Dor abdominal após diagnóstico de doença inflamatória intestinal

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Em dezembro de 2020, Murphy e colaboradores publicaram um artigo original na revista Journal of Pediatric Gastroenterology and Nutrition analisando a dor abdominal durante o primeiro ano após o diagnóstico de doença inflamatória intestinal (DII) em crianças.

Sabe-se que a dor abdominal é associada a piores desfechos psicológicos e físicos na doença inflamatória intestinal pediátrica, mas estudos anteriores que avaliaram tal sintoma na DII pediátrica apresentaram diversas limitações metodológicas e novos estudos são necessários.

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Dados do estudo

O objetivo desse estudo foi examinar a prevalência, os preditores e o impacto da dor abdominal nos primeiros 12 meses de diagnóstico da DII pediátrica, utilizando dados da rede ImproveCareNow (ICN).

O estudo foi uma coorte retrospectiva realizada com dados de pacientes registrados no ICN de maio de 2007 a janeiro de 2019, com 8 a 18 anos na ocasião do diagnóstico, e com pelo menos uma visita dentro dos 12 primeiros meses do diagnóstico de DII pediátrica.

As medidas avaliadas foram: informações demográficas (idade, sexo, raça, etnia), presença de fatores de risco psicossociais e diagnóstico (doença de Crohn, retocolite ulcerativa e colite indeterminada). A data do diagnóstico foi baseada na data da colonoscopia que confirmou o diagnóstico. 44% dos pacientes eram do sexo feminino e 81% eram caucasianos; quanto ao diagnóstico, 65% tinham diagnóstico de doença de Crohn, 27% de retocolite ulcerativa e 8% de colite indeterminada. Foi feita análise da presença versus a ausência de dor abdominal, limitação nas atividades e piora da qualidade de vida.

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A queixa de dor abdominal decresceu de 56% no primeiro mês para 34% no 12º mês após o diagnóstico. Um subgrupo de 20% relatou dor abdominal em todas as consultas durante os 12 meses. Fatores preditores de dor abdominal durante o primeiro ano após o diagnóstico incluem: maior gravidade de doença, sexo feminino, tempo mais próximo do diagnóstico e presença de risco psicossocial. Apesar do risco geral para dor crônica na adolescência aumentar conforme o aumento da idade, nessa coorte a idade não foi um preditor significante de dor abdominal na DII.

Controlando a gravidade da doença, a dor abdominal foi associada a 9 vezes mais chance de limitação das atividades e a 5 vezes mais chance de piora da qualidade de vida.

Conclusão

Através desse estudo, foi possível constatar que a dor abdominal é prevalente e que causa grande impacto na vida da criança com DII no primeiro ano de diagnóstico, mesmo com a doença controlada. Dessa forma, esforços para rastrear e tratar a dor abdominal devem ser realizados, para que uma melhoria da qualidade de vida e da funcionalidade desses pacientes sejam possíveis.

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Referências bibliográficas:

  • Murphy LK, et al. Abdominal Pain After Pediatric Inflammatory Bowel Disease Diagnosis: Results From the ImproveCareNow Network. Journal of Pediatric Gastroenterology and Nutrition. 2020;71(6):749-754. doi: 10.1097/MPG.0000000000002933
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