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animação de um virus da gripe

HTLV: uma rápida revisão

Tempo de leitura: 3 minutos.

O vírus linfotrópico de células T humano é um retrovírus com mecanismo de transmissão semelhante ao HIV. O Brasil tem o maior número absoluto de infectados (cerca de 2 milhões de pessoas), principalmente nas regiões Norte e Nordeste, mas também é frequente em outros países da América do Sul, Japão, ilhas do Caribe e África.

São dois subtipos relacionados à endemia, com o tipo 1 predominante e responsável pelas manifestações mais importantes. Aqui no país, o teste de triagem em bancos de sangue é realizado desde 1993. Estima-se que 10 a 20 milhões de pessoas no mundo são portadoras.

O diagnóstico é realizado através da sorologia ELISA e o subsequente Western Blot confirmatório (ou ainda por imunofluorescência indireta), ou através da PCR (reação em cadeia da polimerase). O vírus pode ocasionar dermatite infecciosa em menos de 1% dos infectados, leucemia de células T em cerca de 2% e paraparesia espástica em 2%, entretanto a grande maioria é de portadores assintomáticos. Associa-se também à uveíte. Pode ainda acontecer acometimento articular importante nesta população, por auto-imunidade, bem como outras manifestações neurológicas, além da paraparesia.

Mais do autor: ‘HIV – doença crônica’

No último congresso brasileiro de Infectologia, realizado em setembro deste ano no Rio de Janeiro, salientou-se a associação entre doença neurológica e hipovitaminose D, transformando a reposição da vitamina em uma nova arma contra a infecção pelo HTLV. As manifestações urinárias e disfunções eréteis aparecem em graus variáveis. Parece haver um pior desfecho neurológico em coinfectados HIV e novas evidências sugerem aceleração da evolução para AIDS.

Não há comprovação de cura ou de alguma abordagem terapêutica que proporcione um grande benefício, em face dos estudos atuais. O AZT pode ser utilizado no tratamento da leucemia/linfoma de células T associado a quimioterapia, com pouca demanda em virtude da apresentação pouco comum. Corticoesteroides, fisioterapia motora e inibidores da espasticidade podem ser alternativas de controle dos sintomas, assim como a pentoxifilina e a vitamina C, na mielopatia/paresia espástica. O interferon parece ser efetivo na inibição da replicação viral, mas é pouco utilizado no Brasil para essa finalidade.

Estudos em andamento envolvem anticorpo anti-CCR4 como terapêutica e HAL (exoesqueleto) como proposta de melhora na qualidade de vida quando há deficit motor.

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Um comentário

  1. Márcio Amaral

    Só uma complementação da prática clínica: os pacientes com paraparesia espástica tropical possuem acometimento importante do músculo detrusor. Bexiga neurogênica é comum, com retenção urinária e grande predisposição à sepse urinária (causa importante de óbito nesses pacientes).

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