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Hidroxicloroquina para Covid-19: estudo randomizado não mostra benefício

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Entre os diversos medicamentos testados para o tratamento de Covid-19, a hidroxicloroquina ganhou especial atenção tanto entre a comunidade médica quanto entre a população geral.

Embora recomendada pelo guideline de tratamento chinês, há poucas evidências publicadas na literatura de benefício. Pequenos estudos mostraram maior taxa de clearance viral em seis dias em pacientes que usaram hidroxicloroquina do que nos pacientes do grupo controle. Outros estudos, entretanto, não mostraram melhores desfechos com o uso da droga. Mais recentemente um estudo, divulgado como preprint (antes de revisão por pares), mostra os resultados do uso de hidroxicloroquina em hospitais chineses.

Hidroxicloroquina para Covid-19

Trata-se de um estudo multicêntrico, randomizado e aberto em pacientes hospitalizados com Covid-19. Os pacientes elegíveis foram estratificados de acordo com a gravidade da doença (leve/moderada ou grave) e randomizados para receber cuidados padrão ou cuidados padrão e hidroxicloroquina, administrada como 1.200 mg, 1x/dia por três dias, seguidos de 800 mg, 1x/dia, até completar o tempo de tratamento de duas semanas para os casos leves/moderados e três semanas para os casos graves.

Os cuidados padrão incluíram, no mínimo, hidratação intravenosa, oxigenoterapia suplementar, avaliação laboratorial regular, teste de SARS-CoV-2, monitorização hemodinâmica e acesso a unidades de terapia intensiva.

Os pacientes incluídos eram adultos com infecção por SARS-CoV-2 confirmada por PCR e foram recrutados em 16 hospitais de 3 províncias chinesas. Pacientes com disfunção hepática e renal foram excluídos, assim como gestantes e lactantes. Amostras respiratórias dos tratos superior e inferior foram coletadas no início do estudo, durante o tratamento e no seguimento após o tratamento (dias 4, 7, 10, 14, 21 e 28), para teste de SARS-CoV-2. O desfecho primário foi negativação de SARS-CoV-2 em 28 dias. Desfechos secundários incluíram avaliação de sintomas clínicos, parâmetros laboratoriais e avaliação radiológica em 28 dias.

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Resultados

Foram 150 pacientes incluídos na análise, sendo 75 randomizados para receber cuidados padrão e 75 para receber cuidados padrão associados à hidroxicloroquina. A média de idade foi 46 anos e 55% eram homens. A grande maioria (99%) foi classificada como tendo doença leve/moderada, com somente 2 pacientes com doença grave no início do estudo. A média de duração do seguimento foi de 21 dias para o grupo controle e de 20 dias para o grupo com hidroxicloroquina. Dos 75 pacientes no grupo de hidroxicloroquina, 12 não receberam a medicação.

A taxa de negativação foi de 85,4% (IC 95% = 73,8 – 93,8%) no grupo de hidroxicloroquina e de 81,3% (IC 95% = 71,2 – 89,6%) em 28 dias. Não houve diferença entre os grupos no tempo para negativação. As subanálises não mostraram benefício da adição de hidroxicloroquina na negativação de PCR nos subgrupos estratificados por idade, IMC, presença ou ausência de comorbidades, dias entre o início dos sintomas e randomização, valor inicial de PCR, valor inicial de linfócitos e uso ou não de agentes antivirais potenciais durante o período de estudo.

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Também não houve diferença na taxa geral de alívio de sintomas dentro de 28 dias entre o grupo controle e o grupo que usou hidroxicloroquina. A média de tempo para alívio dos sintomas foi semelhante entre os que usaram hidroxicloroquina (19 dias) e os que não usaram (21 dias). Na análise por subgrupos, somente na estratificação pelo uso concomitante ou não de agentes antivirais houve diferença entre os braços: o tempo para alívio dos sintomas foi menor no grupo que recebeu hidroxicloroquina. Em relação aos exames laboratoriais, a adição de hidroxicloroquina levou a uma normalização mais rápida, de forma significativa, nos valores de PCR e de contagem de linfócitos.

Entre os pacientes que receberam hidroxicloroquina, 21 (30%) reportaram algum evento adverso, o que foi significativamente maior do que no grupo controle, em que 8,8% relataram eventos adversos. O evento mais comum foi diarreia e 1 paciente teve a droga descontinuada devido à turvação visual, com recuperação após 1 a 2 dias.

Ao contrário de estudos previamente publicados, esses resultados não mostraram benefício com o uso de hidroxicloroquina para negativação de PCR de SARS-CoV-2. Os autores destacam, entretanto, que a normalização mais rápida dos valores de PCR e de contagem linfocitária no grupo que recebeu hidroxicloroquina podem ser reflexo da ação anti-inflamatória da droga e um potencial benefício clínico em limitar a cascata inflamatória observada em pacientes com doença grave.

Outro ponto positivo foi o bom perfil de segurança e tolerabilidade da hidroxicloroquina mesmo em doses mais altas do que as comumente utilizadas. Importante notar que não foram observados eventos com potencial de causar arritmias, como prolongamento de intervalo QT. Entretanto, os autores destacam que a associação com outros agentes com potencial de prolongamento de QT, como a azitromicina, e outras interações medicamentosas, como com digoxina e metoprolol, devem levar ao cuidado de monitorização estrita.

O que levar para a prática

Os resultados desse estudo contrariam dados previamente publicados da eficácia da hidroxicloroquina para evitar a replicação viral. Benefícios clínicos – alívio dos sintomas – foram observados em apenas um subgrupo dos pacientes e outros desfechos relevantes, como redução de mortalidade, não foram avaliados. Mais estudos são necessários para recomendação do uso de hidroxicloroquina como tratamento para Covid-19.

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Autora:

Referência bibliográfica:

  • Tang, W, Cao, Z, Han, M, Wang, Z, Chen, J, Sun, W, Wu, Y, Xiao, W, Liu S, Chen, E, Chen, W, Wang, X, Yang, J, Lin, J, Zhao, Q, Yan, Y, Xie, Z, Li, D, Yang, Y, Liu, L, Qu, J, Ning, G, Shi, G, Xie, Q. Hydroxychloroquine in patients with COVID-19: an open-label, randomized, controlled trial. medRxiv doi: https://doi.org/10.1101/2020.04.10.20060558

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