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Fungo fatal se espalha por hospitais no mundo e pode chegar ao Brasil

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O super fungo Candida auris já infectou quase 600 pacientes nos Estados Unidos. Quase metade das pessoas infectadas morre em 90 dias, segundo o Centro Americano de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Segundo informações do The New York Times, ele infecta pessoas com o sistema imunológico enfraquecido e pacientes internados em hospitais, se instala rapidamente nos lugares mais inusitados e ainda resiste aos principais tratamentos antifúngicos.

Já foram registrados casos em mais de 30 países ao redor do mundo, como Rússia, África do Sul, Austrália, Japão, China, Índia, Israel, Reino Unido, França, Espanha, Canadá, Venezuela, Panamá e Colômbia.

O Brasil ainda não registrou casos de infecções por Candida auris. No entanto, isso não significa que não tenha ocorrido, pois como a detecção desse fungo requer métodos laboratoriais especializados é possível que a ocorrência dessa infecção não tenha sido identificada.

Um sistema de vigilância contra fungos está sendo criado pelo Ministério da Saúde. Segundo o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Kleber de Oliveira, a questão tem sido discutida nacionalmente há cerca de três anos. O modelo que está em elaboração no Brasil, no entanto, não deve ser específico para essa infecção, contemplando fungos de maneira ampla no país.

Origem

O super fungo foi identificado pela primeira vez em 2009 no Japão. Entretanto, uma revisão retrospectiva de coleções de cepas de Candida descobriu que a mais antiga cepa conhecida de C. auris data de 1996 na Coreia do Sul.

O Centro Americano de Controle e Prevenção de Doenças considera a Candida auris um patógeno emergente porque um número crescente de infecções foi identificado em vários países desde que foi reconhecido.

Sintomas, diagnósticos e tratamento

O fungo pode causar infecções da corrente sanguínea, originárias de machucados e de ouvido. Os sintomas são comuns e incluem febre, dores e fadiga. Mas podem levar a morte se não tratada, principalmente se o paciente já estiver com outros problemas de saúde.

O diagnóstico é realizado a partir de culturas de sangue e outros fluidos, mas pode ser confundido com outros tipos de Candida.

O tratamento é a principal preocupação das autoridades. Embora a maioria dos casos possa ser tratada com medicamentos chamados echinocandins, algumas já adquiriram resistência a muitos remédios antifúngicos. Nesses casos, é necessário aumentar a dose e utilizar diversas medicações diferentes.

Em hospitais e clínicas de saúde, o fungo se espalha de pessoa para pessoa ou por equipamentos e superfícies contaminadas. Ele é tão resistente que a cura e até a higiene do material médico são mais difíceis.

Em entrevista recente para a Rede Globo, o epidemiologista Martin Blaser, professor de microbiologia do Centro Médico Langone, na Universidade de Nova York, explica que o fungo se espalhou por causa do uso excessivo de antibióticos. “Nosso corpo é cheio de fungos e bactérias, que competem entre si. Quando se toma antibióticos demais, elimina as bactérias e os fungos se proliferam.

O risco de contaminação por Candida auris é maior entre crianças, idosos e pessoas com o sistema imunológico fragilizado, a chamada infecção oportunista.

Superbactérias, o novo desafio da medicina

Quando se trata de bactérias, as infecções resistentes a medicamentos afetam 2 milhões de pessoas por ano nos Estados Unidos, matando pelo menos 23 mil. E as infecções resistentes aos medicamentos podem exigir mais de 10 milhões de vidas por ano em todo o mundo até 2050 – acima dos 700.000 atuais, de acordo com uma estimativa.

Os antibióticos, que durante décadas salvaram vidas, estão favorecendo a formação de superbactérias, que sofreram mutações para resistir às substâncias produzidas em laboratório.

Identificação rápida

Pela proximidade do Brasil com a Venezuela, onde existe a circulação do fungo, infelizmente é uma questão de tempo para que os médicos brasileiros encontrem casos de Candida auris no país.

Portanto, a rápida identificação da Candida auris em um paciente hospitalizado é de suma importância para que o hospital possa tomar as medidas necessárias de prevenção e controle da sua disseminação. Dessa forma, você, médico, ao identificar um isolado confirmado ou suspeito desse fungo, informe imediatamente a direção do hospital. E a mesma deverá avisar com urgência a Comissão de Infecção Hospitalar (CCIH).

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