ou comida contaminadas (transmissão oral) por fezes de triatomíneos contaminadas com T. cruzi. Atualmente, a transmissão oral é a principal forma de contágio no Brasil, ocorrendo frequentemente em surtos. Entretanto, a ausência de sinais inflamatórios locais no momento da infecção dificulta o diagnóstico e tratamento em tempo oportuno.

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Estudos prévios mostram uma taxa de mortalidade de aproximadamente 0,5% em casos de Doença de Chagas aguda com transmissão vetorial, principalmente devido a miocardite e encefalite. Contudo, informações sobre a evolução de casos transmitidos por via oral são escassas. Uma revisão sistemática com meta-análise em relação a estimativas de mortalidade em casos de Chagas agudo transmitidos por via oral com 1 ano de seguimento busca aumentar o conhecimento nessa área.

  A Doença de Chagas é uma doença negligenciada causada pelo Trypanosoma cruzi

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Materiais e métodos

Foram incluídos na meta-análise estudos observacionais e relatos de caso descrevendo Doença de Chagas aguda por transmissão oral publicados em português, espanhol ou inglês, de 1968 a janeiro de 2018. Dados governamentais brasileiros não publicados também foram incluídos na análise. Trabalhos sem dados sobre morbidade e mortalidade foram excluídos. Somente estudos com pacientes com Doença de Chagas agudo confirmado por métodos parasitológicos diretos, sorologia IgM ou xenodiagnóstico.

Resultados

Foram encontrados 41 estudos relatando 1.538 casos de Doença de Chagas agudo transmitidos por via oral. Além disso, 932 casos não publicados foram obtidos por meio de dados governamentais, o que resultou em dados de 2.470 casos, dos quais 97 resultaram em óbito. Em 21% dos casos, a fonte de contaminação foi relatada.

Todos os casos de transmissão oral ocorreram na América Latina, sendo o Brasil o país com maior número de casos (n = 2. 042). Os outros países com casos relatados foram Venezuela (n = 134), Colômbia (n= 92), Bolívia (n = 14) e Guiana Francesa (n = 8). Apesar de muitos estudos não relatarem a fonte de transmissão, nos em que essa foi relatada, os alimentos mais associados à infecção foram: açaí, caldo de cana, frutos de palmeira, suco de manga, suco de laranja, entre outros.

Na meta-análise, a taxa estimada caso-fatalidade de Doença de Chagas aguda devido à transmissão oral foi 1% em 1 ano de seguimento (IC 95% = 0,0 – 4,0%). Para casos de transmissão vetorial ou por outras formas, a letalidade estimada foi de 2,4% e 1,4%, respectivamente. Para todas as formas de transmissão, a taxa de caso-fatalidade estimada foi de 1,0% (IC 95% = 0,1 – 3,0%), mas os estudos foram considerados moderadamente heterogêneos entre si.

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Quando os dados foram analisados de forma separada por tempo (até 2008 vs. depois de 2008), as taxas de caso-fatalidade foram de 3% (IC 95% = 0 – 8%) e de 0% (IC 95% = 0 – 1%), respectivamente, indicado uma redução estatisticamente significativa na letalidade da doença transmitida por via oral ao longo dos anos, o que coincide com a implementação de medidas governamentais para aumento do reconhecimento da Doença de Chagas aguda.

Mensagens práticas

  • A letalidade no primeiro ano da Doença de Chagas aguda por transmissão oral é semelhante à de outras formas de transmissão.
  • Alimentos como açaí, caldo de cana e suco de frutas locais foram os mais associados à transmissão e medidas que visem ao controle no processamento desses alimentos podem ajudar a reduzir as taxas de transmissão.
  • Atualmente, o tratamento recomendado para Doença de Chagas aguda é o uso de benznidazol 5 mg/kg/dia, 1 a 3x/dia, por 60 dias.

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Referências bibliográficas

  • Bruneto, EG, Fernandes-Silva, MM, Toledo-Cornell, C, Martins, S, Ferreira, JMB, Côrrea, VR, Costa, JM, Pinto, AYN, Souza, DSM, Pinto, MCG, Neto, JAF, Ramos Jr., NA, Maguire, JH, Silvestre, OM. Case-fatality from orally-transmitted acute Chagas disease: a systematic review and metanalysis. Clin Infec Dis Mar 2021, 71(6):1084-1092. DOI: 10.1093/cid/ciaa1148
  • Ministério da Saúde (BR). Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas Doença de Chagas – Relatório de Recomendações 2018. Disponível em: http://conitec.gov.br/images/Protocolos/Relatorio_PCDT_Doenca_de_Chagas.pdf

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