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Entenda os riscos da má alimentação para a saúde

Tempo de leitura: 2 minutos.

A alimentação tem grande impacto na saúde, um efeito muitas vezes negligenciado por alguns profissionais de saúde na prática diária. Quantas vezes na consulta você detalha o que seu paciente está comendo? Ou o que ele entende que é saudável? Um estudo recente no Lancet reforça a importância da dieta na saúde. Os autores realizaram uma metanálise de estudos sobre hábitos alimentares, má alimentação, mortalidade e morbidade, esta última medida pelo “disability-adjusted life-years (DALYs)”, um índice que estima o número de dias perdidos em um ano por doença, debilidade ou morte prematura.

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O ponto forte da pesquisa foi uma “peneira” minuciosa, incluindo apenas estudos longitudinais, de 195 países pelo mundo (!!!) e que detalharam as definições de cada nutriente avaliado. A ideia é ter, mais que uma pesquisa, um censo do padrão alimentar nas diferentes regiões do mundo.

Quais hábitos alimentares foram considerados?

Hábito Observação Quantidade “Saudável”
Frutas Não inclui sucos 200-300 g/dia
Vegetais Não inclui legumes ou batata 290-430 g/dia
Legumes 50-70 g/dia
Grãos integrais Inclui “in natura” ou em alimentos como biscoitos e bolos 100-150 g/dia
Amendoim e castanhas 16-25 g/dia
Leite Exclui soja ou os vegetais 350-520 g/dia
Carne vermelha “In natura” ou processada 18-27 g/dia
Bebidas com açúcar Refrigerantes, energéticos e sucos!!! 0-5 g/dia
Fibras Qualquer tipo ou fonte 19-28 g/dia
Sódio Estimado pela urina-24h 1-5 g/dia
Ômega-3 de origem marinha 200-300 g/dia
Gordura polinsaturada Óleos vegetais e de soja 9-13% das calorias/dia
Gordura trans 0-1% das calorias/dia

Vocês estranharam essas quantidades “saudáveis”? Nós também, mas foi assim que o estudo foi feito!

O que eles encontraram?

  • A má alimentação foi responsável por 10 milhões de mortes no mundo ou 22% de todas as mortes, sendo a doença cardiovascular a mais comum. Só para terem uma ideia, é mais do que as mortes estimadas pelo cigarro (8 milhões)!
  • No mundo como um todo, os maus hábitos alimentares com maior impacto na mortalidade foram excesso de sódio e baixo consumo de alimentos integrais e frutas. Por outro lado, os “maus hábitos” mais comuns foram excesso de sódio, excesso de bebidas açucaradas (refrigerantes e cia) e de carne vermelha.
  • As castanhas e amendoins e os grãos integrais são o padrão alimentar que mais precisa melhorar no mundo como um todo.
  • Os locais onde a má alimentação teve maior impacto na mortalidade foram Rússia, ex repúblicas soviéticas, norte da África e Indonésia. Porém, no Japão, Coreia do Sul, Espanha, França e Suíça, o impacto da má alimentação na saúde foi o menor entre os países estudados!
  • De modo regional, as principais observações foram:
  • Nas Américas se come muita carne.
  • América Latina, África subsaariana e sudeste asiático comem bem legumes.
  • No sudeste asiático consome-se bem peixes ricos em ômega-3 marinho.
    • Há boa ingestão de vegetais na região central da Ásia.

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Autor:

Referências:

  • AFSHIN, Ashkan. Health effects of dietary risks in 195 countries, 1990–2017: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2017. DOI:https://doi.org/10.1016/S0140-6736(19)30041-8

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