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mão com luva cirúrgica segurando bisturi para cirurgia de correção de mamas tuberosas

Mamas tuberosas: o que é e qual cirurgia é indicada?

Cirurgia Plástica, Ginecologia e Obstetrícia, Mastologia, Medicina de Família
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A deformidade tuberosa da mama (mamas tuberosas) é uma rara alteração mamária, que acomete mulheres jovens, uni ou bilateralmente. Sua incidência e prevalência exatas são desconhecidas. Foi primeiramente descrita por Rees e Aston, em 1976. A deformidade recebeu essa denominação pela semelhança com raízes de plantas tuberosas.

Embriologicamente, a mama inicia seu desenvolvimento na quinta semana de vida intrauterina, a partir do ectoderma. Entre 10 semanas e 14 semanas, os brotos mamários da região torácica são envolvidos por uma lâmina de tecido mesodérmico, denominada fáscia superficial. O crescimento tanto glandular como areolopapilar é completo na puberdade e a fáscia superficial é a principal estrutura responsável pela conformação cônica das mamas.

Mamas tuberosas: como identificar?

A formação de mamas tuberosas decorre da inexistência da lâmina superior da fáscia superficial ao redor do complexo areolopapilar e de seu espessamento com formação de um anel fibroso na região periareolar.

Em decorrência disso, o desenvolvimento mamário é alterado, com pseudo-herniação do parênquima pelo complexo areolopapilar e alargamento dessa estrutura, além de redução dos diâmetros horizontal e vertical, com constrição da base da mama. Há hipoplasia do parênquima mamário, principalmente nos quadrantes inferiores, e elevação do sulco inframamário.

Veja também: Como é a abordagem da ginecomastia?

Todas essas alterações alteram a conformação das mamas, que adquirem aspecto tubular, ao invés do aspecto cônico natural.

Classificação

Várias classificações dessa patologia foram propostas. Em 1996, von Heimburg e cols. classificaram essa patologia em quatro tipos. A classificação mais comum é a de Grolleau e cols., que inclui três tipos de mamas tubulares. Em 2013, Costagliola e cols. modificaram a classificação de Grolleau e cols. E incluíram o tipo 0, caracterizado por protrusão hernial isolada da aréola e base mamária normal. Kolker e Collins classificaram as deformidades da mama tuberosa e descreveram as técnicas de tratamento para cada indivíduo.

A classificação de Grolleau et al. descreve três tipos de deformidade da mama tuberosa:

  • Tipo I: caracteriza-se por hipoplasia do quadrante inferior medial, constituindo o tipo mais comum, presente em 54% dos casos;
  • tipo II: ambos os quadrantes inferiores são hipoplásicos, constituindo 26% dos casos;
  • tipo III: caracteriza-se por constrição grave, com base mínima de mama e deficiência aparente de todos os quadrantes da mama, constituindo a minoria, presente em 20% dos casos.

Em nossa prática clínica e cirúrgica, observamos que pacientes com mamas tuberosas manifestavam, além das características acima, alterações na pele, parênquima, fáscia e vascular. De fato, em nossa experiência cirúrgica com seios tuberosos, nunca encontramos constrição de fáscia em forma de anel. Essas alterações parecem envolver quase todo o estroma mamário e não apenas a fáscia, tornando a mama tuberosa uma malformação complexa.

A deformidade tubular causa grande desconforto psicológico aos pacientes e é mais desafiador para os cirurgiões plásticos corrigirem.

Mais do autor: O que sabemos sobre linfoma anaplásico de grandes células em pacientes com silicone?

Cirurgia de correção das mamas tuberosas

Segundo Javier Orozco-Torres, pacientes com mama tubular tipo II foram submetidas à correção clínica com mais frequência (54,76%) do que pacientes com mama tubular tipo I ou III.

Geralmente, o tratamento de uma mama tubular tipo II inclui a liberação da base contraída; correção de ptose, hérnia de aréola e assimetria preexistente; e restaurar uma forma normal da mama.

Técnicas cirúrgicas que utilizam implantes e que não utilizam implantes foram descritas, refletindo os desafios reconstrutivos associados a essa deformidade.

Em 1976, a abordagem cirúrgica de mamas tuberosas iniciou-se com Rees e Aston, por meio de técnica que emprega incisões radiadas no parênquima mamário para liberação do anel fibroso e correção da forma e disposição da mama, através de um acesso pelo sulco inframamário.

Ribeiro et al. descreveram técnica que utiliza abordagem periareolar exclusiva, com incisão horizontal no parênquima, e confecção de pedículo de base inferior, com ressecção dos prolongamentos medial e lateral e fixação do mesmo na parede torácica, dobrado sobre si mesmo. Essa técnica possibilita a correção da conformação das mamas, com preenchimento dos quadrantes inferiores hipoplásicos.

O método mais popular é o sugerido por Mandrekas et al. Nesta técnica, após dissecções pré-peitorais , o anel constritivo da mama tubular é liberado, criando assim 2 pilares na parte inferior da mama. Os pilares são então reaproximados para adicionar volume ao polo inferior. Em pacientes com mamas pequenas, o uso de implantes deve ser considerado.

Cada caso é um desafio terapêutico pela diferença de apresentação dessa deformidade nas pacientes.

Abaixo mostramos um caso tratado exclusivamente com implantes mamários. O tratamento deve ser individualizado para se obter o melhor resultado possível.

Autor:

Referências bibliográficas:

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