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Em 17 de fevereiro de 2022, a Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou a declaração de um surto de poliovírus selvagem tipo 1 (PVS 1) pelas autoridades do Malawi depois que um caso foi detectado em uma criança na capital do país, Lilongwe. Este é o primeiro caso na África em mais de cinco anos. O continente africano foi declarado livre da pólio selvagem indígena em agosto de 2020, depois de eliminar todas as formas do vírus na região.

A análise laboratorial mostra que a cepa detectada está ligada à que circula na província de Sindh, no Paquistão, onde a poliomielite continua endêmica. Além do Paquistão, o Afeganistão também é local endêmico. A detecção de PVS 1 fora desses dois países endêmicos é uma preocupação séria e ressalta a importância de priorizar as atividades de imunização. Até que a poliomielite seja totalmente erradicada, todos os países permanecem em risco de importação e devem manter uma alta cobertura de vacinação para proteger todas as crianças contra a doença.

Como esse foi um caso importado do Paquistão, esta detecção não afeta o status de certificação livre de PVS 1 da Região Africana da OMS, oficialmente cedido em agosto de 2020. O Malawi registrou pela última vez um caso de PVS1 em 1992. O programa de erradicação da poliomielite viu importações de países endêmicos para regiões que foram certificadas como livres do PVS no passado e agiu rapidamente para interromper, com sucesso, a transmissão do vírus nessas áreas.

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Segundo o diretor regional da OMS para a África, Dr. Matshidiso Moeti, “enquanto o PVS existir em qualquer lugar do mundo, todos os países permanecem em risco de importação do vírus”.

A OMS destaca que, após a detecção do agente viral no Malawi, tem tomado medidas urgentes para evitar sua possível disseminação. De acordo com a entidade, graças a um alto nível de vigilância da poliomielite no continente e à capacidade de identificar rapidamente o vírus, pode ser lançada rapidamente uma resposta rápida e proteger as crianças do impacto debilitante desta doença.

Além disso, a OMS está apoiando as autoridades de saúde do Malawi para realizar uma avaliação de risco e resposta a surtos, incluindo imunização suplementar. A vigilância da doença também está sendo intensificada nos países vizinhos. A Equipe de Resposta Rápida do Global Polio Eradication Initiative (GPEI), baseada no Escritório Regional da OMS na África, está enviando uma equipe para o Malawi para apoiar a coordenação, vigilância, gerenciamento de dados, comunicações e operações. As organizações parceiras também enviarão equipes para apoiar operações de emergência e soluções inovadoras de campanha de vacinação.

De acordo com o Dr. Modjirom Ndoutabe, coordenador da pólio no Escritório Regional da OMS para a África, o último caso de vírus selvagem da poliomielite no continente africano foi identificado no norte da Nigéria em 2016 e, globalmente, houve apenas cinco casos em 2021. Qualquer caso de vírus selvagem da poliomielite é um evento significativo e a OMS declara que todos os recursos para apoiar o país serão mobilizados.

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O caso clínico

Como resultado da vigilância contínua da doença, a Global Polio Laboratory Network (GPLN) confirmou a presença do PVS 1 em uma criança de três anos de idade com paralisia em Tsabango, Lilongwe, Malawi. A análise laboratorial mostrou que o vírus está geneticamente ligado ao PSV 1 que foi detectado na província de Sindh, no Paquistão, em outubro de 2019. A menina iniciou um quadro de paralisia em 19 de novembro de 2021, e amostras de fezes foram coletadas para exames laboratoriais em 26 e 27 de novembro. O sequenciamento do vírus foi realizado em fevereiro pelo National Institute for Communicable Diseases in South Africa. Os U.S. Centers for Disease Control and Prevention confirmaram este caso como PSV 1.

Comentário

A poliomielite foi registrada pela última vez no Brasil em 1990. Em 1994, o país recebeu da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) o certificado de área livre de circulação do PVS do seu território, assim como os demais países das Américas. Globalmente, está em vias de erradicação. Todavia, permanece circulando de forma endêmica no Paquistão e Afeganistão. De acordo com a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), considerando dados do segundo semestre de 2021, foram identificados 309 casos de poliovírus circulante derivado vacinal (PVDV) em 13 países: Nigéria, Camarões, Ucrânia, Senegal, Níger, Etiópia, Guiné-Bissau, Afeganistão, República Democrática do Congo, Tajiquistão, Burkina Faso, Libéria e Somália. A SBIm enfatiza que o intenso fluxo de viajantes provenientes desses países pode propiciar a reintrodução do PVS e o surgimento do PVDV no território brasileiro, particularmente em regiões de baixa cobertura vacinal, bolsões de não vacinados e que prosseguem em viagens internacionais ou relações comerciais com estes países. Com relação ao indivíduo que viaja do Brasil para uma área de risco para a pólio, tanto pelo PVS, como pelo PVDV, o viajante deve obedecer às regras de vacinação do país (ou países) de destino, sendo que crianças menores de cinco anos de idade devem ser vacinadas conforme as recomendações do Calendário Nacional de Vacinação antes da viagem.

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No Brasil, em 2020, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) publicou nota especial com o intuito de incentivar os pediatras brasileiros a atuarem de modo decisivo, em conjunto com a população do país, no esclarecimento e no convencimento sobre a relevância e o valor da vacinação. A SBP, em sua última atualização do calendário vacinal destaca que as três primeiras doses da vacina contra a poliomielite, aos 2, 4 e 6 meses, devem ser feitas obrigatoriamente com a vacina pólio inativada (VIP). Aconselha-se que as doses subsequentes que sejam feitas idealmente também com a VIP.  Na transição da vacina pólio oral atenuada (VOP) para a VIP é admissível o esquema atual recomendado pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) que fornece três doses iniciais de VIP aos 2, 4 e 6 meses de idade, seguidas de duas doses de VOP aos 15 meses e aos 4 anos. Desde 2016, a VOP é bivalente (VOPb), isto é, contém os tipos 1 e 3 do poliovírus, podendo ser aplicada em doses de reforço ou nas Campanhas Nacionais de Vacinação. A VOP é contraindicada em pacientes imunocomprometidos e seus contactantes (nesse caso, deve ser administrada a VIP). Em gestantes, o Ministério da Saúde relata que não existe uma contraindicação formal durante a gestação, mas a vacina deve ser aplicada somente em casos estritamente necessários, considerando-se a avaliação dos benefícios e riscos, depois de avaliação médica (a VOPb não deve ser aplicada na gravidez). Pode ser usada durante a lactação, também com orientação médica.

Referências bibliográficas:

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