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senhora com Alzheimer andando na rua

Lítio pode ter efeitos benéficos para pacientes com Alzheimer

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Tempo de leitura: 4 minutos.

Novos estudos sugerem que os efeitos benéficos do lítio para a memória podem estar relacionados à sua capacidade de retardar o envelhecimento celular, o que pode colaborar no tratamento de idosos com Alzheimer.

Para testar o efeito do medicamento em células cerebrais humanas, a pesquisadora Tânia Viel, professora da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP), recorreu a uma técnica de reprogramação que permite transformar células adultas, do sangue ou do fibroblasto, em células-tronco pluripotentes induzidas, que posteriormente foram induzidas a se diferenciar em astrócitos, o tipo celular com mais presença no sistema nervoso central.

“Observamos que o envelhecimento foi bastante reduzido nas áreas que receberam o lítio. O envelhecimento celular é um dos fatores relacionados ao aumento do câncer e de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer e o Parkinson”, disse Tânia Viel, que é uma das coordenadoras do Grupo de Pesquisa em Neurofarmacologia do Envelhecimento, ao lado do professor Hudson de Sousa Buck, da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, em entrevista ao Portal da PEBMED.

Lítio no tratamento de Alzheimer

Neste estudo, foi mostrado que o lítio, quando administrado em doses muito pequenas, ajuda na manutenção da memória de idosos com Alzheimer. Os resultados foram publicados em 2013, levando cerca de três anos para serem concluídos.

Em um segundo estudo, iniciado em 2016, a pesquisadora e sua equipe observaram o funcionamento do cérebro de camundongos enquanto envelheciam utilizando uma linhagem de roedores que envelhece mais rápido – em apenas 12 meses, em vez dos 24 usuais.

Leia também: Como prevenir o Alzheimer com fatores relacionados ao estilo de vida?

“Os roedores tratados com lítio desde pequenos mantiveram toda a formação da memória, que confirma a forte relação entre o aumento de ansiedade e a perda de memória na velhice. E essa redução da ansiedade nos animais pode estar relacionada à manutenção da memória”, explica Tânia Viel.

Os resultados confirmam outros testes realizados anteriormente pela mesma equipe. O estudo em questão começou depois que um dos membros do grupo, a médica Marielza Nunes, passou a observar a melhora na memória de idosos que tomavam doses pequenas de lítio como complemento alimentar.

Metodologia e resultados

Para comprovar a teoria, os pesquisadores realizaram um estudo clínico com um grupo de pacientes idosos diagnosticados com a doença de Alzheimer.

“Selecionamos um grupo de pacientes idosos diagnosticados com Alzheimer. Metade dos voluntários recebeu as microdoses de carbonato de lítio, de 1,5 miligrama por dia – em pessoas com transtorno bipolar, a dosagem é de, pelo menos, 300 miligramas. A outra parte dos pacientes tomou apenas placebo. Os idosos foram acompanhados por um ano e meio, com a realização regular de testes de memória. A partir do terceiro mês, a memória dos pacientes tratados com lítio estabilizou. No outro grupo, o desempenho foi decaindo. O tratamento foi mantido por mais um tempo, para termos certeza do efeito observado. A partir do momento que comprovamos essa diferença, passamos a dar lítio para todos”, conta Tânia Viel, que participou do estudo, coordenado pelo professor Hudson de Sousa Buck, como colaboradora.

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Para verificar a eficácia, os pesquisadores utilizaram o miniexame do estado mental ao longo do tratamento. Na época, apenas foram acompanhados os prontuários dos pacientes e nenhum apresentou alterações na função tireoidiana, hepática ou renal.

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Na fase de avaliação, o grupo tratado não apresentou desempenho diminuído no teste de estado mental, em oposição às pontuações mais baixas observadas para o grupo controle durante o tratamento, com diferenças significativas começando três meses após o início do tratamento, e aumentando progressivamente. Esses dados sugerem a eficácia de um tratamento com uma pequena dose de lítio na prevenção da perda cognitiva, reforçando o seu potencial terapêutico.

“A partir do terceiro mês, a memória dos pacientes tratados com lítio estabilizou. No outro grupo, o desempenho foi decaindo. O tratamento foi mantido por mais um tempo para termos certeza do efeito observado. A partir do momento que comprovamos essa diferença, passamos a dar lítio para todos”, afirmou Tânia Viel.

Os resultados foram publicados na revista Current Alzheimer Research.

Próximos passos

Os próximos passos da pesquisa envolvem modelos celulares e novos testes com pacientes. O lítio será testado nas diferentes hipóteses que explicam o Alzheimer para conseguir identificar exatamente as causas da doença.

Em uma delas, as células cerebrais serão submetidas a um tratamento com o peptídeo beta-amiloide, que causa uma desorganização das células e induz ao envelhecimento. Essas células receberão doses de lítio para que seja observado se o medicamento pode reverter o processo dessa desorganização.

Em um outro estudo, os pesquisadores irão induzir o envelhecimento em uma cultura de células usando peróxido de hidrogênio, conhecido por causar estresse oxidativo para testar se o lítio pode reverter esse dano.

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“Há várias formas de indução do envelhecimento cerebral que podem levar à doença de Alzheimer. Veremos o quanto conseguimos proteger as células com o medicamento”, destaca a cientista.

Tânia Viel lembra que estudos anteriores do grupo mostram que um estilo de vida saudável, com atividades físicas e intelectuais, protege o cérebro da doença.

Conclusão

“Nossa conclusão é que o lítio, nessa dose, é eficaz para a preservação da memória (verificada em seres humanos e em animais) e seguro. Assim, estamos fornecendo subsídios para que neurologistas e psiquiatras tenham confiança na utilização dessa dose para a manutenção da memória de idosos com comprometimento cognitivo leve ou já diagnosticados com a doença nas fases leve ou moderada”, explica a pesquisadora.

Ainda segundo Tânia, para os pacientes e as suas famílias, é uma esperança para a estabilização do processo progressivo da neurodegeneração e maior manutenção da qualidade de vida durante a velhice.

Vale lembrar que é uma estratégia que exige paciência de todos (médicos, pacientes e familiares), pois os efeitos comportamentais são observados a partir de três meses de uso contínuo.

Principais dificuldades

Já há outro projeto em fase de finalização com idosos que foram tratados com a mesma dose de lítio, onde foi constatada a segurança do tratamento com relação à função tireoidiana, hepática e renal. Mas, para dar continuidade à investigação, a equipe de pesquisadores está aguardando sair o financiamento para iniciar o recrutamento de voluntários.

“A maior dificuldade é a falta de recursos para a compra de reagentes e de equipamentos para o desenvolvimento do projeto, além de bolsa de estudo para os alunos. Tivemos apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), CNPq e CAPES. Porém, o corte em bolsas e fomento ameaça a continuação do projeto”, ressalta a pesquisadora.

A expectativa é que, futuramente, grupos de idosos com e sem Alzheimer sejam acompanhados para que os cientistas entendam as diferenças entre eles. “Embora haja um fator genético, nem sempre pessoas predispostas desenvolvem a doença. Queremos entender quais são os agentes protetores do cérebro de idosos saudáveis”, conclui Viel.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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