Intoxicação por dietilenoglicol: como identificar e o que fazer? - PEBMED

Intoxicação por dietilenoglicol: como identificar e o que fazer?

Sua avaliação é fundamental para que a gente continue melhorando o Portal Pebmed

Quer acessar esse e outros conteúdos na íntegra?

Cadastrar Grátis

Faça seu login ou cadastre-se gratuitamente para ter acesso ilimitado a todos os artigos, casos clínicos e ferramentas do Portal PEBMED

O Portal PEBMED é destinado para médicos e profissionais de saúde. Seu conteúdo tem o objetivo de informar panoramas recentes da medicina, devendo ser interpretado por profissionais capacitados.

Para diagnósticos e esclarecimentos, busque orientação profissional. Você pode agendar uma consulta aqui.

Com o recente acidente em Minas Gerais com a ingestão da cerveja Belorizontina (Backer) contaminada com dietilenoglicol (DEG), é importante que todo médico conheça as principais manifestações clínicas, para permitir reconhecimento do caso, e saiba as medidas iniciais a serem tomadas.

Este composto químico tem maior toxicidade renal e neurológica e como não se trata de doença transmissível, é necessário alguma relação com a fonte contaminante.

Atualmente, é considerado caso suspeito pacientes com: “Indivíduo residente ou visitante de Minas Gerais que ingeriu cerveja da marca “Backer”, a partir de novembro de 2019, e iniciou, em até 72 horas, sintomas gastrointestinais (náuseas e/ou vômitos e/ou dor abdominal) associados à oligúria de evolução rápida para insuficiência renal aguda, seguidos ou não de uma ou mais alterações neurológicas: paralisia facial, borramento visual, amaurose, alterações de sensório, paralisia descendente e crise convulsiva.”

Tome as melhores decisões clinicas, atualize-se. Cadastre-se e acesse gratuitamente conteúdo de medicina escrito e revisado por especialistas

Intoxicação por dietilenoglicol

As manifestações clínicas ocorrem em três fases:

  1. Início: sintomas gastrointestinais inespecíficos, podem haver já sonolência e acidose;;
  2. 1-3 dias depois: piora da acidose, distúrbios eletrolíticos e insuficiência renal aguda. Pode haver hepatotoxicidade e pancreatite;
  3. 5-10 dias depois: evolução neurológica, com paresia progressiva, podendo ter acometimento bulbar e respiratório.

O que fazer?

1. Avaliação clínica:

  1. Exame neurológico completo, com atenção à sensibilidade perioral, paresia descendente e capacidade vital;
  2. Fundo de olho.

2. Laboratório, incluindo avaliação de possíveis diagnóstico diferenciais:

  1. Hemograma, coagulograma, eletrólitos, glicemia, lactato, função renal, transaminases, gasometria, amilase, lipase;
  2. EAS;
  3. Líquor (se houver manifestações neurológicas);
  4. Sorologia dengue e leptospirose.

3. Dosagem sérica do dietilenoglicol.

Leia também: Como cuidar de alguém com intoxicação alcoólica no plantão?

Tratamento

1. Suporte geral, com monitorização em terapia intensiva, controle glicêmico, hidratação e correção de distúrbios eletrolíticos.

2. Antídoto: o carvão ativado não funciona. A droga de escolha é velho e bom etanol! Isso mesmo, ele satura a desidrogenase hepática e evita a toxicidade do dietileno.

Para quem?

  • Suspeita de ingestão de mais de 5 g (4,5 mL de 100%) de dietilenoglicol nas últimas 12 horas;
  • Ingestão de qualquer quantidade de dietilenoglicol com evidência de toxicidade (acidose metabólica com ânion gap alargado ou gap osmolar maior que 10 mOsm/kg sem outras causas possíveis).

Como?

  • Se você tiver álcool absoluto disponível para uso parenteral (solução estéril e compatível com via endovenosa), a dose recomendada são 0,80 g/kg de etanol a 10% no “ataque”. Porém, na vida real, essa solução é difícil de encontrar. Por isso, é mais comum o uso oral.
  • Oral: pode ser VO ou por SNG. A recomendação da secretaria de saúde de MG é administrar 0,80 g/kg de etanol a 20% (diluído em suco) como ataque, seguido de 80 a 150 mg/kg/h, dependendo da ingestão prévia regular de álcool que a pessoa fazia.

3. Hemodiálise. Neste caso, pode ser mantida infusão de álcool de modo concomitante, mas em doses maiores (no caso oral, chegando a 350 mg/kg/h).

No exterior há um antídoto específico, o fomepizole, mas que não está disponível no Brasil.

Veja a matéria completa: Casos de síndrome nefroneural: laudo sugere intoxicação por dietilenoglicol

Autor:

Referências bibliográficas:

O Portal PEBMED é destinado para médicos e profissionais de saúde. Seu conteúdo tem o objetivo de informar panoramas recentes da medicina, devendo ser interpretado por profissionais capacitados.

Para diagnósticos e esclarecimentos, busque orientação profissional. Você pode agendar uma consulta aqui.

Um comentário

  1. William César de Andrade

    Eu gosto muito desse aplicativos são muito inrequecido em conhecimento Pr DoctorWilliamAndrade

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Entrar | Cadastrar