Home / Colunistas / Lesões no ciclismo: como manejar?
lesões no ciclismo

Lesões no ciclismo: como manejar?

Colunistas, Medicina Esportiva, Ortopedia
Acesse para ver o conteúdo
Esse conteúdo é exclusivo para usuários do Portal PEBMED.

Para continuar lendo, faça seu login ou inscreva-se gratuitamente.

Preencha os dados abaixo para completar seu cadastro.

Ao clicar em inscreva-se, você concorda em receber notícias e novidades da medicina por e-mail. Pensando no seu bem estar, a PEBMED se compromete a não usar suas informações de contato para enviar qualquer tipo de SPAM.

Inscreva-se ou

Seja bem vindo

Voltar para o portal

Tempo de leitura: 4 minutos.

Hoje vamos discorrer sobre as lesões mais comuns no ciclismo, esporte já estabelecido em muitos países e com importante crescimento de adeptos na última década, especialmente no Brasil. O primeiro ponto a levar em consideração é a diversidade de modalidades dentro do ciclismo: estrada; pista; Mountain Bike (MB); Cyclo-Cross; BMX; indoor – e a consequente diversidade de lesões apresentada por cada uma delas.

Tanto o metabolismo e a biomecânica quanto o formato da bicicleta apresentam particularidades que resultam em um perfil de lesões específico. Por exemplo, no endurance (triatlo e estrada) observa-se um predomínio do componente aeróbio com exercício de longa duração submáxima, carga relativamente constante, posição estática e movimentos uniplanares. Enquanto nas provas de pista ou BMX, que são curtas e de alta intensidade, observa-se predomínio do componente anaeróbio com posição mais dinâmica e ênfase em potência e pliometria. Por fim, no Mountain Bike e no Cyclo-Cross têm-se uma mescla das características acima.

Lesões no ciclismo

Independente da modalidade, lesões traumáticas são comuns, e envolvem quedas e acidentes acometendo majoritariamente membros superiores, crânio, face e cervical. Cerca de 10-15% destas são graves (necessitam de remoção para serviço de atendimento terciário – por exemplo: fraturas, luxações, trauma cranioencefálico e trauma raquimedular).

LEIA TAMBÉM: Escala de Coma de Glasgow – o que mudou e pode revolucionar a avaliação de TCE

Por outro lado, as lesões por sobrecarga acometem predominantemente membros inferiores e coluna lombar. Dentre as mais comumente encontradas pode-se citar: tendinopatia patelar, síndrome patelofemoral, síndrome do trato iliotibial, tendinopatia da pata de ganso, tendinopatia do tendão calcâneo, metatarsalgia, lombalgias/cervicalgias, neuropatias de punho e períneo e lesões de pele perineais. 

A gênese da lesão envolve preparação inadequada (ex: pré temporada insuficiente), desajuste na carga de treino e ciclo de treinamento mal planejado (ex: picos de carga), déficit de fortalecimento e desequilíbrio muscular, erro biomecânico (ex: posição na bicicleta), particularidades anatômicas do esportista (ex: assimetria de membros; displasia troclear), movimentos e microtraumas de repetição (ex: áreas de contato como punho e períneo) e equipamento inapropriado (ex: tipo e formato do selim, capacete pesado). 

Estudos epidemiológicos demonstram uma incidência anual de lesão por sobrecarga de aproximadamente 85%. Porém, apenas cerca de um terço do total necessita de atendimento médico e apenas cerca de 10-15% são graves a ponto de exigir afastamento temporário das atividades ou tratamento cirúrgico. 

Manejo das lesões

O tratamento de lesões depende de um diagnóstico acurado e uma análise global em busca de possíveis fatores etiológicos. Além de medidas gerais como: gelo, farmacoterapia, fisioterapia, repouso relativo e órteses, necessita-se atenção especial para a possível raiz do problema, correção dos treinos, com inserção de treino resistido complementar específico (musculação), nutrição e descanso adequado, avaliação da postura do ciclista, mecânica da pedalada e ajuste do equipamento. Alterações biomecânicas localizadas como excesso de flexão lombar, “tilt” pélvico, excesso de valgo de joelho, hiperextensão/hiperflexão de joelho ou tornozelo durante o ciclo da pedalada são exemplos de pontos a serem avaliados.

