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Com a enorme e progressiva evolução tecnológica experimentada nas últimas décadas, aliada ao aprimoramento e ao desenvolvimento de novos testes laboratoriais, cada vez mais os laboratórios clínicos vêm ganhando importância na prática clínica diária. Atualmente, estima-se que 70% das decisões médicas são tomadas utilizando como referência os resultados dos exames fornecidos.

Grande parte dos resultados obtidos (mais de 98%) não geram implicações, diagnósticas e/ou terapêuticas, que requeiram alguma ação médica imediata. Dessa forma, o médico solicitante pode aguardar, sem urgência, até a liberação habitual do exame por parte do laboratório. Entretanto, em algumas situações especiais, se faz necessário que se reporte imediatamente os valores encontrados ao médico assistente, já que podem requerer condutas de emergência.

Os valores laboratoriais críticos

Também chamados de valores de pânico, resultados críticos ou valores de alerta, o seu conceito pode ser definido como um resultado de exame laboratorial que representa um estado fisiopatológico anormal, que pode colocar o paciente em iminente risco de morte, se nenhuma ação médica for tomada.

Estudos demonstram que 95% dos médicos consideram úteis as informações que são passadas quando da comunicação de algum resultado crítico, sendo que em 2/3 desses casos acabam resultando em alguma decisão ou mudança da abordagem terapêutica.

Já que há grande diferença do perfil e da complexidade de pacientes entre os diferentes tipos de laboratórios clínicos existentes (ex.: ambulatorial, emergencial, pediátrico, hospitalar etc.), não há uma padronização de limites mínimos e máximos dos parâmetros laboratoriais para que sejam considerados críticos.

Portanto, a definição desses valores deve ser realizada pela chefia de cada unidade laboratorial, levando-se em consideração, por exemplo, o perfil dos usuários e das doenças mais prevalentes na sua população. Essa decisão deve ser tomada, de preferência, em conjunto com o corpo clínico da instituição, na revisão de artigos e listas de valores críticos de outros laboratórios com perfil semelhante.

A comunicação entre o laboratório e o médico solicitante

Deve-se definir como, quem e em que momento deverá feita a comunicação do resultado ao médico assistente, bem como se há ou não a necessidade de se repetir o exame antes do contato. A identificação do resultado crítico pode ser dada tanto pelo profissional do laboratório, quanto através de sistemas de informática laboratorial (LIS), programados para criar alertas em valores pré-determinados de analitos.

Uma vez identificado o resultado, o contato pode ser realizado de forma presencial, por telefone ou por sistemas de informática automáticos, cada qual com suas vantagens e desvantagens. O profissional que irá transmitir a informação, idealmente, deve ser o médico patologista clínico, por ser um profissional habilitado para analisar e discutir o caso em conjunto com o médico solicitante.

Conclusão

O laboratório clínico tem a obrigação de comunicar os valores críticos ao médico assistente, devendo estabelecer protocolos claros e bem definidos para que os mesmos sejam transmitidos de forma rápida e objetiva.

A contato deve servir também como uma grande oportunidade de aproximação entre o laboratório e o corpo clínico da unidade, fortalecendo a confiança nos resultados dos exames, contribuindo para a melhoria do cuidado ao paciente.

Autor:

Referências bibliográficas:

  • Rocha BCB, et al. O conceito de valores críticos no laboratório clínico. J. Bras. Patol. Med. Lab.2016;52(1):17-20. https://www.dx.doi.org/10.5935/1676-2444.20160008
  • Genzen JR, Tormey CA. Pathology consultation on reporting of critical values. Am J Clin Pathol. 2011;135:505-13.

 

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