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Doença meningocócica: onde estamos?

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A doença meningocócica invasiva é uma complicação rara, mas potencialmente fatal da colonização da orofaringe por Neisseria meningitidis. Avanços vêm sendo feitos em relação à sua prevenção, com o desenvolvimento de novas vacinas e a recomendação de quimioprofilaxia para contactantes.

Doença meningocócica

N. meningitidis é um diplococo Gram-negativo, encapsulado, que é normalmente classificado em sorogrupos conforme antígenos presentes em sua cápsula. Esses mesmos antígenos formam a base para as vacinas atuais, sendo A, B, C, W e Y os sorogrupos de maior importância médica.

O contato com a bactéria mais comumente leva ao estado de carreador assintomático, em que um indivíduo apresenta colonização por N. meningitidis na orofaringe sem sinais de doença. Tais indivíduos podem transmitir a bactéria por meio de secreções respiratórias e são um importante alvo para evitar a disseminação da doença. Estudos têm mostrado que, durante esse período de colonização, cepas de N. meningitidis podem adquirir material genético novo e, com isso, ganharem fatores de virulência que confiram capacidade de causar epidemias.

Em uma pequena proporção de indivíduos, entretanto, esses organismos são capazes de adentrar a corrente sanguínea, causando doença invasiva grave, que pode cursar com meningite ou sepse. As sepses meningocócicas são associadas a grande letalidade e morbidade, frequentemente evoluindo com choque, coagulopatias e disfunção de múltiplos órgãos.

Vacinação

Nos últimos 20 anos, o desenvolvimento de vacinas glicoconjugadas permitiu maior controle da doença. As vacinas conjugadas atualmente disponíveis são mais eficazes do que suas predecessoras polissacarídeas, além de serem capazes de diminuir o estado de carreador assintomático, contribuindo para o controle da cadeia de transmissão.

Atualmente, a vacina conjugada contra o sorogrupo C (meningoC) é ofertada de forma gratuita no SUS, fazendo parte do calendário vacinal de crianças e adolescentes (com doses aos 3 e 5 meses e reforço aos 12 meses e entre 11 e 14 anos). A vacina tetravalente ACWY está disponível nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIEs) para populações específicas consideradas de alto risco, como receptores de transplante de órgãos sólidos ou de medula óssea, pessoas convivendo com HIV, indivíduos com fístula liquórica, DVP ou implante coclear, indivíduos portadores de hemoglobinúria paroxística noturna que irão fazer uso de eculizumabe, entre outros.

De forma interessante, pode-se observar que a vacinação em massa gerou mudanças no perfil epidemiológico da doença meningocócica, com redução na prevalência dos sorogrupos A e C e aumento nos casos causados pelo sorogrupo B. Uma vacina recombinante contra o sorogrupo B está licenciada no Brasil para indivíduos a partir de 3 meses, com esquema vacinal de duas doses, com intervalo de dois meses entre elas, com uma dose de reforço para os menores de 24 meses. Atualmente, a vacina está disponível somente na rede privada.

Mais da autora: Terapia com dolutegravir e lamivudina em pacientes com disfunção renal

Tratamento

O tratamento de doença meningocócica invasiva é baseado principalmente em medidas de suporte e antibioticoterapia. Em especial, é necessário manter alto grau de suspeição para o diagnóstico em casos de choque rapidamente progressivos. Como em outros quadros de sepse bacteriana, atenção especial deve ser dada para adequada reanimação volêmica e manutenção de vias aéreas. Complicações como coagulopatias e manifestações vasculíticas podem ocorrer e gerar importante morbidade.

Ceftriaxona é o antibiótico de primeira escolha, com terapia recomendada por 7 dias. Não há benefício comprovado no uso de corticoide nos casos de meningite meningocócica. Pacientes com suspeita ou com doença meningocócica confirmada devem ser mantidos em precaução respiratória por gotículas nas primeiras 24h de tratamento, o que é realizado com o uso de máscara cirúrgica e com ou uso de quarto privativo ou distância de pelo menos 1 metro para os leitos adjacentes.

Quimioprofilaxia

Além da vacinação, a quimioprofilaxia se constitui outra estratégia de prevenção da doença, estando recomendada em até sete dias após o contato de risco para contatos íntimos e domiciliares e profissionais de saúde expostos a secreções respiratórias sem uso de equipamentos de proteção individual, principalmente na realização de procedimentos como intubação orotraqueal ou aspiração de secreções.

Rifampicina é o fármaco classicamente recomendado (600 mg, 12/12h, por 2 dias em adultos; 20 mg/kg/dose, 12/12h, por 2 dias em crianças; 10 mg/kg/dose em < 1 mês), mas sua falta de disponibilidade pode, por vezes, ser um impedimento. Alternativas incluem ceftriaxona (250 mg, IM, em adultos e 125 mg, IM, em crianças, em dose única) e ciprofloxacino (500 mg, em dose única).

Outras considerações:

  • Profissionais de saúde têm recomendação de vacinação com a vacina meningocócica ACWY;
  • Visitantes da Arábia Saudita durante o Hajj devem apresentar comprovante de vacinação contra doença meningocócica para conseguir realizar a viagem. Aconselhamento individual em relação a outras medidas preventivas ou recomendações e/ou exigências vacinais de outros países podem ser conseguidos por meio de um especialista em Medicina de Viagem.

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