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Estudo brasileiro cria metodologia para diagnóstico e acompanhamento da tuberculose

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Um estudo desenvolvido no Brasil aponta uma nova metodologia que pode facilitar o diagnóstico e o acompanhamento de pacientes com tuberculose.

Os pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) combinaram dois testes disponíveis atualmente. A técnica é capaz de diferenciar casos de infecção latente e a forma ativa da doença.

“Esse método pode ser a base para a produção de um teste rápido em laboratório com a utilização de um chip, que fornece o resultado em poucas horas, a partir de um pequeno volume de sangue. Até mesmo em unidades básicas de saúde ou em localidades com poucos recursos”, afirma entusiasmado um dos coordenadores do estudo, Geraldo Pereira, pesquisador do Laboratório de Microbiologia Celular do IOC (Instituto Oswaldo Cruz).

Outra boa notícia é que, além de confirmar a infecção latente, a nova técnica pode auxiliar no diagnóstico dos casos de tuberculose extrapulmonar e ainda contribuir para o monitoramento da terapia.

Durante os processos inflamatórios da tuberculose, os neutrófilos mobilizam uma proteína chamada CD64. Os pesquisadores observaram que, nos pacientes com tuberculose pulmonar ativa, essas células apresentavam altos índices da molécula em sua superfície, enquanto nos pacientes com infecção latente, os níveis eram reduzidos.

A pesquisa confirmou que a expressão de CD64 em neutrófilos pode ser utilizada como critério para diferenciar os casos de infecção latente da forma ativa da doença.

Dessa forma, foi estabelecido um protocolo combinando dois testes. No primeiro, o ensaio de produção de interferon-gama indica a infecção pelo M. tuberculosis. Já no segundo, indica a expressão de CD64 em neutrófilos, biomarcador que aponta a ativação da doença.

Foi observado ainda que os níveis de CD64 foram reduzidos após o tratamento da tuberculose pulmonar. O que sugere que a realização do exame pode auxiliar na eficácia da terapia para a doença.

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Metodologia aplicada

Foram realizados testes em amostras referentes a 53 pacientes atendidos no Serviço de Pneumologia e Tisiologia do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE/UERJ). O estudo incluiu voluntários sem infecção, com infecção latente pelo M. tuberculosis e com tuberculose pulmonar ativa, antes e após o tratamento.

Além de apresentar alta sensibilidade (86,67%) e especificidade (87,50%) para estabelecer o diagnóstico de doença ativa, a metodologia utilizada pelos pesquisadores mostrou-se capaz de fornecer resultados em apenas um dia, agilizando o tratamento e aumentando as chances de cura.

Ensaios com um maior número de pacientes de diferentes localidades devem ser conduzidos para validar a metodologia. Mas os resultados são promissores.

“A identificação da bactéria em amostras do paciente é a forma definitiva de confirmação da doença. No entanto, o diagnóstico bacteriológico pode ser difícil quando o M. tuberculosis se instala em outros órgãos”, explica Rogério Rufino Alves, coordenador do Serviço de Pneumologia e Tisiologia do HUPE e coautor do estudo.

Na tuberculose pulmonar, a bactéria costuma ser identificada no exame de escarro. Porém, na tuberculose hepática, é preciso a realização de uma biópsia. “O procedimento é ainda mais sensível quando a enfermidade atinge órgãos neurológicos. Em todos esses casos, marcadores imunológicos de diagnóstico, detectados em amostras de sangue, podem acelerar o início do tratamento e reduzir o número de mortes”, aponta o pesquisador.

Números da tuberculose no Brasil

Foram registrado no país 72 mil novos casos de tuberculose em 2018. O número de óbitos ainda não foi divulgado pelo Ministério da Saúde. Já em 2017, foram 73 mil novos casos, com 4,5 mil óbitos.

É possível observar que o aparecimento da enfermidade possui uma relação direta com a pobreza e a exclusão social. Entre os novos casos, 10,4% são presidiários, 8,7% pessoas com HIV, 2,5% população de rua e 1% indígenas.

A tuberculose é a quarta causa de morte entre as doenças infecciosas e a primeira entre enfermidades infecciosas em pessoas com HIV no país. Ocupa a 20ª posição na lista dos 30 países prioritários para tuberculose, segundo dados do OMS (Organização Mundial da Saúde).

Veja também: Dia Mundial de Combate à Tuberculose: a prevenção como solução

Novas recomendações

A OMS publicou em março deste ano novas orientações para melhorar o tratamento da tuberculose multirresistente (MDR-TB), recomendando a mudança para regimes totalmente orais. Terapias injetáveis não são mais consideradas como prioridade em tratamentos contra esse tipo de tuberculose. A nova abordagem é indicada como mais eficaz e com menor probabilidade de efeitos colaterais adversos.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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