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cervejas sem rótulos, em cima de bancada, possíveis causadoras de intoxicação por dietilenoglicol

Intoxicação por dietilenoglicol em Minas: sexta morte é confirmada

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Texto publicado em 16/01/2020, às 12h; atualizado dia 06/02/2020, às 16h17

A Secretaria de Estado de Minas Gerais (SES-MG) confirmou a sexta morte entre os 30 casos de síndrome nefroneural, possivelmente causada pela intoxicação por dietilenoglicol (DEG). Entre as seis mortes, uma delas foi um homem que estava internado em Juiz de Fora, e estava entre os quatro pacientes que tiveram os exames confirmados para DEG; as outras cinco, quatro homens e uma mulher idosa, entram com os outros 26 casos suspeitos, e a causa deve ser confirmada após a liberação do laudo.

Dois casos com exposição à cerveja antes de outubro de 2019 estão sendo investigados.

Casos de intoxicação por dietilenoglicol

Entre os 30 casos investigados para associação à intoxicação, o que sabemos:

  • 26 homens e quatro mulheres;
  • 22 casos em Belo Horizonte e os distribuídos em: Capelinha, Nova Lima, Pompéu, Ribeirão das Neves, São João Del Rei, São Lourenço, Ubá e Viçosa;
  • Todos relataram ingerir a cerveja Belorizontina, da cervejaria Backer, a partir de outubro de 2019;
  • A média de dias entre início dos primeiros sintomas e a internação foi de dois a três dias;
  • Todos apresentaram sintomas gastrointestinais em até 72 horas associados à insuficiência renal aguda grave de rápida evolução, seguida ou não de uma ou mais alterações neurológicas: paralisia facial, borramento visual, amaurose, alteração de sensório e paralisia descendente;
  • Até o momento, quatro tiveram exames positivos para DEG, um deles evoluiu para óbito.

Segundo o protocolo divulgado pela Secretaria de Estado de Minas Gerais (SES-MG), o antídoto que está sendo utilizado para os casos confirmados é o etanol oral ou venoso. Fora do Brasil existe um medicamento específico para estes casos, o fomepizole, mas ele não está disponível no país.

Apresentação clínica

A definição de caso, segundo nota técnica N°02/COES-SES/MG (15/01) é: “Indivíduo residente ou visitante de Minas Gerais que ingeriu cerveja da marca “Backer”, a partir de outubro de 2019 e iniciou, em até 72 horas, sintomas gastrointestinais (náuseas e/ou vômitos e/ou dor abdominal) associados a pelo menos um dos seguintes quadros:

  • Alterações da função renal
  • Sinais e sintomas neurológicos (paralisia facial, borramento visual, amaurose, alterações de sensório, paralisia descendente e crise convulsiva).”

Os sintomas podem ser:

  • Trato gastrointestinal: náuseas, vômitos, dor abdominal, diarreia;
  • Trato geniturinário: oligúria, anúria, dor lombar;
  • Oftalmológicos: turvação visual, alteração de campo visual, midríase, amaurose;
  • Neurológicos: parestesia perioral, ptose palpebral, dificuldade de deglutição, paralisia facial, paresia descendente, crise convulsiva;
  • Respiratórios: taquipneia, insuficiência ventilatória após instalação do quadro neurológico.

A SES-MG informa que devem ser imediatamente notificados (em até 24 horas) ao CIEVS BH (casos de Belo Horizonte) e CIEVS Minas (casos do restante do estado), pelo telefone e por e-mail.

Leia mais: Intoxicação por dietilenoglicol: como identificar e o que fazer

Água do processo de produção também estava contaminada

Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), além do tanque de fermentação da cervejaria Backer, o tanque de água, que resfria e depois faz parte das cervejas, utilizado em um processo anterior na produção da cerveja, também estava contaminado com o dietilenoglicol. Ainda não é possível, porém identificar a etapa em que a contaminação ocorreu.

Como a fábrica possui apenas um tanque de água, é possível que todos os lotes de cervejas estejam contaminados, por isso o MAPA ordenou o recall de todas as cervejas produzidas desde outubro e a suspensão das vendas da Backer. Além da Belorizontina, vendida como Capixaba no Espírito Santo, a perícia do MAPA já confirmou as substâncias monoetilenoglicol e dietilenoglicol nas seguintes cervejas da empresa: Capitão Senra, Pele Vermelha, Fargo 46, Backer Pilsen, Brown e Backer D2.

Os outros rótulos da empresa são: Cerveja Trigo, Cerveja Pale Ale, Medieval, Bravo, Exterminador de Trigo, Três Lobos, Corleone, Tommy Gun, Diabolique, Pilsen Export, Backer Bohemian Pilsen, Julieta, Backer Reserva do Propietário, Cabral, Cacau Bomb.

A perícia contratada pela fábrica confirmou os laudos apresentados pela Polícia e pelo MAPA.

As atuais hipóteses da contaminação são sabotagem, vazamento ou uso incorreto da substância usada para resfriar a cerveja (o monoetilenoglicol). Como o monoetilenoglicol foi também encontrado durante as perícias, existe a possibilidade que ele tenha se transformado em dietilenoglicol em alguma etapa, apesar de ser uma reação que só acontece em ambientes muito ácidos.

Segundo a cervejaria, o dietilenoglicol não é utilizado na fábrica da Backer, mas o mono sim, durante o processo de resfriamento. Nesse caso, a substância não entra em contato com a cerveja – ou não deveria entrar.

Falamos também sobre casos de intoxicação por dietilenoglicol descritos na literatura. Veja aqui!

Referências bibliográficas:

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