Houve diminuição nos testes e nos diagnósticos de câncer durante a pandemia?

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Os profissionais de saúde que atuam no cuidado às pessoas com suspeita ou em investigação de câncer têm a percepção que esse tipo de atividade ficou em segundo plano durante a pandemia por Covid-19. O distanciamento social e as restrições nos serviços ocasionaram uma maior dificuldade de acesso dos pacientes aos testes de rastreamento e de diagnóstico precoce para vários tipos de câncer. Mas quão grande é a diferença na realização desses testes quando comparados os períodos pandêmicos e pré-pandêmicos?

Leia também: Impacto do uso de testes laboratoriais remotos para o diagnóstico molecular do SARS-CoV-2 em hospitais

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Estudo recente

Para avaliar essa questão, pesquisadores de dois hospitais oncológicos de Boston, em Massachusetts, nos EUA, avaliaram dados do sistema de saúde da região de New England (o maior da região nordeste do país), verificando taxas de realização de mamografias, de dosagens de PSA, de colonoscopias e de exames citopatológicos de colo de útero, bem como de seus resultados. Foi realizada a comparação desses dados durante o período de pandemia (2 de março a 2 de junho de 2020) com três períodos de controle: três meses anteriores ao período de pandemia (1 de dezembro de 2019 a 2 de março de 2020); os mesmos três meses no ano anterior (2 de março a 2 de junho de 2019); e três meses posteriores à pandemia (3 de junho a 3 de setembro de 2020).

Características dos pacientes

Um total de 196.060 pacientes passaram pelos testes selecionados durante os quatro períodos. Desses, 15.453 realizaram os exames durante os três meses do período de pandemia; enquanto 51.944 o fizeram nos três meses seguintes, 64.269 nos três meses anteriores e 60.344 nos mesmos três meses de 2019. Nota-se uma diminuição importante na quantidade de testes realizados, tendência essa que é acompanhada também pela diminuição dos diagnósticos de câncer. Foram 1.985 diagnósticos no período de pandemia; com 3.190, 3.423 e 2.961 nos períodos subsequentes, anteriores e nos mesmos três meses de 2019, respectivamente.

A diminuição de testes e de diagnósticos no período foi importante e ocorreu para todos os exames analisados, com quedas de 60% a 82% na realização dos exames e de 19% a 78% nos diagnósticos. Supondo que a mesma quantidade de pacientes que realizou testes de detecção de câncer nos três meses anteriores à pandemia realizaria os testes durante o período pandêmico, haveria uma quantidade de 1.438 pacientes com câncer não diagnosticados nesses meses de pandemia.

Saiba mais: Dia mundial do câncer: diagnóstico de patologias do trato digestivo

Por outro lado, de junho a setembro de 2020, pode-se notar uma significativa recuperação do número de testes e diagnósticos realizados, com números quase iguais aos apresentados antes da pandemia, o que provavelmente deve-se à reabertura e à reorganização de serviços e hospitais. Além disso, a taxa de diagnósticos positivos após a realização dos testes foi maior no período de pandemia (por exemplo, aumento de 2,3% para 4% no caso das mamografias), o que pode demonstrar que houve um maior direcionamento dos exames para pacientes com maior risco, reduzindo em algum grau os esperados subdiagnósticos ocasionados pelas dificuldades de acesso dos pacientes aos testes.

Conclusão

O estudo demonstra, de fato, uma redução importante no acesso e na solicitação de exames, bem como no de diagnósticos realizados no período, apesar de analisar uma população limitada. A verificação de uma maior taxa de positividade nos exames durante o período de pandemia aponta para uma das possíveis estratégias para se reduzir o impacto da pandemia: o direcionamento equânime dos esforços e recursos para os pacientes com maior risco de desenvolver doenças — levando-se em conta fatores de risco de ordem biológica e social.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Bakouny Z et al. Cancer screening tests and cancer diagnoses during the Covid-19 pandemic. JAMA Oncol. 2021 Jan 14; [e-pub]. doi: 1001/jamaoncol.2020.7600

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