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Mais um novo coronavírus: como esses vírus são transmitidos aos humanos?

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A recente emergência de um novo coronavírus, cuja doença foi denominada como Covid-19, a partir de Wuhan, província de Hubei, na China desde 2019, leva ao questionamento quanto as possíveis fontes dos novos vírus associados aos surtos/epidemias/pandemias de síndromes respiratórias agudas.

Para esse novo 2019-nCoV as perguntas ainda permanecem sem resposta e em investigação. Podemos, então, inferir as possibilidades quanto as origens baseado no último coronavírus descrito, MERS-CoV (Middle East respiratory syndrome coronavírus) também associado à recente epidemia de doenças respiratória, a síndrome respiratória do Oriente Médio?

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Coronavírus

A primeira detecção do MERS-CoV ocorreu na Arábia Saudita em 2012, associada a síndrome respiratória aguda, com consequente mais de 2400 casos informados à Organização Mundial da Saúde (OMS), com acima de 850 mortes (aproximadamente 35 %). A infecção associada ao MERS-CoV varia de assintomática a insuficiência respiratória grave e morte, e já foi descrita em diversos países como Arábia Saudita, Coréia do Sul, Emirados Árabe, França, Jordânia e Reino Unido.

Sabe-se atualmente que MERS-CoV consiste em um vírus zoonótico e os camelos e dromedários foram descritos como hospedeiros reservatórios, e os morcegos como os reservatórios originais. Considera-se também possível a existência de infecção em outras espécies silvestres, ampliando a gama de hospedeiros. A transmissão zoonótica, a partir de dromedários, tem resultado em cadeias limitadas de transmissão horizontal entre seres humanos, frequentemente entre profissionais de saúde ou contactantes próximos, como familiares.

Dessa forma, os casos de MERS-CoV em humanos foram definidos como resultado de transmissão primária (zoonótica por contato com dromedários/camelos ou fonte desconhecida) ou secundária (horizontal entre humanos). Por outro lado, em torno de 14% dos casos descritos em 2018 não apresentaram origem ou exposição definida. A ausência de evidências epidemiológicas definidas quanto as rotas de transmissão ou eficácia de intervenções de controle dificultam a elaboração de medidas de prevenção efetivas.

O que, então, aprendemos sobre esses MERS-CoV?

Resumimos aqui alguns aspectos:

  • MERS-CoV está associado a infecções respiratórias em camelos e dromedários jovens em regiões do Oriente Médio e no norte, leste e leste da África, como evidenciado por diferentes métodos moleculares, sorologia (sorologia positiva em > 90% dos animais) e isolamento viral;
  • A infecção nesses animais por MERS-CoV pode variar de um quadro assintomático a evolução para síndromes respiratórias, sendo o RNA dos patógenos detectados em swab basal, retal, fezes, leite e biópsia pulmonar, mas as evidências de transmissão indicam transmissão apenas por contato com associada com secreções respiratórias;
  • O risco de transmissão entre os animais e animais-humanos pode ser influenciado por mistura de raças de camelos/dromedários, aglomerações, contato durante o transporte, e mercado de animais vivos. A exposição ocupacional (domesticação, ordenha, limpeza e banho de animais, e outras práticas) consiste em uma das rotas confirmadas de transmissão de MERS-CoV ao homem;
  • A transmissão zoonócia aos seres humanos respeita um padrão sazonal entre Abril e Julho na região do Oriente Médio;
  • A ausência de surtos de MERS-CoV no território africano é consequência de variação biológica regional dos vírus, e carência de estudos locais;
  • Os seres humanos são hospedeiros transitórios ou terminais, sem sustentação da cadeia de transmissão entre humanos. O potencial reprodutor do vírus, a partir de um caso índice humano, varia de 0,45 a 8,1 Os vírus podem ser isolados de fontes respiratórias até 25 dias após início dos sintomas, e considera-se que haja transmissão somente a partir de casos sintomáticos. O tempo de contato com casos infectados para a infecção de suscetíveis não é prolongado, e sugere-se que a transmissão pode ocorrer por fômites ou sistemas de ventilação em ambientes;
  • As medidas efetivas de prevenção ao MERS-CoV consistem em evitar consumo de leite cru ou carne de camelos ou dromedários, contato com secreções desse animais, e precaução de contato e aerossóis, com isolamento respiratório dos indivíduos sintomáticos.

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Novo coronavírus

É importante ressaltar um relato recente de transmissão do Covid-19 em Munique, Alemanha, a partir de um caso índex assintomático (paciente index), durante o período de incubação, com infecção de um indivíduo (paciente 1) quando estiveram juntos em reuniões de negócios, e também assintomático temporariamente.

Posteriormente, tal paciente 1 esteve em contato com dois novos casos não expostos ao paciente index e que vieram a adoecer posteriormente (Rothe et al, 2020). Dessa forma, observa-se que cada novo coronavírus pode exibir propriedades biológicas distintas, assim como os reservatórios e o potencial de disseminação podem ser distintos, levando a conclusão e a expectativa de que encontraremos novas epidemias ou pandemias de síndromes respiratórias ao longo dos próximos anos.

Autor:

Referências bibliográficas:

  • Rothe C, Schunk M, Sothmann P, Bretzel G, Froeschl G, Wallrauch C, Zimmer T, Thiel V, Janke C, Guggemos W, Seilmaier M, Drosten C, Vollmar P, Zwirglmaier K, Zange S, Wölfel R, Hoelscher M. Transmission of 2019-nCoV Infection from an Asymptomatic Contact in Germany. N Engl J Med. 2020 Jan 30. doi: 10.1056/NEJMc2001468.
  • Marie E. Killerby, Holly M. Biggs, Claire M. Midgley, Susan I. Gerber, John T. Watson. Middle East Respiratory Syndrome Coronavirus Transmission. Emerging Infectious Diseases, Vol. 26, No. 2, February 2020: 191-198.
  • Paden C, Yusof M, Al Hammadi Z, Queen K, Tao Y, Eltahir Y, et al. Zoonotic origin and transmission of Middle East respiratory syndrome coronavirus in the UAE. Zoonoses Public Health. 2018;65:322–33.
  • Reusken CB, Raj VS, Koopmans MP, Haagmans BL. Cross-host transmission in the emergence of MERS coronavirus. Curr Opin Virol. 2016;16:55–62
  • Zaki AM, van Boheemen S, Bestebroer TM, Osterhaus ADME, Fouchier RAM. Isolation of a novel coronavirus from a man with pneumonia in Saudi Arabia. N Engl J Med. 2012;367:1814–20.

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