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Infecções por vírus sincicial respiratório e influenza: o sistema nervoso central também é suscetível

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As síndromes gripais na infância, na maioria das vezes, se iniciam com febre, tosse e eritema. Porém, por mecanismos mal compreendidos, a infecção viral, geralmente leve, pode evoluir para complicações neurológicas graves.

Infecções respiratórias endêmicas importantes pelo vírus sincicial respiratório (VSR) e pelo vírus influenza causam morbidade respiratória significativa e são as principais causas de hospitalização por insuficiência respiratória em hospitais pediátricos. Com cerca de 58.000 hospitalizações pediátricas por VSR e até 26.000 hospitalizações por influenza em um ano, complicações raras podem ser significativas.

influenza e vírus sincicial e sistema nervoso central

Sistema nervoso central e síndromes gripais

As complicações neurológicas da influenza foram descritas já no final da década de 1890 como uma síndrome clínica, geralmente em crianças, com estupor, convulsões, paralisia e paralisia oculomotora. Exames cerebrais em autópsias revelaram hemorragia e trombose venosa dos seios da face. Este diagnóstico clínico-patológico foi denominado “encefalite de Strumpell-Leichtenstern”. Os relatos de complicações neurológicas da influenza continuaram a evoluir com variabilidade na gravidade e frequência associada a cepas específicas, mais recentemente o H1N1.

Devido a grande relevância do tema, em agosto deste ano, o The Journal of Pediatrics publicou três estudos separados sobre as complicações neurológicas do VSR e do vírus influenza.

Estudos recentes

Nos dois estudos de Antoon e Frankl, foram apresentam resultados de dois conjuntos de dados diferentes de pacientes hospitalizados com gripe, um extraído do Pediatric Health Information System, um banco de dados administrativo pediátrico multicêntrico e, o outro, uma coorte histórica de um único grande hospital pediátrico terciário.

Ambos os grupos excluíram neonatos e incluíram de lactentes a adolescentes, que tiveram diagnóstico de influenza ou que tiveram um exame laboratorial positivo para influenza durante a hospitalização. Um total de mais de 30.000 pacientes tiveram resultados semelhantes: aproximadamente um décimo dos pacientes manifestaram complicações neurológicas. Convulsões e encefalopatia foram as complicações neurológicas mais comuns, e as crianças com doenças neurológicas crônicas pré-existentes estavam no grupo de risco para outras complicações neurológicas.

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Um outro estudo, conduzido pela equipe de Saravanos et al. realizou uma revisão sistemática que incluiu artigos com pacientes maiores de 15 anos com complicações neurológicas agudas graves associadas ao VSR. Para capturar apenas a doença grave, eles excluíram convulsões febris simples e apneia isolada. Dentre os 87 estudos incluídos, convulsões e encefalopatia foram as complicações neurológicas mais comuns da infecção pelo VSR.

Resultados

Nesses três artigos, a presença de complicações neurológicas de infecção pelo VSR ou pelo influenza foi associada a maior utilização de recursos hospitalares, incluindo maior tempo de internação em unidades de terapia intensiva e aumento do uso de antivirais ou terapias imunomodulatórias, além do risco de disfunção neurológica no momento da alta. Algumas complicações neurológicas raras e mais graves, incluindo edema cerebral fulminante, infarto, meningite, encefalite e paralisia foram também descritas.

Os mecanismos que causam essas complicações neurológicas decorrentes do VSR e do vírus influenza não são claros. Sabemos que infecções virais febris e distúrbios metabólicos decorrentes da desidratação ou da secreção inapropriada do hormônio natriurético podem causar convulsões e encefalopatia, independentemente do patógeno.

Por outro lado, condições neurológicas graves foram descritas, como acidente vascular cerebral isquêmico agudo com o vírus da varicela, mielite flácida aguda com surtos recentes de enterovírus-D68, encefalite com enterovírus-A71 e doença desmielinizante grave na síndrome respiratória por coronavírus.

O VSR e o influenza têm virulência única que leva à invasão do sistema nervoso central (SNC) ou desencadeiam uma resposta ao hospedeiro que resulta em processo inflamatório no SNC. A falta de isolamento do vírus Influenza no líquor (LCR) reforça a resposta imune do hospedeiro como um importante mediador de sequelas neurológicas, embora não exclua os efeitos diretos. O VSR foi detectado no LCR de vários pacientes incluídos neste relatório, tornando plausível a invasão viral direta do SNC, mas dada a alta incidência de infecção viral por VSR e a baixa prevalência de complicações, os fatores do hospedeiro também devem estar relacionados.

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Infelizmente, já sabemos que as infecções pelo VSR e pelo vírus influenza têm limitações na terapia antiviral e dependem fortemente de cuidados de suporte. A prevenção dessas infecções por meio da vacinação contra o Influenza e pesquisa em andamento para desenvolvimento da vacina contra o VSR são provavelmente os métodos mais eficazes para reduzir as complicações neurológicas.

Nesses estudos, apenas um terço da metade das crianças com complicações neurológicas havia recebido a vacina contra a gripe.

Por fim, o declínio nas hospitalizações por doenças respiratórias durante a pandemia do coronavírus revelou como as estratégias de saúde pública podem ser eficazes na redução das doenças infecciosas infantis e de suas complicações.

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