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Estenose mitral

Epinefrina melhora o desfecho em parada cardíaca extra-hospitalar?

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A epinefrina (adrenalina) tem  efeitos benéficos na parada cardíaca, pois faz constrição de arteríolas mediadas por receptores α-adrenérgicos. Esta ação aumenta a pressão diastólica durante a parada cardiorrespiratória (PCR), melhorando assim o fluxo sanguíneo coronariano  e a chance de um retorno da circulação espontânea. Porém, estudos anteriores não haviam observado, na prática, um desfecho melhor com o uso do neurotransmissor. Para ajudar a elucidar a situação, o Comitê Internacional de Ressuscitação organizou um ensaio clínico controlado para avaliar os efeitos do uso da epinefrina no ambiente extra-hospitalar.

O estudo foi duplo cego, envolvendo 8.014 doentes em parada cardíaca extra-hospitalar no Reino Unido. Paramédicos administraram epinefrina parenteral (4.015 pacientes) ou placebo salina (3.999 pacientes), juntamente com o tratamento padrão. O desfecho primário foi a taxa de sobrevivência aos 30 dias. Desfechos secundários incluíram a taxa de sobrevida até a alta hospitalar com um resultado neurológico favorável, indicado por uma pontuação de 3 ou menos na Escala modificada de Rankin (do intervalo 0 de [sem sintomas] a 6 [morte]).

Leia mais: Tempo de administração de epinefrina em PCR em ritmos não chocáveis: existe relação?

No período de 30 dias, 130 pacientes (3,2%) no grupo da epinefrina e 94 (2,4%) no placebo grupo estavam vivos. Não houve evidência de diferença significativa na proporção de pacientes que sobreviveram até a alta hospitalar com um desfecho neurológico favorável. Um dado que chamou atenção foi que, no momento da alta hospitalar, o comprometimento neurológico grave (uma pontuação de 4 ou 5 na escala modificada de Rankin) ocorreu em mais sobreviventes no grupo epinefrina do que no grupo placebo (39 de 126 pacientes [31.0%] vs. 16 de 90 pacientes [17,8%]).

O estudo concluiu que, em adultos com parada cardíaca extra-hospitalar, o uso de epinefrina resultou em taxa de sobrevida em 30 dias, significativamente maior do que o uso de placebo. Porém, não houve diferença significativa entre os grupos na taxa de resultado neurológico favorável, pois o grupo da epinefrina apresentou mais sobreviventes com comprometimento neurológico grave. As razões pelas quais o uso de epinefrina não melhorou o resultado neurológico neste ensaio são incertas.

Uma explicação é que, embora a epinefrina aumente o fluxo macroscópico de sangue cerebral, ela paradoxalmente prejudica o fluxo microvascular e, portanto, tem  potencial para piorar a lesão cerebral após um retorno espontâneo da circulação. Cabe ressaltar que o estudo teve limitações, dentre elas, o fato de não ter um padrão das doses e intervalos de epinefrina, além de não haver informações sobre o estado neurológico basal dos pacientes pré-PCR.

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Autor:

Dayanna de Oliveira Quintanilha

Médica no Hospital Naval Marcílio Dias ⦁ Residência em Clínica Médica na UFF ⦁ Graduação em Medicina pela UFF ⦁ Contato: dayquintan@hotmail.com

Referências:

  • A Randomized Trial of Epinephrine in Out-of-Hospital Cardiac Arrest. NEJM. Agosto, 2018

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