Ingestão de carboidratos e a mortalidade: o que dizem as evidências

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As dietas low carb ganharam evidência nos últimos anos, principalmente no tratamento do diabetes. No entanto, o efeito a longo prazo da restrição de carboidratos na mortalidade ainda é controverso. Em novo estudo, pesquisadores analisaram a associação entre a ingestão de carboidratos e a mortalidade. Os resultados foram publicados na revista Lancet em agosto.

Para o artigo em questão, os autores investigaram 15.428 adultos (com idades entre 45 e 64 anos) de quatro comunidades dos Estados Unidos. Os participantes completaram um questionário sobre hábitos alimentares entre 1987 e 1989 e não relataram ingestão calórica extrema (< 600 kcal ou > 4.200 kcal por dia para homens e < 500 kcal ou > 3.600 kcal por dia para mulheres). O desfecho primário foi mortalidade por todas as causas.

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Ingestão de carboidratos e mortalidade

Os pesquisadores encontraram uma associação em forma de U entre a porcentagem de energia consumida de carboidratos (média de 48,9%) e mortalidade: uma porcentagem de 50 a 55% de energia de carboidratos foi associada ao menor risco de morte.

Tanto o baixo (< 40%) quanto o alto consumo de carboidratos (> 70%) representaram maior risco de mortalidade do que a ingestão moderada (HR 1,20; IC 95%: 1,09 a 1,32 para baixo consumo de carboidratos / HR 1,23; IC 95%: 1,11 a 1,36 para consumo elevado de carboidratos).

No entanto, os resultados variaram de acordo com a fonte de macronutrientes: a mortalidade foi maior quando os carboidratos foram trocados por gordura ou proteína derivada de animais (HR 1,18; IC 95%: 1,8 a 0,19) e a mortalidade foi menor quando as substituições foram baseadas em plantas (HR 0,82; IC 95%: 0,78 a 0,87).

Pelos achados, os pesquisadores concluíram que:

  • Dietas com alta ou baixa ingestão de carboidratos foram associadas com aumento da mortalidade, com risco mínimo observado em 50 a 55% da ingestão de carboidratos;
  • Quando o carboidrato foi substituído por fontes de proteína e gordura derivadas de origem animal (carne de cordeiro, de porco, de frango, etc), a mortalidade foi maior;
  • Quando o carboidrato foi substituído por fontes de proteína e gordura derivadas de plantas (vegetais, nozes, pães integrais, etc), a mortalidade foi menor;

Os resultados sugerem que a fonte de alimentos modifica a associação entre carboidratos e mortalidade.

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*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

Referências:

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Um comentário

  1. Francisco Busico Neto

    Vamos aos fatos:

    Este estudo foi realizado com uma Coorte, portanto trata-se de um estudo observacional, estudos observacionais não podem estabelecer causa e efeito;

    A Coorte foi inquirida sobre o que comia com o emprego de um questionário de frequência alimentar( algo pouco cientifico), apenas uma vez no início do estudo em 1987-1989, e entre 1993-1995, e os resultados aferidos décadas depois;

    O grupo que consumia menos carboidratos tinham também as seguintes características(tabela 1 do estudo):
    eram mais obesos, (maior IMC), faziam menos exercícios, fumavam mais, tinham uma maior incidência de diabetes. Em outras palavras, comer menos carboidratos nessa Coorte específica, era um MARCADOR DE MAUS HÁBITOS.

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