Parte destes objetivos pode ser alcançados através do processo do “bikefit”, uma análise biomecânica por um profissional capacitado e proposta de adaptações ergonômicas que buscam fazer a geometria da bicicleta compatível com o ciclista, de forma a reduzir o risco de lesões e maximizar o desempenho. É importante ressaltar que  se trata de um processo fluído e contínuo que deve basear-se num raciocínio clínico com reavaliações recorrente das respostas após uma alteração sugerida.

ENTIDADE CLÍNICA MECANISMO EXEMPLO DE POSSÍVEL CAUSA
DOR PATELOFEMORAL HIPERFLEXÃO DE JOELHO SELIM BAIXO
SÍNDROME DO TRATOILIOTIBIAL HIPEREXTENSÃO DE JOELHO SELIM ALTO
TENDINOPATIA AQUILES HIPEREXTENSÃO DE TORNOZELO SELIM BAIXO
MARCHA PESADA / CADÊNCIA BAIXA
LOMBALGIA TILT PÉLVICO POSTERIOR
HIPERFLEXÃO LOMBAR
SELIM ALTO
GUIDÃO BAIXO E MUITO PRÓXIMO
CERVICALGIA EXTENSÃO CERVICAL
POR LONGA DURAÇÃO
CAPACETE PESADO
POSIÇÃO AERO
HIPERFLEXÃO DE COTOVELOS
NEUROPATIA ULNAR

(CANAL DE GUYON)

NEUROPATIA MEDIANO

(TÚNEL DO CARPO)

PRESSÃO E VIBRAÇÃO GUIDÃO SEM ACOLCHOAMENTO
MESMO APOIO POR LONGA DURAÇÃO
LESÕES PERINEAIS

(NERVO PUDENDO)
DISFUNÇÃO ERÉTIL
DISPAREUNIA
LESÃO URETRAL

VARICOCELE / INFERTILIDADE
PARTES MOLES

PRESSÃO E MICROTRAUMAS ANGULAÇÃO DO SELIM
FORMATO DO SELIM

LEIA TAMBÉM: Medicina de aventura – viajando para altitude

lesões no ciclismo

Autor:

Referências bibliográficas:

  • Brukner P, Khan K. Brukner and Khan`s Clinical Sports Medicine: Injuries (vol.1). 2016. 5ª edição. McGraw-Hill Education. 
  • Cohen M, Abdalla RJ. Lesões nos Esportes: Diagnóstico, Prevenção e Tratamento. 2015. 2ª edição. Thieme Revinter. 
  • Visentini P, Clarsen, B. Overuse Injuries in Cycling. Aspetar Sports Medicine Journal 2016; volume 5:486-492. 
  • McLean B, Blanch P. Bicycle seat height: a biomechanical consideration when assessing and treating knee pain in cyclists. Sport Health 1993; 11:12-15. 
  • Clarsen B, Bahr R, Heymans MW, Engedahl M, Midtsundstad G, Rosenlund L et al. The prevalence and impact of overuse injuries in five Norwegian sports: application of a new surveillance method. Scand J Med Sci Sports 2015; 25:323-330. 
  • Burnett AF, Cornelius MW, Dankaerts W, O’Sullivan PB. Spinal kinematics and trunk muscle activity in cyclists: a comparison between healthy controls and non-specific chronic low back pain subjects – a pilot investigation. Man Ther 2004; 9:211-219. 
  • Blake OM, Champoux Y, Wakeling JM. Muscle coordination patterns for efficient cycling. Med Sci Sports Exerc 2012; 44:926-938. 
  • De Bernardo N, Barrios C, Vera P, Laíz C, Hadala M. Incidence and risk for traumatic and overuse injuries in top-level road cyclists. J Sports Sci 2012; 30:1047-1053. 
  • Dahlquist M, Leisz MC, Finkelstein M. The club-level road cyclist: injury, pain, and performance. Clin J Sport Med 2015; 25:88-94. 
  • Wilber CA, Holland GJ, Madison RE, Loy SF. An epidemiological analysis of overuse injuries among recreational cyclists. Int J Sports Med 1995; 16:201-206 
  • Clarsen B, Krosshaug T, Bahr R. Overuse injuries in professional road cyclists. Am J Sports Med 2010; 38:2494-2501. 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Esse site utiliza cookies. Para saber mais sobre como usamos cookies, consulte nossa política.