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Morcego identificado como portador do hantavírus

Hantavírus é identificado em duas espécies de morcegos em Mato Grosso

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Foi identificado hantavírus em duas espécies de morcegos (Phyllostomus hastatus e Dermanura gnoma) presentes na região norte do Mato Grosso.

A pesquisa foi desenvolvida pelo Grupo de Ecologia Aplicada (Geca), Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em parceria com o Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), o Centro de Pesquisa em Virologia da Universidade de São Paulo (USP), a Oregon State University e a University of East Anglia.

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Importância da presença do hantavírus em morcegos

Essa descoberta preocupa as autoridades de saúde pela possibilidade de surtos de hantavirose, principalmente em regiões de desmatamento e produção de grãos. A pesquisa foi conduzida a partir da análise sorológica e molecular de amostras biológicas de 47 exemplares, colhidos na região de Sinop.

Método do estudo

Para determinar se os morcegos do sul da Amazônia poderiam abrigar hantavírus, sorológica e molecularmente, o grupo de pesquisadores coletou sangue, saliva, excrementos e tecidos de órgãos de 47 morcegos capturados de setembro a dezembro de 2015.

Apenas os morcegos filostomídeos apresentavam anticorpos contra o hantavírus. A soroprevalência geral foi de 4,2%.

Desmatamento agrava a situação

Esses vírus estão mais associados a pequenos roedores silvestres, que podem transmitir a doença pela urina, saliva e fezes.

O desmatamento e a grande produção de grãos nessas áreas aumentam os riscos de novos casos, uma vez que os animais que transmitem o hantavírus podem se alimentar dos grãos e se reproduzirem mais rapidamente.

“O estado do Mato Grosso já tem mais casos que a média do restante do país e observamos índices elevados da enfermidade nas regiões de Sinop, Tangará da Serra e Diamantina, onde já ocorrem surtos esporádicos”, alertou o professor Gustavo Canale, do campus de Sinop, em entrevista ao Portal da UFMT.

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Hantavirose

A hantavirose é uma zoonose viral aguda causada por um vírus RNA, pertencente à família Bunyaviridae, gênero Hantavirus. No Brasil, a infecção em humanos se apresenta na forma da Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH).

Por causa da forma de transmissão, as populações mais vulneráveis são as que não possuem um saneamento básico e as que moram no subúrbio das pequenas cidades.

Os sintomas de hantavirose nos casos leves podem ser confundidos com outras zoonoses, como dengue e chikungunya, o que também contribui para uma subnotificação dos casos.

Na fase inicial, a hantavirose causa febre, cefaleia, dor nas articulações, lombar, abdominal e sintomas gastrointestinais.

Já na fase cardiopulmonar, os sintomas são febre, dificuldade de respirar; respiração acelerada, aceleração dos batimentos cardíacos, tosse seca e pressão arterial baixa, desenvolvendo um quadro de Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus nos pacientes.

Como ainda não há tratamento específico para as infecções por hantavírus, as medidas terapêuticas são fundamentais, ministradas conforme cada caso.

Os casos devem ser notificados em até 24 horas para as Secretarias Municipais e Estaduais de Saúde e o Ministério da Saúde, através da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS).

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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