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pés de um bebê

Drogas antireoidianas X má formação fetal

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A doença de graves (DG) afeta 0,1% a 1% das mulheres grávidas e se não tratada ou insuficientemente tratada pode resultar em perda gestacional ou sequelas materno-fetais graves, fornecendo uma indicação convincente para a administração de drogas antitireoidianas (ATDs).

Os ATDs propiltiouracil (PTU), metimazol (MMI) e carbimazol são igualmente eficazes para o controle da DG na gestação. No entanto, eles atravessam a placenta e podem causar problemas, particularmente durante a organogênese do primeiro trimestre.

Durante muitos anos, o PTU tem sido preferido no período gestacional devido às preocupações com a teratogenicidade rara, mas bem documentada, associada ao MMI, dentre elas a aplasia cútis, atresia de coanas e atresia de esôfago. No entanto, as preocupações recentes sobre hepatotoxicidade rara, mas potencialmente fatal, do PTU levaram a um reexame do papel do PTU na DG durante a gravidez.

Em 2009, o U.S. Food and Drug Administration recomendou que o PTU seja reservado para os pacientes que estão no primeiro trimestre de gravidez ou alérgicas/intolerantes ao MMI. As diretrizes subsequentes recomendaram PTU no primeiro trimestre e MMI posteriormente.

Mais do autor: ‘Náuseas e vômitos na gravidez: recomendações 2018’

Nesse contexto, um estudo de coorte na Dinamarca informou recentemente que a exposição não só ao MMI, mas também ao PTU no primeiro trimestre foi associada a um odds ratio (OR) de 1,39 vezes maior para malformações congênitas. Além disso, a mudança entre MMI e PTU no início da gravidez não diminuiu o risco de malformações congênitas.

Em busca do manejo seguro desse grupo de pacientes, um artigo publicado em janeiro de 2018 no Annals of Internal Medicine, intitulado “Antithyroid Drugs and Congenital Malformations: A Nationwide Korean Cohort Study”, investigou a associação entre a terapia com ATD durante o primeiro trimestre e o aumento da prevalência de malformações congênitas, usando a base de dados da Segurança Nacional (NHI) da Coréia, que abrange toda a população do país.

Trata-se de uma coorte de 2.886.970 gestações, com recém-nascidos vivos, de 2.210.253 mulheres entre 2008 e 2014. Desta população 12.891 gravidezes (0,45%) foram expostas a ATD durante o primeiro trimestre. A prevalência de malformações fetais foi de 7,27% nas mulheres que receberam ATD, em comparação com 5,94% nas que não receberam ATD durante a gravidez (P <0,001) (odds ratio ajustado, 1,19 [IC 95%, 1,12 a 1,28]).

O aumento absoluto da prevalência de malformações congênitas por 1.000 nascidos vivos foi de 8,81 casos (IC, 3,92 a 13,70 casos) para propiltiouracil sozinho, 17,05 casos (IC, 1,94 a 32,15 casos) para metimazol (MMI) sozinho e 16,53 casos ( CI, 4,73 a 28,32 casos) para propiltiouracil e MMI, em comparação com gestações sem prescrição de ATD. No grupo MMI, uma alta dose cumulativa (> 495 mg) durante o primeiro trimestre foi associada a um risco aumentado de malformações, em comparação com uma dose baixa (1 a 126 mg) (odds ratio ajustado, 1,87 [IC, 1,06 a 3,30]).

Diante disso, a exposição aos ATDs durante o primeiro trimestre foi associada ao aumento do risco de malformações congênitas, em especial para as gestações em que as mulheres receberam prescrições para MMI ou ambos os ATDs.

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