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Vacinas meningocócicas conjugadas no Brasil: intercambialidade e diferentes esquemas de doses

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Tempo de leitura: 4 minutos.

Em 22 de agosto de 2019, a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) emitiram nota técnica conjunta sobre as vacinas meningocócicas conjugadas no Brasil.

Veja os principais itens divulgados nesta nota:

  • No Brasil, a Neisseria meningitidis (NM) é o principal patógeno em casos de meningite bacteriana. A NM é classificada em 12 sorogrupos distintos. Os sorogrupos A, B, C, Y, W e X são os principais responsáveis por praticamente todos os casos da doença;
  • A doença meningocócica (DM) é de rápida evolução. Suas taxas de complicações, sequelas e letalidade são elevadas, o que exige a prevenção através da vacinação;
  • No Brasil, a DM acomete qualquer faixa etária. Metade dos casos notificados ocorrem em crianças com menos de cinco anos de idade, principalmente, no primeiro ano de vida;
  • A vacinação de rotina contra o meningococo C em crianças com menos de quatro anos de idade foi instituída no país em 2010. Desde então, notou-se uma queda relevante na incidência da DM. Em 2018, a incidência de DM foi de cerca de 0,6 casos/100.000 habitantes, havendo variações por região do país e por faixa etária. De acordo com dados obtidos pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) em abril de 2019, foram confirmados 1117 casos de DM em 2018;
  • Infelizmente, as taxas de letalidade da DM no Brasil são elevadas: em torno de 20% considerando-se todos os sorogrupos, podendo atingir 50% em casos de meningococcemia;
  • A vacinação no Brasil, englobando inicialmente somente crianças com menos de 2 anos, não permitiu um impacto precoce nas faixas etárias que não receberam a vacina;
  • O sorogrupo C ainda é o principal sorogrupo causador de doença meningocócica no Brasil. Contudo, houve um predomínio do sorogrupo B em menores de 5 anos, com presença do sorogrupo W em diversos grupos etários, especialmente na região Sul, representando mais de 20% dos casos em alguns estados, em 2018. 

Recomendações atuais das vacinas meningocócicas no Brasil segundo a SBIm e a SBP

A SBIm e a SBP recomendam, preferencialmente, a vacina meningocócica conjugada ACWY (MenACWY) no primeiro ano de vida (com início aos 3 meses de idade) e reforços, sempre que houver possibilidade. Segundo ambas as sociedades, o esquema primário varia de acordo com a vacina usada e com a idade em que é o esquema é iniciado. Uma dose de reforço no segundo ano de vida (entre 12 e 15 meses) está recomendada em todas as situações. 

Considerando a epidemiologia recente da DM no Brasil e, em função da progressiva diminuição dos títulos de anticorpos protetores e da perda da proteção conferida pelas vacinas meningocócicas conjugadas (MenC ou MenACWY), a SBIm e a SBP também aconselham:

  • Doses de reforço entre 5 e 6 anos e aos 11 anos de idade, ou, quando há atraso no início da imunização, com 5 anos de intervalo entre elas;
  • Adultos: a recomendação é restrita em casos de viagens ou surtos ou presença de comorbidades que aumentem o risco para a infecção;
  • Rotina: 2 doses, aos 3 e 5 meses de idade;
  • Reforços: entre 12 e 15 meses, entre 5 e 6 anos e aos 11 anos de idade.

Saiba mais: 

Quais são as vacinas disponíveis no Brasil?

Na nota técnica, a SBIm e a SBP descrevem que existem quatro vacinas meningocócicas conjugadas licenciadas no Brasil (Quadro 1):

A nota técnica enfatiza que o número de doses do esquema vacinal dependerá da vacina escolhida e da idade do início da vacinação. De qualquer forma, em todas as situações, recomenda-se agendar dois reforços com intervalos de cinco anos entre eles para crianças e adolescentes, após o esquema primário completo:

1. Vacina meningocócica conjugada ACWY-CRM – Menveo®:

  • Crianças de 3 a 6 meses de idade: 2 doses, com intervalo de 2 meses entre elas, aos 3 e 5 meses de vida. Reforço aos 12-15 meses. Esquema 2 +1;
  • Crianças de 7 a 23 meses de idade: 2 doses, com a segunda dose administrada no 2º ano de vida e pelo menos 2 meses após a 1ª dose;
  • Crianças com 24 meses de idade ou mais, adolescentes e adultos: 1 dose;
  • Crianças de 2 a 12 meses que viajarão para localidades onde o sorogrupo é endêmico ou portadoras de condições de maior suscetibilidade à DM, como imunocomprometidos, infectados com vírus da imunodeficiência humana (HIV), deficiência de complemento, asplenia funcional ou anatômica e uso de biológicos, como o eculizumabe, que inibem o sistema complemento: o esquema de rotina entre 2 e 6 meses de idade deverá ser 3 + 1;

2. Vacina meningocócica conjugada ACWY-TT – Nimenrix®:

  • Lactentes com mais de 6 semanas de idade: 2 doses, com intervalo de 2 meses entre elas, aos 3 e 5 meses de idade. Reforço aos 12-15 meses. Esquema 2 +1;
  • Crianças com 12 meses de idade ou mais, adolescentes e adultos: 1 dose.

3. Vacina meningocócica conjugada ACWY-D – Menactra®

  • Crianças de 9 a 23 meses de idade: 2 doses, com no mínimo 3 meses de intervalo entre elas;
  • Crianças de 24 meses ou mais, adolescentes e adultos até 55 anos: 1 dose. 

A nota técnica conjunta das SBIm e da SBP destaca também que não há dados de estudos sobre intercambialidade entre as diferentes vacinas meningocócicas conjugadas ACWY nas doses realizadas na primovacinação. Dessa forma, crianças e adolescentes vacinados com a vacina MenC podem apresentar benefícios ao se vacinar com a MenACWY, ampliando a proteção. No entanto, deve-se respeitar um intervalo mínimo de um mês da última aplicação da MenC.

Recomendações atuais das vacinas meningocócicas no Brasil segundo o Ministério da Saúde

Atualmente, o Ministério da Saúde (MS) recomenda a vacina meningocócica C conjugada (MenC) para:

  • Crianças menores de cinco anos (até 4 anos, 11 meses e 29 dias);
  • Adolescentes de 11 a 14 anos.

A recomendação do MS é que sejam aplicadas 3 doses da MenC: aos 3, 5 e 12 meses de idade. No caso de crianças de 1 a 4 anos de idade que não foram vacinadas, o MS recomenda uma dose apenas. Outra recomendação do MS é que seja feito um reforço ou dose única para adolescentes de 11 a 14 anos. 

Para acesso à Nota Técnica Conjunta– SBIm/SBP – 22/08/2019, basta acessar esse link.

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Referências:

 

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