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Infecções comunitárias com bacteremia: tratamentos prolongados são melhores?

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Pneumonias, infecções do trato urinário e infecções de pele e partes moles estão entre as principais causas de hospitalização por doenças infecciosas no mundo, sendo associadas com bacteremia em 5-9%, 23-33% e 1-5% dos casos, respectivamente.

Embora guidelines internacionais de tratamento advoguem a favor de tempos mais curtos de tratamento nos casos não complicados dessas infecções, não existe definição de tempo de tratamento nos casos em que há associação com bacteremia, o que pode resultar em exposição excessiva desnecessária à antibioticoterapia, aumento o risco de eventos adversos e de seleção de organismos resistentes.

Estudos recentes envolvendo ITU por enterobactérias sugerem que cursos curtos de antibioticoterapia são tão eficazes quanto cursos mais prolongados, mas faltam dados em relação a infecções de outros focos.

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Estudo sobre infecções com bacteremia

Um estudo retrospectivo realizado em três grandes hospitais norte-americanos envolveu pacientes adultos com bacteremia secundária a pneumonia, ITU ou infecções de pele e partes moles e que foram tratados por cinco a 15 dias.

Casos em que havia infecção complicada (comprometimento pleural, abscessos renais ou perinefréticos, abscessos cutâneos >5 cm não drenados, infecções metastáticas ou endovasculares, presença de material protético, imunossupressão por transplante de órgãos ou anormalidades estruturais) ou bacteremia por Staphylococcus aureus ou S. lugdunensis foram excluídos.

Os casos foram selecionados a partir do registro de hemoculturas positivas. Tratamentos entre cinco e nove dias foram classificados como curtos, enquanto os entre 10-15 dias foram classificados como longos. O desfecho primário foi falha clínica, definida como a combinação de re-hospitalização ou retorno de antibioticoterapia para a infecção original ou mortalidade por todas as causas nos 30 dias após término de tratamento.

Desfechos secundários incluíram a análise individual dos componentes do desfecho primário, infecção por Clostridioides difficile e eventos adversos que resultaram em interrupção do antibiótico.

Um total de 408 pacientes foram incluídos na análise do estudo: 123 no grupo que recebeu curso curto de antibióticos e 285 no grupo que recebeu curso longo. As médias de tempo de tratamento foram de 8 e de 13 dias, respectivamente.

A maior parte das infecções compreendeu casos de ITU e de infecções causadas por bactérias Gram-negativas. Em relação ao tratamento, houve predomínio no uso de betalactâmicos sobre quinolonas e de antibioticoterapia oral sobre terapia intravenosa.

Mais da autora: Fatores de risco para bacteremia comunitária por ESBL

Resultados

Falha clínica ocorreu em 50 pacientes, sendo 15 (12,2%) no grupo de curso curto e 35 (12,3%) no grupo de curso longo. A probabilidade predita de falha clínica, após o trabalho estatístico dos dados, foi semelhante entre os grupos: 13,5% no grupo de curso curto vs. 11,1% no grupo de curto longo (OR = 1,25; IC 95% = 0,65 – 2,4; p = 0,505).

Em relação aos desfechos secundários, houve uma maior probabilidade predita de infecção por C. difficile nos pacientes que receberam cursos mais curtos de antibioticoterapia (OR = 4,01; IC 95% = 2,12 – 7,59; p < 0,0001), assim como de retorno de uso de antibióticos (OR = 1,62; IC 95% = 1,01 – 2,61; p = 0,046).

Entre os pacientes que receberam predominantemente betalactâmicos, houve maior probabilidade predita de falha clínica no grupo de curso curto de tratamento (OR = 1,72; IC 95% = 1,46 – 2,03; p < 0,0001). Não houve diferença de falha clínica entre os grupos quando estratificados por tipo de infecção, agente etiológico ou via de administração.

Conclusões

Os autores concluem que os resultados desse estudo sugerem não haver risco aumentado de falha clínica com tempos mais curtos de terapia em relação a tempos mais prolongados. Entretanto, parece haver risco aumentado de retorno ao uso de antibióticos e de infecções por C. difficile. Além disso, os dados sugerem maior risco de falha clínica com menores durações de tratamento especificamente nos casos em que betalactâmicos são utilizados.

Esses resultados são congruentes aos de outros estudos que mostraram não inferioridade de um curso de sete em comparação a 14 dias de tratamento para bacteremias não complicadas por bactérias Gram-negativas. Os autores destacam que, devido à natureza retrospectiva do estudo, é difícil estabelecer se havia indicação ao retorno de antibioticoterapia nos casos em que isso foi feito, tornando incerto o significado clínico do maior risco desse desfecho no grupo de curso curto de tratamento.

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Autor:

Referência bibliográfica:

  • Hojat, LS, Bessesen, MT, Huang, M, Reid, M, Knepper, BC, Miller MA, Shihadeh, KC, Fugit, RV, Jenkins, TC. Effectiveness of Shorter Versus Longer Durations of Theray for Common Inpatient Infections Associated with Bacteremia: A Multicenter, Propensity-Weighted Cohort Study. Clin Infect Dis. 2019 Dec 16. pii: ciz1197. doi: 10.1093/cid/ciz1197.

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