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É possível transmissão via vaginal de câncer para o bebê em mães com neoplasia de colo?

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O câncer de colo uterino ainda é a quarta causa de morte por câncer em mulheres no Brasil. Espera-se redução dos casos com a implementação da vacina para os adolescentes no programa nacional de imunização, porém essa medida só trará resultados a longo prazo. Deve-se sempre orientar às mulheres que realizem o rastreamento regularmente, a fim de prevenir essa patologia com a possibilidade de tratamento das lesões precursoras ou quando já presente o tumor realizar um diagnóstico mais precoce.

Leia também: Vacinação para HPV e risco de câncer cervical invasivo

Transmissão via vaginal de câncer para o bebê em mães com neoplasia de colo

Estudo recente

Artigo publicado no New England Journal of Medicine este mês traz dois relatos de casos de crianças com câncer de pulmão após transmissão de células tumorais de mãe para filho em mulheres com câncer cervical. A descoberta foi incidental, feita através de sequenciamento genético de nova geração realizada de rotina com comparação de tecidos sadios e tumorais em um experimento japonês que envolve pacientes com câncer. Provavelmente por barreira transplacentária e resposta aloimune fetal, é muito rara mas já existe descrição prévia de transmissão vertical de câncer em torno de 1 caso para 500.000 gestantes com câncer, enquanto estima-se que 1 em cada 1.000 nascidos vivos apresentam mães com neoplasia maligna. A diferença é que nos relatos prévios, a provável transmissão de tumores maternos de pele, pulmão, sangue foi via hematogênica transplacentária, levando acometimento cerebral, hepático e outros tecidos nas crianças de até 2 anos. Neste novo estudo, sugere-se a possibilidade de transmissão vaginal em casos de câncer de colo através da exposição a células tumorais que podem ser aspiradas pelo feto no canal de parto.

O primeiro paciente nasceu de parto vaginal com 39 semanas e apresentou aos 23 meses câncer neuroendócrino de pulmão. Sua mãe diagnosticada com carcinoma de células escamosas 3 meses após o parto, foi submetida à histerectomia + linfonodectomia e quimioterapia adjuvante, mas evoluiu com metástase hepática, óssea e pulmonar e revisão de lâmina do tumor mostrou também diferenciação focal neuroendócrina. O segundo paciente nasceu de parto vaginal com 38 semanas e aos 6 anos cursou com adenocarcinoma mucinoso no pulmão esquerdo, incomum tipo de tumor primário neste órgão. Sua mãe no pré-natal apresentou pólipo cervical com citologia negativa e sem aumento do tumor durante gravidez, foi submetida no pós parto a biópsia que revelou adenocarcinoma com histologia compatível ao tumor do filho.

Saiba mais: Novas recomendações para rastreamento para o câncer de colo de útero e vacinação contra o HPV

Ambas crianças são do sexo masculino e apresentaram células tumorais sem cromossomo Y, com presença de genoma de HPV e múltiplas mutações exibidas também nos tumores maternos. Esses dados corroboram a via de transmissão de mãe para filho. E o padrão de crescimento peribrônquico da neoplasia nas crianças sugere contaminação por aspiração de fluidos no canal vaginal contendo células tumorais durante o parto, diferente do padrão neoplásico já descrito anteriormente.

Mensagem prática

Não se pode descartar possibilidade de transmissão de câncer via vaginal para o filho em mulheres com câncer de colo uterino, sendo mais um motivo para recomendar parto cesárea nestes casos.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Arakawa A, Ichikawa H, Kubo T, et al. Vaginal Transmission of Cancer from Mothers with Cervical Cancer to Infants. New England Journal of Medicine. 2021/01/07. doi: 10.1056/NEJMoa2030391

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