Hábitos alimentares de crianças pré-escolares interagem com práticas alimentares das mães

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Um estudo muito interessante publicado no Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics pode nos ajudar a compreender melhor as conexões entre os hábitos alimentares das crianças e de suas mães.

Ao experimentar emoções, geralmente aquelas que são negativas, uma resposta comum das crianças pode ser consumir alimentos, independentemente de sua saciedade. Isso também é chamado de “comer emocional” (CE). Os alimentos aos quais uma criança recorre quando apresenta CE são tipicamente ricos em gordura e açúcar e proporcionam prazer hedônico que, por sua vez, regula a experiência da criança com essas emoções.

O CE é considerado biologicamente paradoxal. A resposta natural do corpo a emoções intensas é liberar hormônios supressores do apetite que inibem o desejo de comer. No entanto, a prevalência de CE em crianças é elevada, permanecendo estável ao longo da infância e persistindo na idade adulta. Isso sugere que, para alguns, a relação entre emoções e comida é aprendida, provavelmente durante a primeira infância. O CE em pediatria tem sido relacionado a maiores razões cintura-estatura em crianças de 4 a 12 anos. Já em adultos, está frequentemente associado a maior índice de massa corporal (IMC) e obesidade. Coletivamente, essas evidências amplificam a importância de compreender o desenvolvimento do CE no início da vida.

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Uma das questões que ainda permanece pouco compreendida é: os comportamentos de abordagem do alimento pelas crianças, isto é, comportamentos ligados ao desejo de comer, moderam a relação mediadora entre o CE materno e o CE da criança por meio do uso de alimentos para regulação emocional pelas mães, comida como recompensa ou restrição de alimentos por motivos de saúde? Diante dessa indagação, o objetivo do estudo foi avaliar se a relação mediadora previamente identificada entre CE materno e CE infantil via uso materno de alimentos como recompensa, alimento para regulação emocional ou restrição alimentar por motivos de saúde varia em função da abordagem da alimentação da criança. A pesquisa foi conduzida por pesquisadores da Aston University, Reino Unido.

Hábitos alimentares de crianças pré-escolares interagem com práticas alimentares das mães.

Metodologia

Foi realizado um estudo transversal com questionário online, incluindo mães de crianças com idades entre três e cinco anos, recrutadas no período entre janeiro e março de 2020, a partir de anúncios colocados nas redes sociais no Reino Unido.

Foram excluídos os seguintes dados: 45 respostas incompletas; oito respostas de pais por causa de diferenças documentadas entre mães e pais nas práticas alimentares parentais e esse número não foi grande o suficiente para fazer comparações, e seis mães que relataram que raramente comiam com o filho, o que coloca em dúvida a validade de suas respostas.

Os questionários avaliaram o CE infantil, tendências de abordagem alimentar infantil, CE materno e práticas parentais alimentares.

Resultados

Um total de 185 mães participou do estudo. As mães tinham idade média de 36 anos, a maioria descreveu sua etnia como branca e a maioria possuía nível de escolaridade superior. As mães tinham, em média, dois filhos e um status social subjetivo de classe média a alta. As crianças tinham, em média, 3,8 anos, sendo 52% meninas e 48% meninos. A maioria das crianças frequentava a creche ou a escola por uma média de 26 horas por semana.

Os pesquisadores observaram que a relação mediadora entre CE materno-infantil via uso materno de alimentos como recompensa e restrição alimentar por motivos de saúde foi moderada pelos comportamentos de abordagem alimentar das crianças.

Conclusões

O estudo procurou explorar os fundamentos mecanicistas da relação entre CE materno e CE infantil, avaliando o papel das práticas parentais alimentares e as tendências de abordagem alimentar das crianças. Mediações moderadas sugerem que um maior uso materno de alimentos como recompensa e restrição alimentar por motivos de saúde são mediadores de uma maior relação CE materno-infantil, mas que essa relação mediadora só é significativa para crianças com maior tendência à abordagem alimentar.

Os resultados corroboram a sugestão de que práticas parentais alimentares menos responsivas são um mecanismo pelo qual o CE materno pode moldar o CE infantil, mas os achados indicam que a força dessa relação depende dos próprios traços apetitivos da criança, com crianças que experimentam maiores comportamentos de abordagem alimentar sendo os mais influenciados por práticas parentais alimentares que utilizam alta recompensa ou restrição alimentar.

Em suma, o estudo utilizou relatos maternos para considerar o complexo mecanismo pelo qual o CE materno e o CE infantil estão relacionados. Para os pesquisadores, o modelo proposto sugere que, de acordo com os relatos maternos, o CE materno, as práticas de parentalidade alimentar e as tendências de abordagem alimentar infantil interagem para predizer o CE da criança.

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De fato, este estudo é promissor para trabalhos futuros para explorar como as abordagens para reduzir o CE infantil devem considerar as interações complexas que ocorrem entre as práticas alimentares dos pais e os traços apetitivos da criança que podem influenciá-lo. A literatura já mostrou que as práticas parentais em torno dos alimentos podem ajudar a moldar os comportamentos alimentares das crianças. No entanto, os pesquisadores destacam que este estudo mostra que a influência dessas práticas parentais depende, em parte, das tendências de abordagem alimentar existentes nas crianças. Por fim, mais pesquisas são necessárias para entender como essas descobertas podem ser usadas para apoiar mães de crianças que são mais motivadas a comer e com maior risco de níveis mais altos de CE.

Comentários

Não somente os adultos, mas as crianças também podem utilizar a alimentação como forma de fuga e compensação para os obstáculos encontrados ao longo da vida, como episódios de ansiedade ou frustração, por exemplo. É importante que o pediatra identifique esses sinais, converse com a família e a criança e ajude-os a entender o porquê da escolha de determinados alimentos, da quantidade e do horário em que são consumidos. Nesses casos, o acompanhamento interdisciplinar, incluindo psiquiatras, psicólogos e nutricionistas, dependendo do caso, pode auxiliar, e muito, no suporte ao paciente pediátrico e à sua família, promovendo maior saúde física e mental.

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# Stone RA, Haycraft E, Blissett J, Farrow C. Preschool-Aged Children's Food Approach Tendencies Interact with Food Parenting Practices and Maternal Emotional Eating to Predict Children's Emotional Eating in a Cross-Sectional Analysis [published online ahead of print, 2022 Feb 4]. J Acad Nutr Diet. 2022;S2212-2672(22)00068-5. DOI: 10.1016/j.jand.2022.02.001
Referências bibliográficas:

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