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O setembro amarelo é um mês importante para a saúde pública do Brasil e do mundo, por discutir um assunto de tamanha relevância. O suicídio é um ato pensado, voluntário e consciente de dar fim a própria existência. Compreende-se o suicídio como ato multifatorial, sendo que o sujeito que se motiva a findar sua existência está em sofrimento, não conseguido lidar com as demanda do dia a dia. Sabemos que o suicídio é provocado principalmente por pessoas com alguma vulnerabilidade psíquica e/ou que possua alguma doença psíquica pré-existente. Mas o suicídio é um ato também social. Lembramos que os sofrimentos psíquicos são gerados pela reação da pessoa ao meio, ao acontecimento, a pressão e a outras questões que geram determinantes importantes de adoecimento. 

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Nesse sentido é importante falar do autocuidado da sociedade brasileira, uma vez que, mundialmente somos o 10º na quantidade de suicídios. Por isso falar de saúde mental na vida cotidiana se faz cada vez mais necessário. Isso se faz importante para que a população não compreenda o suicídio como a única possibilidade. O setembro amarelo é uma possibilidade de dizer à população que há saída para o sofrimento, além de direcionar o caminho que os profissionais da saúde podem ajudar nesse processo. Hoje vamos trazer uma discussão importante sobre o suicídio que é aquela relativa ao trânsito urbano.

Chegar ao trabalho ou a escola em grandes cidades não é algo tão fácil. Saímos muito cedo e voltamos muito tarde, mas esse não é o único problema, mas sim o trânsito. O trânsito pode ser compreendido como a movimentação de pessoas ou veículos pela via pública. Sabemos que no trânsito temos algumas vulnerabilidades que geram estresse e ansiedade, até depressão. Mas hoje não vamos falar especificamente sobre o trânsito como fator de risco para o adoecimento e sim reconhecer que é no trânsito que acontece um grande número de suicídio.  O transporte urbano pode alterar o estado de saúde das pessoas, principalmente pelas condições que essas se deparam. Mas há outro problema que acontece nas vias públicas que não é o trânsito e problemas com a mobilidade urbana.

O Brasil lidera o número de acidentes no trânsito no mundo. São inúmeros os problemas relacionados ao trânsito no Brasil. Os meios, sejam carros ou motocicletas são facilitadores do processo de acidentes, seja no processo de acidentes físicos ou de gerar vulnerabilidades psíquicas. Mas uma relação que nos chama atenção é entre o suicídio e o trânsito. Pessoas todos os dias se matam no contexto do trânsito, utilizando os automóvel ou motocicletas como meio de dar fim a própria vida. No trânsito temos ferramentas para uma pessoa concretizar o suicídio. A associação se dá através da velocidade que automóvel e motocicletas podem atingir, pouca vigília ou assistência em vias públicas e as relações já amplamente conhecidas entre álcool e outras drogas e a direção veicular, podem estar ligada a impulsividade para dar fim a vida. É nesse contexto que o suicídio sai dos lares, local onde eles mais ocorrem e passam a acontecer na via pública. 

Sabemos que inúmeras condições se relacionam com a vontade do agente de cometer o suicídio. E que o meio mais utilizado para o alcance do suicídio são: enforcamentos, uso de arma de fogo e de pesticidas. Sabemos ainda que o uso de psicotrópico é reconhecido em pessoas que cometeram suicídio ou que ficaram na tentativa, principalmente devido às condições de sofrimento psíquico como a depressão. Mas porque a preocupação com o trânsito. Bom, a literatura sempre aponta que há subnotificação frente aos casos de suicídio no Brasil. É no trânsito, com seus altos estímulos de estresse e vulnerabilidade, que podemos ter gatilhos para o desenvolvimento de um impulso, onde dar fim a vida vira uma solução. 

Saiba mais: Setembro amarelo: tempo de repensar a vida

As vias públicas são os espaços onde a pessoa pode se afastar de ambientes, onde ela possua afetos que poderiam desmotivá-la ao ato, longe das famílias, dos amigos ou de outras pessoas conhecidas, a pessoa possui a possibilidade de ter coragem de cometer a difícil tarefa de cometer o suicido. Em nosso imaginário, devido a filmes de cinema, temos a estrada e a ponte, como locais onde se escolhe para representar local de suicídio. E é comum em grandes cidades acontecer episódios onde pessoas escolhem locais estratégicos como pontes, trilhos de trens, rodovias entre outros locais, para cometer o suicídio. Por isso, vamos trazer algumas intervenções que podem ser realizadas frente a uma pessoa que apresenta comportamento suicida nessas localidades. 

