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Casos de cardiomiopatia de Takotsubo crescem por conta da pandemia

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Pesquisadores da Cleveland Clinic, em Ohio, nos Estados Unidos, constataram um aumento no número de casos cardiomiopatia de Takotsubo, saltando de 1,7% para 7,8% durante a pandemia. O estudo foi publicado hoje na JAMA Network Open.

A cardiomiopatia de Takotsubo ou por estresse, conhecida popularmente como síndrome do coração partido, ocorre em resposta ao estresse físico ou emocional e causa disfunção ou falha no músculo cardíaco.

Apesar de não haver uma explicação científica, a hipótese apontada é a de que a reação de uma pessoa a eventos física ou emocionalmente estressantes causa uma liberação de hormônios do estresse que reduzem temporariamente a capacidade do coração de bombear — fazendo com que ele se contraia de forma menos eficiente ou irregular, em vez de em um padrão estável e normal.

Segundo estimativas, em todo o mundo, 90% dos casos de cardiomiopatia de estresse ocorrem em mulheres na pós-menopausa.

Leia também: Uso da maconha dobra o risco de síndrome do coração partido

Mulheres na pós-menopausa são mais afetadas pela cardiomiopatia de Takotsubo

Como foi realizado o estudo

Em primeiro lugar, os pesquisadores observaram quatro períodos anteriores ao início da aceleração do contágio do novo coronavírus no território norte-americano. Os casos da enfermidade entre pacientes com problemas coronários tinham incidência que variava de 1,5% a 1,8%. Esses quatro ciclos foram comparados com os meses de março e abril, quando a pandemia entrou no foco da vida de muitos norte-americanos: a taxa saltou para 7,8%.

Foram analisados 1.914 pacientes em dois hospitais do estado de Ohio nos cinco períodos do estudo. Os pesquisadores sugerem uma relação dos casos de cardiomiopatia de Takotsubo com o estresse psicológico, social e financeiro provocado pela pandemia e pela quarentena.

Os autores reconhecem que há limitações no estudo, uma vez que o universo da pesquisa é regional.

Sintomas

Geralmente, os pacientes apresentam sintomas semelhantes aos de um ataque cardíaco, mas não têm as artérias coronárias bloqueadas de forma aguda. O ventrículo esquerdo do coração, entretanto, pode mostrar aumento. Outros sintomas incluem batimento cardíaco irregular, dispneia, síncope, pressão arterial baixa e choque cardiogênico.

“Em situações de extrema tensão, o corpo humano é estimulado a produzir mais adrenalina e a descarga desse hormônio na corrente sanguínea provoca um estreitamento momentâneo nos vasos do coração e, consequentemente, o funcionamento do músculo cardíaco é afetado”, explica Antonio Eduardo Pesaro, cardiologista do Hospital Israelita Albert Einstein.

Saiba mais: Takotsubo X SCA: um desafio para o emergencista

Tratamento

Pacientes com cardiomiopatia de estresse, geralmente, recuperam a sua função cardíaca em questão de dias ou semanas, embora essa condição possa ocasionalmente causar eventos cardíacos e cerebrovasculares adversos importantes e raramente pode ser fatal.

A cardiomiopatia de estresse é geralmente tratada com medicamentos para o coração para reduzir a pressão arterial e diminuir a frequência cardíaca. Outros medicamentos podem ser prescritos para ajudar a controlar o estresse.

“O uso de diuréticos para reduzir o acúmulo de líquidos no corpo e técnicas para minimizar o estresse podem complementar o tratamento”, finaliza Antonio Pesaro.

No Brasil

Desde junho, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) passou a coletar dados de 32 centros cardiológicos no país para criar um registro nacional de casos da síndrome. Com essa iniciativa será possível identificar como a doença se comporta e quais as características das pessoas mais afetadas conforme as condições no Brasil.

Segundo a entidade, o único levantamento disponível no Brasil sobre a enfermidade é um estudo regional com 169 pacientes com o diagnóstico de Takotsubo entre 2010 e 2017, em doze hospitais do estado do Rio de Janeiro.

A última análise trouxe que a média dos pacientes acometidos pela síndrome tinha 71 anos, era em sua maioria mulheres (90,5%), com prevalência de dor torácica (63,3%) e histórico de estresse emocional considerável, registrados em 40% dos casos.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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