Página Principal > Cardiologia > ESC 2019: existe benefício em se usar sacubitril-valsartan na ICFEP?
esc 2019

ESC 2019: existe benefício em se usar sacubitril-valsartan na ICFEP?

Tempo de leitura: 2 minutos.

O Portal PEBMED vai trazer as principais novidades do congresso 2019 da ESC 2019, que acontece entre os dias 31 de agosto e 4 de setembro. Confira todos os artigos clicando aqui.

Temos conhecimento, já há vários anos, de que os inibidores da enzima conversora da angiotensina (IECA) significativamente reduzem mortalidade em insuficiência cardíaca (IC) com fração de ejeção (FE) reduzida abaixo de 40% ou menor.

Desde 2014, também temos conhecimento, baseado em evidência com grau de recomendação IA, de que nos casos de pacientes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (40% ou menos) e sintomáticos (NYHA II-IV), o medicamento sacubitril-valsartan (97 mg/103 mg) reduz significativamente o risco de morte. O risco de re-hospitalizações por descompensação dessa doença cardíaca em relação ao tratamento com enalapril (10 mg).

Ou seja, pacientes com IC com FE de 40% ou menos, já em uso de enalapril e ainda sintomáticos têm benefício – com grau de recomendação de evidência IA – em realizar a troca de uso do IECA pelo sacubitril-valsartan (97 mg/103 mg), visando reduzir re-hospitalizações e morte pela IC.

Ontem (01/09/2019), foi publicado um ensaio clínico randomizado no New England Journal of Medicine. Esse estudo comparou dois grupos de tratamento de pacientes portadores de insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (ICFEP). No estudo, considerou-se a ICFEP como sendo IC com FE de 45% ou mais. O estudo teve duração de aproximadamente 30 meses. Um dos grupos utilizou sacubitril 97 mg/valsartan 103 mg duas vezes ao dia, o outro utilizou valsartan 160 mg sozinho, também duas vezes ao dia.

Após o tratamento estatístico dos dados obtidos no estudo, observou-se que não houve diferença estatisticamente significativa entre as duas intervenções farmacológicas.

Esse estudo aponta, portanto, que o benefício de redução de mortalidade e re-hospitalizações, advindo da substituição do IECA pelo sacubitril-valsartan nos pacientes portadores de IC com FE menor do que 40% que ainda se encontram sintomáticos ( NYHA II-IV) mesmo já usando IECA, não se verifica para pacientes que tem IC com fração de ejeção preservada (considerada no estudo com IC com FE de 45% ou mais).

Sacubitril-valsartan, à luz da melhor evidência disponível no momento, só tem indicação de nível IA para pacientes portadores de insuficiência cardíaca com FE reduzida de 40% ou menos que permaneçam sintomáticos mesmo já estando em uso de IECA.

Resta uma faixa de pacientes sintomáticos, aqueles com FE entre 41% e 44%, a qual se pode considerar no momento como uma faixa de “zona cinzenta” quanto a essa intervenção estudada. Devido ao fato de os melhores e mais recentes estudos de qualidade científica que testaram e publicaram essa intervenção não terem-na contemplado.

Mais do ESC 2019:

Autor:

Referências:

  • N Engl J Med 2014;371:993-1004. DOI: 10.1056/NEJMoa1409077
  • N Engl J Med 2019 This article was published on September 1, 2019, at NEJM.org. DOI: 10.1056/NEJMoa1908655

Um comentário

  1. Avatar

    Parabéns pelo belo artigo Dr Felipe. Em cardiologia prudência e evidência caminham juntas. Breve estarei em sua cidade para o congresso da SBC.
    Atenciosamente Cabral

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.



Esse site utiliza cookies. Para saber mais sobre como usamos cookies, consulte nossa política.