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Doutores, como vai o sono do seu paciente com tontura e zumbido?

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A Doença de Ménière é caracterizada por perda auditiva flutuante e progressiva, plenitude auditiva, zumbido e ataques intermitentes de vertigem. Sua fisiopatologia está associada à distensão hidrópica do sistema endolinfático, mas a etiologia dessa hidropsia permanece desconhecida.

Episódios de vertigem, que muitas vezes são acompanhados de náuseas e vômitos, são as características mais proeminentes e incapacitantes da doença. A apresentação da doença de Ménière é altamente variável e seu curso clínico é caracterizado por exacerbação aguda e remissão espontânea.

Diversos estudos já observaram que a oclusão vascular pode contribuir para a fisiopatologia desta doença e, recentemente, achados sugerem que a Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) poderia ser um fator agravante. Achados de insuficiência vertebro-basilar em pacientes com Ménière já foram demonstrados em ultra-sonografia com doppler transcraniano.

Em 2013, uma série de casos de um grupo japonês alertou sobre a possível associação entre Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono e Doença de Ménière, demonstrando dois casos de pacientes com queixas de perda auditiva e zumbido, que apresentaram melhora após uso de CPAP.

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Este mesmo grupo, em 2015, publicou um estudo piloto onde 20 pacientes foram incluídos para avaliação do sono com polissonografia, após de 2 semanas de interrupção da medicação prescrita para Ménière, testes auditivos e de sistema vestibular antes e 6 meses após uso de CPAP. Eles concluíram que a SAOS em pacientes com doença de Ménière exacerba a condição subjacente e que o tratamento da SAOS pode reduzir a morbidade da doença de Ménière e melhorar a qualidade de vida nesses pacientes.

A Laryngoscope publicou em 2016 e, mais recentemente, em agosto de 2017, estudos baseados nos dados demográficos populacionais de Taiwan.

O primeiro, um estudo caso-controle demonstrou que o risco de tinnitus era maior (OR 1.13) em pacientes com distúrbio do sono do que em pacientes sem esta patologia. E de que o risco de tinnitus era ainda maior em pacientes com apneia do sono, em comparação aos que não apresentavam esta condição (OR 1.36).

O segundo, uma coorte retrospectiva, sugere fortemente o risco aumentado de vertigem em pacientes com apneia do sono, em comparação aos que não apresentavam o distúrbio respiratório, independentemente de possíveis fatores confundidores, tais como: trauma crânio-encefálico, diabetes mellitus, hipertensão arterial, acidente vascular encefálico e obesidade.

Portanto, torna-se cada vez mais importante e fundamental a investigação, durante a anamnese, da qualidade do sono do paciente e suas possíveis queixas. O tratamento do distúrbio do sono subjacente pode determinar desfechos promissores de suas queixas iniciais.

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Autora:

Bibliografia:

  • Nakayama M, Kabaya K. Obstructive sleep apnea syndrome as a novel cause for Ménière’s disease. Curr Opin Otolaryngol Head Neck Surg 2013, 21:503–508
  • M Nakayama, A Masuda, KB Ando et al. A Pilot Study on the Efficacy of Continuous Positive Airway Pressure on the Manifestations of Ménière’s Disease in Patients with Concomitant Obstructive Sleep Apnea Syndrome. Journal of Clinical Sleep Medicine, Vol. 11, No. 10, 2015
  • Koo M, Hwang JH. Risk of Tinnitus in Patients With Sleep Apnea: A Nationwide, Population-Based Case Control Study. Laryngoscope.2017 Sep;127(9):2171-2175
  • Tsai MS et al. Sleep apnea and risk of vertigo: A nationwide population-based cohort study. Laryngoscope. 2017 Aug 3

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