O acolhimento ao comportamento suicida se organiza em diversos tipos níveis de atenção. Para a tentativa de suicídio que acontece no trânsito, geralmente membros da sociedade e a equipe de atendimento pré-hospitalar são os que mais agem nessas situações, além do corpo de bombeiros e profissionais da segurança pública. Para atender a pessoa prestes a cometer suicídio em via pública, seja você profissional de atendimento pré-hospitalar ou profissional frente a demanda pode-se considerar algumas informações, utilize-as se assim for relevante:

suicídio pública 

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Avaliação da Cena:

  • Compreenda quais são as ameaças e riscos que podem ocorrer no cenário de emergência, lembre-se de sempre se manter seguro.
  • Verifique as vulnerabilidades e potencialidades do local e lembre-se para nunca se colocar em risco durante a abordagem, imediatamente chame a autoridade responsável, sendo elas bombeiros militares, polícia em caso de necessidade, atendimento pré-hospitalar do município.
  • Verifique se a pessoa possui instrumentos como arma de fogo ou afins, em caso afirmativo, afaste-se e chame as autoridades competentes. Lembre-se que sua segurança deve estar em primeiro lugar.

Faça o reconhecimento e a classificação da pessoa com comportamento suicida:

  • Avalie se o usuário é hostil. Seu comportamento pode ser inquieto, com movimento periféricos mais aguçados, ou faciais, evitando o contato visual com o socorrista. Verifique o tom de voz, que pode estar elevado ou lacônico. Se demonstra irritação ou agitação psicomotora ou até mesmo risco de violência.
  • Avalie se o usuário é agressivo. Se possui agitação, se manipula objetos, ou gesticula muito, se possui inquietação psicomotora ou ameaça realizar saltos de locais altos ou a frente de veículos.
  • Avalie se apresenta raiva e se faz ameaças verbalizando que vai cometer o ato suicida. lembre-se de nunca desconsiderar suas falas. tendo atitudes e falas positivas, fazendo a pessoa centrar a atenção na conversa e oferecendo-a ajuda.

Condutas

  • Faça avaliação adequada de forma objetiva.
  • As ações devem ser tomadas cuidadosamente.
  • Defina uma pessoa da equipe para realizar os comandos de voz e comando.
  • Realize a negociação a favor da vida e da proteção da integridade física da pessoa, se mostrando solidário e capaz de ajudá-la.
  • É importante que a pessoa saiba que o suicídio não é o único caminho.
  • Mantenha a pessoa sob observação constante.
  • O propósito da negociação é ofertar ajuda e acolhimento por isso, não utilize falas punitivas que possam fazer a pessoa a realizar o fato.
  • Evite palavras que possam fazer a pessoa não se sentir acolhida como: louco, suicida, depressivo, etc.
  • Não provoque a pessoa ou ironize considerando a ação como imprópria ou a pessoa como incapaz de cometer o ato, não realizando assim o ajuizamento da pessoa.
  • Se conseguir contato com a pessoa e esta estiver em local perigoso, faça a remoção da pessoa respeitando-a.
  • Encaminhe para o serviço de referência e garanta o cuidado até os locais especializados de atenção.

Lembre-se que o cuidado a pessoa em sofrimento psíquico com risco de suicídio deve ser levado a sério por todos nós. Capacite sua equipe e discuta sobre o assunto, quanto maior forem as discussões melhores práticas poderemos desenvolver no socorro de pessoas em sofrimento.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Alcantara VCG, Silva RMRCA, Pereira ER, Silva DM, Flores IP. Fatores estressantes percebidos por motoristas de ônibus. Rev enferm UERJ, Rio de Janeiro, 2020; 28:e44289. doi: 10.12957/reuerj.2020.44289
  • Franck MC, Monteiro MG, Limberger RP. Mortalidade por suicídio no Rio Grande do Sul: uma análise transversal dos casos de 2017 e 2018. Epidemiol Serv Saúde. 2020  Maio; 29(2): e2019512. doi: 10.5123/S1679-49742020000200014
  • Silva SL, Kohlrausch ER. Atendimento pré-hospitalar ao indivíduo com comportamento suicida: uma revisão integrativa. SMAD. Revista eletrônica saúde mental álcool e drogas. 2016;12(2):108-115. doi: 10.11606/issn.1806-6976.v12i2p108-115.
  • Manual operacional de bombeiros: resgate pré-hospitalar /Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás. – Goiânia: – 2016. 318 p. : il.
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