Esofagite Eosinofílica: como identificar e tratar

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A frequência dos casos de Esofagite Eosinofílica (EoE) vem aumentando no meio pediátrico. Por esse motivo, na última década, dezenas de novos estudos foram publicados sobre o assunto, mas seu diagnóstico ainda é considerado um desafio, apesar dos inúmeros esforços.

Há evidências que apoiam o conceito de que a EoE ocorre como resultado de interação entre fatores ambientais e predisposição genética. Também sabe-se que há uma importante interação entre esta patologia e a alergia alimentar, pois a maioria dos pacientes apresentam melhora com dietas de exclusão ou de eliminação, o que reforça tal relação.

Tem sido observada com maior prevalência na raça branca e no sexo masculino. Pode acometer indivíduos em qualquer idade, sendo preferencialmente diagnosticada em pacientes em idade escolar, com pico de incidência ao redor dos 10 anos de idade.

A EoE se caracteriza primordialmente pela presença de infiltrado eosinofílico no esôfago, sem comprometimento de outros segmentos do trato gastrointestinal. Tal achado leva a sintomas com dificuldades alimentares, vômitos e sintomas de refluxo, em crianças menores, enquanto adolescentes e adultos podem apresentar também disfagia e sensação de obstrução do esôfago. No entanto, evidências atuais em pacientes pediátricos demonstram que o tempo de progressão da doença, sem intervenção terapêutica, pode levar o tecido esofágico a remodelamento e fibrose, o que se expressa nos sintomas de disfagia e impactação esofágica.

Quanto ao diagnóstico, deve-se ter dois aspectos fundamentais: manifestações clínicas de disfunção esofágica e alterações de mucosa esofagiana. O padrão-ouro do diagnóstico é feito pela endoscopia digestiva alta com biópsias que tem como padrão o infiltrado eosinofílico no esôfago maior ou igual a 15 eosinófilos por campo de grande aumento (≥15 eos/CGA) e ausência de aumento de eosinófilos em outros segmentos do tubo digestivo.

Os achados endoscópicos podem incluir: aneis concêntricos fixos e/ou transitórios, exsudato granular, sulcos ou estrias verticais, edema com apagamento da trama vascular, estreitamento do calibre esofágico, estenoses e fragilidade da mucosa tipo “papel crepom”.

Já os critérios histológicos consideram a contagem de ≥15 eos/CGA na área de maior densidade eosinofílica, em uma ou mais amostras, como um importante aspecto para o diagnóstico. Sempre é recomendada a coleta de quatro fragmentos do esôfago médio-proximal e distal para aumentar a acurácia diagnóstica. Além disso, é de suma importância a coleta de amostras das mucosas de estômago e duodeno para afastar a doença eosinofílica gastroduodenal que se caracteriza como um importante diagnóstico diferencial nesses casos.

Os sintomas da EoE e da DRGE podem ser semelhantes, principalmente em lactentes e pré-escolares, o que torna o diagnóstico diferencial entre as duas doenças um desafio.

consulta pediatrica

Tratamento da Esofagite Eosinofílica

O tratamento da EoE tem três pilares principais: drogas, dieta e dilatações. O tratamento com IBP são a primeira linha terapêutica para esses pacientes. Em geral, utiliza-se 1 mg/Kg/dose de 12/12 h, por 8 a 12 semanas, quando geralmente se repetirá a endoscopia. Nos casos em que as biópsias mostrarem diminuição dos eosinófilos abaixo de 15 eos/CGA, podemos manter o tratamento ou tentar diminuir a dose para uma vez ao dia. Por outro lado, se o paciente não responder aos IBP, com persistência da eosinofilia, pode-se optar pelo tratamento dietético ou com corticosteroides.

Os corticosteroides sistêmicos são eficazes no tratamento da EoE e são capazes de levar à melhora clínica e histológica. No entanto, apenas devem ser usados em situações de maior gravidade dos sintomas e por curto período de tempo, pois a recidiva após a sua suspensão faz com que seja necessário repetir seu uso com maior chance de desenvolvimento de efeitos colaterais. Os estudos mais recentes revelaram que o uso de corticosteroides tópicos deglutidos (fluticasona e budesonida) tiveram bons resultados e vantagens em relação à segurança e eficácia quando comparados aos corticosteroides sistêmicos. A apresentação é a mesma utilizada no tratamento da asma, porém deve ser administrada de forma que o paciente degluta o medicamento.

Grande parte dos pacientes (97%) com EoE responde à dieta elementar (fórmulas de aminoácidos), com resolução dos sintomas e melhora histológica. Tendo em vista tamanha dificuldade que podem gerar as dietas elementares, outras opções incluem a restrição de alimentos baseada em testes alérgicos (testes de hipersensibilidade imediata e Atopy Patch Test) e a dieta com exclusão dos alérgenos mais comuns: leite de vaca, ovo, soja, trigo, amendoim e frutos do mar.

Como forma de avaliarmos a resposta terapêutica, levamos em consideração a melhora dos sintomas e os achados endoscópicos/histológicos, com diminuição da contagem de eosinófilos na mucosa esofágica, após 8 a 12 semanas de tratamento.

Por fim, cabe ressaltar que o prognóstico desses pacientes ainda é incerto, mas acredita-se que os sintomas tendem a recorrer ou persistir até a idade adulta com períodos de melhora e piora, e que não há relatos ainda na literatura de casos de malignização ou de evolução para doença eosinofílica extensa.

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2 comentários

  1. Petronio de Vasconcelos Leitão

    muito bom li artigos sobre ESOFAGITE EOSINOFÍLICA bastante didático aqui no pebmed

  2. Lucia Dantas

    Gostei bastante sobre tudo que li sobre esofagite eosinofilica. Tirei duvidas e adqueri conhecimentos sobre tratamento e dietas.

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